Consumidores valorizam os alimentos que combinam benefícios para a saúde. Proteínas de origem vegetal estão em alta
A PortugalFoods, entidade gestora do cluster do setor agroalimentar português que agrega 200 associados - entre empresas, entidades do sistema científico nacional da fileira agroalimentar e outras -, apresentou no Porto 10 tendências alimentares para 2026.

As tendências do setor agroalimentar para 2026 evidenciam a “duradoura e crescente relevância das proteínas, em particular as de origem vegetal, e da saúde digestiva”.
Tudo isto acontece num contexto em que os consumidores valorizam cada vez mais uma “oferta que combine benefícios para a saúde, a indulgência, a sustentabilidade ambiental e a acessibilidade económica”.
Estas são as principais tendências apresentadas esta semana, no Porto, pela associação PortugalFoods e que refletem uma abordagem holística do consumo, em que estes fatores se articulam para responder às expectativas de um mercado global cada vez mais exigente e informado.

O consumo está cada vez mais associado à evolução tecnológica, à inteligência artificial e ao investimento na sustentabilidade.
Isto, ao mesmo tempo que se assiste a uma inflação de preços motivada por guerras, instabilidade geopolítica e por questões climáticas, que estão a mudar a forma como consumimos e a definir novos caminhos no setor agroalimentar.
Preço dos alimentos é uma preocupação
O preço dos produtos continua a ser uma preocupação para os consumidores, mas há outros fatores que assumem especial importância no momento da compra dos alimentos e bebidas.
Essa atitude permite-lhes “obter benefícios para o corpo e a mente, vivenciar experiências familiares e/ou inovadoras e que incluam conveniência e funcionalidade”.
Num mundo em constante mudança e cada vez mais global, “os consumidores procuram também identidade e autenticidade dos produtos, numa evocação à tradição e às origens”, diz a PortugalFoods.
Aliar saúde, sustentabilidade e prazer
“As tendências do setor agroalimentar para 2026 confirmam uma evolução clara nas preferências dos consumidores, que procuram cada vez mais produtos que combinem saúde, sustentabilidade e prazer, sem comprometer o valor económico”, refere Deolinda Silva, diretora executiva da Associação.
Enric Tardio, da Innova Market Insights, a consultora que anualmente monitoriza o comportamento do consumidor e o lançamento de novos produtos a nível global, diz que o estudo ‘Trends 2026’ evidencia uma “convergência clara entre inovação científica, expectativas do consumidor e responsabilidade sistémica”.

O mesmo especialista diz que “áreas como as proteínas alternativas, a saúde digestiva e alimentos funcionais deixam de ser nichos, para se tornarem motores centrais de crescimento”.
Internacionalização 2025-2030
Já outros fatores como o prazer, sustentabilidade e o preço passam a ser “avaliados de forma integrada nas decisões de compra a nível global”, refere Enric Tardio.
No evento da PortugalFoods realizado nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, no Porto, foi ainda apresentada a Estratégia de Internacionalização do Setor Agroalimentar 2025-2030, integrada no projeto Portugal Excecional 2030.
Esta ação traça um diagnóstico aprofundado do posicionamento de Portugal no comércio mundial e “evidencia um crescimento das exportações, que praticamente duplicaram na última década”, refere a PortugalFoods, que também realça a “especialização em produtos associados à qualidade e à diferenciação”.
O evento serviu ainda para destacar o trabalho desenvolvido pela PortugalFoods na promoção internacional da indústria agroalimentar nacional, no âmbito da Agenda Mobilizadora VIIAFOOD (Plataforma de Valorização, Industrialização e Inovação Comercial para o Agroalimentar), especialmente no Pilar 8 - Promoção e Internacionalização do Setor Agroalimentar. Foi dado destaque às ações realizadas no Japão e na Coreia do Sul.