O lobo-ibérico só estará protegido quando houver cooperação entre Portugal e Espanha
Manifesto de especialistas apela ao reforço da proteção de espécie e à maior articulação entre os dois países para reverter o declínio da população lupina na Península Ibérica.

A viabilidade a longo prazo do lobo na Península Ibérica está comprometida e não poderá ser assegurada enquanto não houver uma forte cooperação entre Portugal e Espanha. O alerta é da Sociedade Ibérica para a Conservação e Estudo dos Mamíferos (SECEM), que lançou agora um manifesto pela defesa do lobo-ibérico (Canis lupus signatus).

Reunindo o consenso de ambientalistas, gestores, investigadores, técnicos, entre outros profissionais de diversas entidades espanholas e portuguesas, o documento da organização destaca a articulação entre os dois países como o caminho mais sustentável para preservar a continuidade da espécie.
População em declínio nos dois lados da fronteira
Os dados do mais recente censo nacional 2019-2021 mostram que, em Portugal, já houve uma redução de cerca de 20% na área de presença do lobo ibérico nas últimas duas décadas.
Em Espanha, a espécie foi recentemente avaliada com o estatuto de vulnerável na lista vermelha nacional e não é caso para menos. A população do lobo em território espanhol é atualmente inferior a mil animais adultos, essencialmente distribuídos no noroeste do país.
Recuos nas medidas de proteção
Em 2021, o lobo entrou na Lista de Espécies Silvestres e no Regime de Proteção Especial, tendo sido a sua caça proibida em toda a Espanha. A proteção, todavia, viria a ser revertida em 2025, especialmente motivada por preocupações sobre os impactos económicos no setor da pecuária.
Neste momento, a única salvaguarda é a legislação regional aplicada em algumas comunidades autónomas de Espanha, como Galiza, Astúrias ou Cantábria.
É preciso maior colaboração entre portugueses e espanhóis
Um dos maiores obstáculos à conservação do lobo é a falta de articulação entre Portugal e Espanha. Essa é, aliás, uma lacuna que pode comprometer seriamente a viabilidade futura da espécie.
A cooperação entre os dois países é, portanto, fundamental, tal como é também a manutenção do atual regime de proteção legal do lobo ibérico em Portugal, garantindo a sua coerência com o estado de conservação da população lupina da Península Ibérica
A importância de uma estratégia ibérica
No campo da cooperação transfronteiriça, em particular, a organização recomenda implementar uma estratégia ibérica conjunta entre Espanha e Portugal, de modo que a população ibérica possa ser gerida como uma única unidade e não de forma fragmentada.
A SECEM defende também a padronização da recolha de informação sobre os danos ao gado causados pelo lobo “mediante protocolos científicos homogéneos e a nível peninsular, garantindo que os dados sejam acessíveis para a investigação”.

De um lado e do outro da fronteira, a sociedade ibérica considera fundamental promover e apoiar medidas de prevenção proativas do gado face aos ataques de lobos e “agilizar os sistemas de compensação quando essas medidas tenham sido aplicadas, com o objetivo de reduzir o conflito e favorecer a tolerância em relação à espécie”.
Referência da notícia
Manifesto sobre a Preocupante Situação de Conservação do Lobo (Canis lupus) na Península Ibérica. Sociedade Ibérica para a Conservação e Estudo dos Mamíferos (SECEM)
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