Investigadores do Politécnico de Leiria estudam as sequelas da tempestade Kristin na população
O estudo tem como objetivo contribuir para melhorar as campanhas de comunicação e os modelos de liderança que reforcem a confiança nas instituições públicas.

A depressão Kristin atingiu o país a 28 de janeiro, com a violência de um ciclone-bomba. Rajadas de vento com velocidades próximas de 180 km/h e precipitação intensa e persistente arrancaram telhados, provocaram quedas de árvores, colapsos de estradas e de muros, cortes de energia, habitações inundadas e danificadas, empresas paralisadas e explorações agrícolas destruídas.
Quase três meses depois da tempestade, as marcas são profundas e estão bem presentes, sobretudo na região centro e, em particular, nos distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa.
As perguntas são o ponto de partida do trabalho desenvolvido no Instituto Politécnico de Leiria. Denominado “Sistemas de Respostas a Crises, Impacto da Tempestade Kristin”, o estudo do Centro de Investigação Aplicada em Economia e Gestão, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, pretende dar voz à população numa abordagem de baixo para cima.

O intuito passa essencialmente por avaliar como as populações afetadas viveram os momentos mais críticos, estudando igualmente como funcionaram as redes familiares e de solidariedade. A investigação inclui ainda os testemunhos dos empresários que viram os seus negócios suspensos após a devastação causada pela tempestade.
O que se pretende, no final, é gerar recomendações para o Governo, autarquias, organizações públicas e privadas, proteção civil, empresas de infraestruturas e entidades ligadas aos setores da energia e das telecomunicações.
Reforçar as respostas das autoridades centrais e regionais
Espera-se, acima de tudo, que as conclusões do estudo sejam úteis no planeamento de campanhas de comunicação e no desenho de modelos de liderança que visem reforçar a confiança da população nas instituições públicas.
O que está, portanto, em causa é a construção de uma resposta mais bem preparada e robusta para atender às necessidades das comunidades lesadas, assegurando o bem-estar social em futuros momentos de emergência.
O estudo começou há pouco mais de duas semanas, prevendo-se que a recolha de testemunhos esteja concluída no final deste mês. O inquérito conta, por enquanto, com cerca de 500 respostas, a grande maioria do distrito de Leiria.
O objetivo, no entanto, é duplicar e abranger os 68 concelhos que estiveram sob o estado de calamidade. Para já, alguns resultados preliminares indicam que “as pessoas se sentiram muito abandonadas durante a crise de mau tempo”, antecipou à Lusa Ricardo Cavadas, investigador do Politécnico de Leiria na área do marketing social.

Recorde-se que, no total, 19 pessoas morreram em Portugal, seis no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta. Mais de metade das mortes, aliás, ocorreu durante os trabalhos de recuperação. As tempestades provocaram ainda várias centenas de feridos, desalojados e deslocados.
Impactos, rescaldos e ilações
Entre os vários propósitos, o inquérito pretende avaliar o nível de gravidade dos danos e se residentes e empresários tinham ou não seguro e que tipo de coberturas estavam incluídas. O intuito do trabalho passa também por averiguar se as pessoas foram afetadas pela interrupção de serviços essenciais, como água, luz, telecomunicações, rodovias, educação, saúde e equipamentos desportivos e sociais.

O trabalho irá igualmente aferir o impacto da onda de solidariedade das comunidades vizinhas e da população em geral, que rapidamente se mobilizaram para ajudar os mais afetados pelas intempéries. Trata-se, no fundo, de avaliar a compreensão das pessoas sobre as redes de entreajuda e de analisar como foi percecionada a capacidade de liderança das autarquias e do Governo.
Os resultados, após serem devidamente analisados com critérios científicos, serão remetidos às autoridades da administração local, regional e central, esperando-se que possam vir a dar fortes contributos para alterar os modelos de comunicação aos cidadãos em momentos de crise.
Referência do artigo
O estudo “Sistemas de Respostas a Crises, Impacto da Tempestade Kristin” tem como base um inquérito dirigido à população afetada pelas intempéries. O questionário é anónimo e leva cerca de sete minutos. Os interessados podem participar através do link: https://tinyurl.com/temp-kristin
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