Mecanismo de Proteção Civil da UE foi ativado e já vieram 118 bombeiros de Espanha. Fogo de Vouzela está dominado
Os dados provisórios do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais revelam que, nos últimos cinco dias, os 4.592 incêndios florestais ocorridos este ano já geraram mais de 15 mil hectares de área ardida. Arderam 11.834 hectares só na região Norte.

O Governo de Portugal solicitou na passada sexta-feira, 6 de julho, o envio de quatro aviões Canadair e uma equipa da Unidade Militar de Emergências, com a indicação de que as aeronaves fossem de imediato integradas no Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais.
O Ministério da Administração Interna, tutelado por Luís Neves, acionou também mecanismo de cooperação bilateral com Espanha e Marrocos.
No final da última semana e nos próximos dias, Portugal continental vai enfrentar “uma onda de calor com previsões meteorológicas de grande adversidade”, assume o Governo.
Têm estado a ser registadas temperaturas máximas superiores a 40ºC, humidade relativa inferior a 20%, o que resulta numa seca extrema da vegetação e vento forte, com rajadas entre os 45 km/h e os 55 km/h.
Outra das decisões tomadas pelo Governo foi a de acionar do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.
118 bombeiros e 45 veículos de Espanha
O Executivo liderado por Luís Montenegro teve em conta “as previsões meteorológicas de grande adversidade”, com valores extremos que não se verificavam desde 2001.
![Avião Canadair A Comissão Europeia fez saber que chegaram a Portugal “118 bombeiros e 45 veículos vindos de Espanha algumas horas após a ativação” e que “foram destacadas três aeronaves rescEU de combate a incêndios [oriundas] de Itália e Espanha”.](https://services.meteored.com/img/article/mecanismo-de-protecao-civil-da-ue-foi-ativado-e-ja-vieram-118-bombeiros-de-espanha-fogo-de-vouzela-esta-dominado-1783356224023_1024.jpg)
A decisão também se justificou devido aos “incêndios de elevada complexidade ativos no país e o número de ocorrências que se têm registado”, em particular o de Vouzela (distrito de Viseu), que deflagrou às 03:04 horas da passada quinta-feira, 2 de julho.
Isto, pese embora se tenham verificado alguns reacendimentos.
777 bombeiros de 14 países
Este ano, a Comissão Europeia destacou um número recorde de bombeiros para combater os incêndios florestais na Europa.
E fez saber que “já se encontram ou estarão em breve estrategicamente posicionados em zonas de alto risco em Chipre, Grécia, Itália, França, Espanha e Portugal 777 bombeiros provenientes de 14 países europeus”.
Paralelamente, “22 aviões de combate a incêndios e cinco helicópteros da frota da UE estão prontos para apoiar os países sob pressão”.
As aeronaves de combate a incêndios, as equipas terrestres e os veículos da Suécia, de Chipre, de Itália e de Espanha já estão a ajudar as equipas de emergência no terreno”, assegurou a comissária.
Hadja Lahbib deu a garantia de que “a Europa mantém-se unida” na “determinação em proteger vidas, comunidades, meios de subsistência e o nosso ambiente natural”.
Cooperação entre países da UE e oito Estados
Criado em Outubro de 2001, o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia visa reforçar a cooperação entre os países da UE e oito Estados participantes em matéria de proteção civil. O objetivo é melhorar a prevenção, preparação e resposta a catástrofes.
Qualquer país do mundo pode pedir assistência através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, quando uma situação de emergência ultrapassa as suas capacidades de resposta a uma catástrofe.

A Comissão Europeia desempenha aqui um papel fundamental na coordenação da resposta a catástrofes a nível mundial, contribuindo para, pelo menos, 75% dos custos de transporte e/ou custos operacionais dos destacamentos. O Centro de Coordenação de Resposta de Emergência (CCRE) é o coração do Mecanismo, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.
Em Portugal, o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) é gerido pela Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), a que preside Paulo Rainha Mateus desde meados de maio de 2026, que sucedeu a Tiago Oliveira, que estava no cargo desde 2017.
Os últimos dados, consultados pela agência Lusa, revelam que os incêndios registados este ano foram mais devastadores para a região Centro do país, onde ardeu um total de 14.244 hectares.
Só o fogo que deflagrou na madrugada do dia 2 de julho, em Vouzela (distrito de Viseu), e que apenas foi dominado esta segunda-feira, dia 6 de junho, foi grandemente responsável por estes números.
Em toda a região Norte, a área ardida até ao momento totaliza este ano 11.834 hectares. Em relação ao mesmo período de 2025, a área ardida quase quadruplicou, registando-se este ano a maior desde 2017, de acordo com os números do SGIFR.
Consultados pela agência Lusa, os dados do SGIFR indicam que os 4.592 incêndios florestais registados este ano provocaram 30.155 hectares de área queimada e mais de 15.000 arderam entre quarta-feira e domingo.