As algas não são plantas: factos surpreendentes sobre a vida aquática que precisa de saber
Desde plantas carnívoras subaquáticas até algas gigantes que, na verdade, nem sequer são plantas, os cientistas afirmam que a flora aquática está repleta de surpresas.

Quando a maioria das pessoas pensa em plantas, imagina florestas, jardins ou campos de flores silvestres. Mas, sob a superfície dos lagos, rios e oceanos, existe um mundo fascinante de vida aquática que desafia muitas das nossas suposições sobre o reino vegetal.
As algas marinhas não são plantas
Um dos maiores equívocos é pensar que as algas marinhas são plantas. Embora realizem fotossíntese e se assemelhem às plantas terrestres, as algas marinhas pertencem, na verdade, a vários grupos diferentes de algas que evoluíram separadamente das plantas verdadeiras.
Ao contrário das plantas, não têm raízes, caules, folhas, flores nem sementes. As algas castanhas incluem as gigantescas florestas de kelp, as algas vermelhas são utilizadas para produzir alimentos como o nori e as algas verdes incluem espécies como a alface-do-mar.

Os cientistas descobriram também que as plantas regressaram aos ambientes aquáticos inúmeras vezes ao longo da evolução. Depois de as plantas terem colonizado a terra pela primeira vez há cerca de 500 milhões de anos, vários grupos evoluíram, de forma independente, de volta para habitats de água doce e marinhos.
A vida subaquática impulsionou algumas adaptações notáveis. Certas plantas aquáticas reduziram as suas raízes de forma tão drástica que estas quase não existem. A Wolffia, vulgarmente conhecida como "watermeal" (alga aquática), é a menor planta com flores do mundo e não possui raízes. Em vez disso, flutua livremente na superfície da água e absorve nutrientes diretamente da água circundante.

Outras plantas aquáticas evoluíram para se tornarem predadores altamente eficientes. As utriculárias, por exemplo, são plantas carnívoras equipadas com minúsculas armadilhas subaquáticas capazes de capturar presas microscópicas numa fração de segundo.
A reprodução também sofreu alterações drásticas sob a superfície da água. Enquanto muitas plantas terrestres dependem de insetos ou do vento para transportar o pólen, algumas plantas aquáticas recorrem, em vez disso, às correntes de água. Ao longo de milhões de anos, certas espécies marinhas chegaram mesmo a perder os genes responsáveis pela produção de aromas florais, uma vez que, debaixo de água, já não é necessário atrair polinizadores.
Os cientistas também descobriram plantas aquáticas a prosperar em locais onde antes se pensava ser impossível a fotossíntese. Foram descobertos alguns musgos aquáticos a crescer a quase 140 metros abaixo da superfície em lagos excecionalmente límpidos, onde apenas pequenas quantidades de luz solar penetram. Estas descobertas demonstram a incrível adaptabilidade da vida aquática.
Os prados de ervas marinhas, as florestas de mangais e outros ecossistemas costeiros armazenam enormes quantidades de carbono, tanto nos seus tecidos como nos sedimentos subjacentes. Este "carbono azul" pode permanecer retido durante séculos ou mesmo milhares de anos, tornando estes ecossistemas em alguns dos sumidouros naturais de carbono mais eficazes da Terra e em valiosos aliados na luta contra as alterações climáticas.