FIPA debate papel estratégico da indústria agroalimentar no futuro da economia portuguesa e europeia
A fileira agroalimentar em Portugal representa uma componente relevante do tecido empresarial, reunindo cerca de 124 mil empresas e aproximadamente 7,9% do total nacional. Só as indústrias agroalimentares e das bebidas empregam entre 118.000 a 120.000 pessoas.

A Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA) realiza na próxima quarta-feira, 17 de junho, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a 8.ª Conferência para a Competitividade.
O evento deste ano é subordinado ao tema “O valor acrescentado da indústria agroalimentar” e é marcado pelos desafios da competitividade, da inovação e da sustentabilidade.
A presença de José Manuel Fernandes, ministro da Agricultura e Mar, está confirmada na abertura da conferência, à qual se segue a intervenção de Jorge Tomás Henriques, presidente da FIPA, a que assistirão dezenas de líderes empresariais e especialistas para ouvir e debater o papel estratégico da indústria agroalimentar na economia portuguesa e europeia.
Ao longo da manhã, o debate estará centrado em dois grandes temas: “O impacto económico da indústria agroalimentar” e “Uma indústria para o futuro”.
118.000 a 120.000 postos de trabalho
Eduardo Diniz, diretor-geral do Gabinete de Políticas e Planeamento (GPP) do Ministério da Agricultura também intervém durante a manhã para dissertar sobre o impacto económico da indústria agroalimentar na economia nacional e ao nível das exportações.
Os dados divulgados pela FIPA revelam que a indústria agroalimentar e das bebidas é responsável por entre 118.000 a 120.000 postos de trabalho.
Muitos desses postos de trabalho são, aliás, altamente qualificados e as empresas estão a sentir dificuldade na contratação de mão-de-obra especializada em áreas tecnológicas, da investigação e da robotização, que são essenciais para uma “indústria de futuro”.
5.000 milhões de euros de VAB
Ainda assim, Jorge Henriques revelou à agência Lusa que, em 2025, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) da indústria agroalimentar e das bebidas terá atingido cerca de 4.870 milhões de euros e que esperam ultrapassar a barreira dos 5.000 milhões de euros de VAB até 2030, o que coloca este setor “numa posição importante e fundamental para a economia”.

Para alcançar estes desiderato, o presidente da Federação refere que é necessária uma “conjugação de fatores”, nomeadamente a “desburocratização” e a “simplificação”, a nível nacional, ou o “fim do conflito no Médio Oriente" e o desbloqueio do estreito de Ormuz, a nível internacional.
Para 2026, o presidente da FIPA volta a colocar a fasquia nos 10.000 milhões de euros, que já tinha sido definida antes da instabilidade geopolítica (guerra de tarifas com os Estados Unidos da América e o conflito no Médio Oriente) e mesmo antes da pandemia de covid-19.

Jorge Tomás Henriques diz que esse crescimento nas vendas para o exterior “vai permitir que o setor crie mais emprego e assegure aos consumidores o abastecimento agroalimentar”, referiu à agência Lusa o presidente da FIPA.
Os últimos números da AICEP revelam que o setor da alimentação e bebidas em Portugal representa cerca de 14% do valor acrescentado gerado pela indústria transformadora.
O seu desenvolvimento e o reforço da sua capacidade produtiva têm sido potenciados por um conjunto de associações setoriais. Entre elas, a PortugalFoods - Associação do Setor Agroalimentar Português e a FIPA - Federação das Indústrias Portuguesas Agro-alimentares.
A par destas organizações, um conjunto de centros de I&D e laboratórios colaborativos especializados - o Colab4Food e o SmartFarm Colab - são também responsáveis pelo desenvolvimento e transferência de conhecimento para o tecido empresarial neste setor.