Clima em Portugal continental em junho 2026: as conclusões da meteorologista Teresa Abrantes, com base em dados do IPMA
O mês de junho de 2026, em Portugal continental, classificou-se, do ponto de vista climatológico, como um mês muito quente em relação à temperatura do ar e muito seco em relação à precipitação.

Em junho, o estado do tempo em Portugal continental foi condicionado predominantemente pela ação de um Anticiclone estendendo-se em crista pelo Golfo da Biscaia. No entanto, em dois curtos períodos do mês houve a influência de um sistema frontal atingindo o continente, originando precipitação em geral fraca e de uma depressão a provocar aguaceiros por vezes fortes e acompanhados de trovoada.
Temperatura média muito acima dos valores normais para esta altura do ano
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, IPMA, em Portugal continental, no mês de junho, o valor médio da temperatura média do ar, 22,40 °C, foi 2,05 °C superior ao valor da normal 1991-2020.
O valor médio da temperatura máxima do ar, 29,35 °C, foi 2,65 °C acima do valor médio no período 1991-2020 e foi o 5ª valor mais alta para o mês de junho, desde 1931. No ano 2004 registou-se o junho mais quente no Continente, com 30,14 °C.
O valor médio da temperatura mínima do ar, 15,46 °C, registou uma anomalia de 1,45°C superior ao valor normal, sendo o 4º valor mais alto desde 1931. O valor mais alto, 16.36 °C, registou.se em 2004.
O maior valor da temperatura máxima do ar em junho foi 42.7 °C, que se registou em Pinhão, no dia 21 e o menor valor da temperatura mínima do ar, 2.2 °C, ocorreu em Lamas de Mouro, no dia 5 e o valor mais elevado da temperatura mínima, 25.8 °C, ocorreu no dia 23 na estação de Vinhais.

Ao longo do mês os valores diários da temperatura média do ar foram superiores ao valor normal 1991-2020, em grande parte dos concelhos, com destaque para a região interior Norte e Centro.
Em relação aos valores médios de temperatura máxima do ar, superiores ao normal em grande parte concelhos, as anomalias atingiram valores superiores a 4.0 °C (+6.3 °C no concelho da Covilhã) no interior Norte e Centro, onde também os valores médios da temperatura mínima atingiram anomalias positivas e valores próximos da normal nas restantes regiões.
No início do mês, entre os dias 2 e 9 tivemos um período frio, seguido de um período quente nos restantes dias do mês, com duas ondas de calor.
A segunda onda de calor, a ser registada em 32 estações meteorológicas, abrangendo quase todo o continente, estendeu-se até ao início do mês de julho.
Nos dias 22 e 23 registaram-se noites tropicais (temperatura mínima ≥ 20 °C) em 40% das estações meteorológicas do IPMA, enquanto que, nos dias 12 e 21 ocorreram em 20% das estações.
Dias extremamente quentes (temperatura máxima ≥ 40 °C) registaram-se no dia 21 de junho em 5 estações e no dia 30 em 4 estações.
A precipitação em junho foi muito inferior ao valor normal
Ainda de acordo com o IPMA, o mês de junho de 2026 registou um total de precipitação mensal de 6,9 mm, com uma anomalia de -14.4 mm, muito inferior ao valor médio 1991-2020, sendo o 14º mais seco deste 1931 e o 7º mais seco desde 2000.

Ao longo do mês não se verificou precipitação significativa, exceto nalguns locais da região nordeste, nos dias 13 e 14 de junho, e na região oeste, no dia 25.
O maior valor da quantidade de precipitação em 24 h foi de 33,0 mm e registou-se em Mirandela, no dia 14. No concelho de Trancoso verificou-se o valor mais elevado de percentagem de precipitação em relação ao valor médio, 143%.
Monitorização da Seca – Índice PDSI
O valor da quantidade de precipitação até 30 de setembro acumulada no ano hidrológico 2025/2026 (1 de outubro de 2025 a 30 setembro de 2026), foi de 1047.1 mm, corresponde a 139% do valor normal 1991-2020.
Em junho, a região Norte registou um total mensal de cerca de 40% em relação ao valor médio, enquanto a região Sul registou apenas 22%. O mês de junho é o 4º mês consecutivo com totais mensais acumulados inferiores ao normal.
A 30 de junho verificou-se uma nova diminuição dos valores de água no solo, como consequência de um mês de junho muito seco e muito quente.
A distribuição percentual por classes do índice PDSI no território continental, no final de junho é a seguinte: 36.2% na classe normal; 61.1% na classe de seca fraca e 2.7% na classe de seca moderada.