Corredor Ibérico Hispanoluso une habitats e reforça a conservação entre Portugal e Espanha
Iniciativa conjunta de instituições portuguesas e espanholas está a recuperar áreas naturais, revitalizar ecossistemas mediterrânicos e a criar oportunidades de turismo sustentável em territórios transfronteiriços.

A natureza não conhece fronteiras e florestas, rios e vida selvagem percorrem territórios sem distinguir limites e bandeiras. Não faz, portanto, qualquer sentido dividir planícies, vales ou montanhas somente para construir redutos patrióticos.
As autoridades espanholas e portuguesas estão, por isso, concentradas em religar as geografias de ambos os países. Deixando para trás as divisões administrativas, instituições de um lado e do outro da fronteira estão a construir o Corredor Ibérico Hispanoluso para restaurar habitats que perderam as suas funções ecossistémicas.
Restauro ecológico em territórios transfronteiriços
O projeto, financiado pela União Europeia com cerca de 1,5 milhões de euros, abrange zonas de elevado valor ambiental. Do lado espanhol, inclui a Dehesa de Azaba, o Parque Natural de El Rebollar, na província de Salamanca, e a Serra da Gata na Extremadura. Do lado português, foram incluídos a Reserva Portuguesa de Faia Brava, o Tejo Internacional e a Serra de Malcata.
O trabalho de campo centra-se na recuperação de pastagens, bosques de carvalhos e matagais. A meta é restabelecer a conectividade entre paisagens distintas, reforçar a estrutura vegetal e melhorar as condições de vida da fauna silvestre.

A revitalização de áreas abandonadas e a promoção de produtos locais complementam esta estratégia, criando oportunidades económicas que valorizam o território.
A vida selvagem vigiada de perto
A monitorização de espécies é um dos pilares do corredor. A cegonha-preta, o lince-ibérico, várias aves necrófagas e o coelho-bravo são acompanhados de perto. O coelho-bravo, considerado espécie-chave no ecossistema mediterrânico, recebe especial atenção devido ao seu papel na cadeia alimentar. O reforço das suas populações contribui para a estabilidade de predadores emblemáticos, como o lince-ibérico.
A cegonha-preta é alvo de marcações por satélite que permitem estudar movimentos, territórios e rotas migratórias rumo a África. Estão ainda a ser criadas, em paralelo, plataformas de nidificação para aumentar o sucesso reprodutor.
A criação de pontos de água artificial, refúgios estruturais e a recuperação da paisagem agroflorestal tradicional reforçam a resiliência destes ecossistemas. Estas medidas procuram garantir a sobrevivência de espécies sensíveis e devolver equilíbrio a territórios que perderam continuidade natural.
Uma rota cénica para ligar natureza e comunidades
O projeto inclui ainda uma rota cénica que destaca locais de grande valor ambiental, como as Dehesas de Azaba e a Faia Brava. O percurso foi desenhado para aproximar visitantes da relação profunda entre biodiversidade e comunidades rurais.
As reservas biológicas ligadas pelo corredor oferecem caminhos que unem áreas protegidas de referência, permitindo explorar paisagens que combinam montados de azinho e sobreiro com vales escarpados dos rios Douro e Águeda. Estas zonas integram hotspots globais de biodiversidade, reconhecidos pela riqueza de espécies e pela importância ecológica.

Organizações como a Fundação Natureza e Homem, a Associação Faia Brava, a Cova da Beira e a Deputação Provincial de Salamanca colaboram para consolidar esta rede transfronteiriça. A união de esforços pretende garantir que a conservação da natureza avance lado a lado com o desenvolvimento local, criando um corredor biológico que devolve continuidade à paisagem e novas oportunidades às populações.
Referência do artigo
Corredor Biológico Hispanoluso - https://corredorbiologico-hispanoluso.com/
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