O degelo provocado pelo calor invulgar na Noruega revela artefactos de há milhares de anos
À medida que o aquecimento global derrete o gelo nas montanhas da Noruega, reaparecem objetos de um passado remoto. A descoberta mais recente ocorreu no centro do país e inclui armas da Idade da Pedra.

O gelo perene da Noruega está a recuar rapidamente devido ao aumento das temperaturas globais, deixando, por vezes, descobertas surpreendentes no seu rasto.
Em setembro de 2026, foram encontradas numerosas flechas pré-históricas nas montanhas de Jotunheimen, no centro do país. O mais fascinante desta descoberta é que até as partes orgânicas foram preservadas intactas em artefactos que, em alguns casos, datam de há muitos milénios. Agora, sem o seu “escudo” de gelo, os achados tornam-se mais vulneráveis e precisam de ser protegidos.
Os segredos do gelo
Nos últimos vinte anos, as pesquisas demonstraram que o gelo — que antes se acreditava ser eterno e que agora está a diminuir — foi, durante milénios, o guardião de uma grande quantidade de objetos de diferentes épocas.
Recentemente, durante uma campanha arqueológica levada a cabo por investigadores do Secrets of the Ice — especializados em artefactos que emergem do gelo derretido —, foram encontradas quarenta e oito flechas que datam da Idade da Pedra. Muitas delas remontam a há dois mil anos, mas a mais antiga tem, provavelmente, seis mil anos.
A fragilidade das descobertas norueguesas
As pontas de flecha encontradas na Noruega são feitas de ardósia; por esta razão, não surpreende que estes objetos tenham sobrevivido durante tanto tempo. No entanto, o que fascina é como as peças de madeira, os tecidos e as amarras de couro se conservaram em tão bom estado, graças à proteção proporcionada pelo gelo.
Would you believe it! We have just found an incredibly well preserved arrow with a shell arrowhead. It looks like it was lost last year, but the arrow is around 3300 years old, from the Early Bronze Age! It doesn't get much better than this https://t.co/iDd6m6SjVu
— Secrets Of The Ice (@brearkeologi) September 13, 2023
No entanto, o facto de estes achados estarem agora expostos ao ar torna-os frágeis, uma vez que as partes feitas de material orgânico são mais facilmente perecíveis.
O problema reside em qualquer outro artefacto que tenha surgido após o degelo e que ainda não tenha sido encontrado pelos arqueólogos. Ao estarem expostos ao vento, à chuva, ao sol, às variações de temperatura e aos microrganismos, estes objetos antigos podem deteriorar-se facilmente.
O degelo desencadeou também uma espécie de corrida contra o tempo para os arqueólogos, que tentam salvar estes valiosos artefactos que nos revelam muito sobre a vida humana há milhares de anos.
Caça nas montanhas da Noruega
A expedição arqueológica de setembro de 2026, por exemplo, confirmou que a região de Langfonne foi, em tempos, uma zona de caça de renas. Além de armas e ferramentas, com o passar do tempo, foram também encontrados restos de animais.

Num ambiente que hoje poderia parecer hostil à sobrevivência humana, as populações locais viviam, viajavam e até caçavam com bastante frequência. Isto ocorria especialmente no verão, quando as renas se deslocavam para altitudes mais elevadas para escapar aos insetos.
As antigas comunidades que habitavam esta bela, mas gélida, região da Noruega implementaram estratégias e técnicas de caça para transformar um ambiente aparentemente difícil numa vantagem para si próprias.
Arqueologia glaciar: descobertas fascinantes e previsões alarmantes
Em 2026, comemora-se o vigésimo aniversário do início da investigação em arqueologia glaciar no condado de Innlandet, dentro do Parque Nacional de Jotunheimen.
Entre os vários objetos encontram-se, por exemplo, um sapato de couro da Idade do Bronze, bem como ferramentas de caça, utensílios e restos de animais domésticos. Todos estes objetos serão levados para o Museu de História de Oslo para estudo e conservação.
Apesar do atrativo destas descobertas, o degelo na Noruega é alarmante. O fenómeno está a ocorrer mais rapidamente do que se imaginava, e os cientistas prevêem que, daqui a mais vinte anos, a maior parte do gelo de Innlandet poderá desaparecer.
Referência da notícia
Nueva Cerdeña. (2026). 48 flechas prehistóricas emergen del hielo, la más antigua tiene casi 6 mil años .