Corredor Ibérico Hispanoluso une habitats e reforça a conservação entre Portugal e Espanha

Iniciativa conjunta de instituições portuguesas e espanholas está a recuperar áreas naturais, revitalizar ecossistemas mediterrânicos e a criar oportunidades de turismo sustentável em territórios transfronteiriços.

Portugal e Espanha vão unir esforços para restaurar o valor ecológico dos territórios do Oeste ibérico. Foto: Projeto Corredor Biológico Hispanoluso
Portugal e Espanha vão unir esforços para restaurar o valor ecológico dos territórios do Oeste ibérico. Foto: Projeto Corredor Biológico Hispanoluso

A natureza não conhece fronteiras e florestas, rios e vida selvagem percorrem territórios sem distinguir limites e bandeiras. Não faz, portanto, qualquer sentido dividir planícies, vales ou montanhas somente para construir redutos patrióticos.

As autoridades espanholas e portuguesas estão, por isso, concentradas em religar as geografias de ambos os países. Deixando para trás as divisões administrativas, instituições de um lado e do outro da fronteira estão a construir o Corredor Ibérico Hispanoluso para restaurar habitats que perderam as suas funções ecossistémicas.

Restauro ecológico em territórios transfronteiriços

O projeto, financiado pela União Europeia com cerca de 1,5 milhões de euros, abrange zonas de elevado valor ambiental. Do lado espanhol, inclui a Dehesa de Azaba, o Parque Natural de El Rebollar, na província de Salamanca, e a Serra da Gata na Extremadura. Do lado português, foram incluídos a Reserva Portuguesa de Faia Brava, o Tejo Internacional e a Serra de Malcata.

Estas áreas partilham características ecológicas que justificam uma intervenção conjunta, sobretudo após décadas de fragmentação que reduziram a vitalidade dos ecossistemas.

O trabalho de campo centra-se na recuperação de pastagens, bosques de carvalhos e matagais. A meta é restabelecer a conectividade entre paisagens distintas, reforçar a estrutura vegetal e melhorar as condições de vida da fauna silvestre.

A cegonha-preta está a ser monitorizada através de marcação por satélite para estudar as rotas migratórias transfronteiriças e salvaguardar as zonas de nidificação. Foto: Jorge Sierra/Projeto Corredor Biológico Hispanoluso
A cegonha-preta está a ser monitorizada através de marcação por satélite para estudar as rotas migratórias transfronteiriças e salvaguardar as zonas de nidificação. Foto: Jorge Sierra/Projeto Corredor Biológico Hispanoluso

A revitalização de áreas abandonadas e a promoção de produtos locais complementam esta estratégia, criando oportunidades económicas que valorizam o território.

A vida selvagem vigiada de perto

A monitorização de espécies é um dos pilares do corredor. A cegonha-preta, o lince-ibérico, várias aves necrófagas e o coelho-bravo são acompanhados de perto. O coelho-bravo, considerado espécie-chave no ecossistema mediterrânico, recebe especial atenção devido ao seu papel na cadeia alimentar. O reforço das suas populações contribui para a estabilidade de predadores emblemáticos, como o lince-ibérico.

A cegonha-preta é alvo de marcações por satélite que permitem estudar movimentos, territórios e rotas migratórias rumo a África. Estão ainda a ser criadas, em paralelo, plataformas de nidificação para aumentar o sucesso reprodutor.

As aves necrófagas, como o abutre-preto e o britango, beneficiam de ações de gestão alimentar e proteção de ninhos em reservas integradas, entre elas a Campanarios de Azaba e a Faia Brava.

A criação de pontos de água artificial, refúgios estruturais e a recuperação da paisagem agroflorestal tradicional reforçam a resiliência destes ecossistemas. Estas medidas procuram garantir a sobrevivência de espécies sensíveis e devolver equilíbrio a territórios que perderam continuidade natural.

Uma rota cénica para ligar natureza e comunidades

O projeto inclui ainda uma rota cénica que destaca locais de grande valor ambiental, como as Dehesas de Azaba e a Faia Brava. O percurso foi desenhado para aproximar visitantes da relação profunda entre biodiversidade e comunidades rurais.

Os trilhos conduzem a pontos estratégicos para observar espécies raras e vestígios da presença do lince-ibérico, além de atravessarem ecossistemas mediterrânicos preservados.

As reservas biológicas ligadas pelo corredor oferecem caminhos que unem áreas protegidas de referência, permitindo explorar paisagens que combinam montados de azinho e sobreiro com vales escarpados dos rios Douro e Águeda. Estas zonas integram hotspots globais de biodiversidade, reconhecidos pela riqueza de espécies e pela importância ecológica.

Caminhadas, nas quais os participantes poderão optar por explorar a natureza a pé, a cavalo ou de bicicleta, vão ser o ponto central do ecoturismo que Espanha e Portugal querem dinamizar. Foto: Projeto Corredor Biológico Hispanoluso
Caminhadas, nas quais os participantes poderão optar por explorar a natureza a pé, a cavalo ou de bicicleta, vão ser o ponto central do ecoturismo que Espanha e Portugal querem dinamizar. Foto: Projeto Corredor Biológico Hispanoluso

Organizações como a Fundação Natureza e Homem, a Associação Faia Brava, a Cova da Beira e a Deputação Provincial de Salamanca colaboram para consolidar esta rede transfronteiriça. A união de esforços pretende garantir que a conservação da natureza avance lado a lado com o desenvolvimento local, criando um corredor biológico que devolve continuidade à paisagem e novas oportunidades às populações.

Referência do artigo

Corredor Biológico Hispanoluso - https://corredorbiologico-hispanoluso.com/

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