Ciclone Fabien, um evento incomum nesta altura do ano na região equatorial

Nesta altura do ano, a formação de um ciclone em latitudes tão a Sul está a deixar a comunidade científica espantada. Mas afinal, porque está a acontecer isto e quais são os impactes que pode ter?

Efeitos da passagem de um ciclone.
A passagem de um ciclone tropical, por áreas tradicionalmente vulneráveis tem sempre um potencial destrutivo.

O recém-nomeado ciclone tropical Fabien é um exemplo pouco comum deste tipo de fenómenos, nesta altura do ano, tão perto da linha do Equador. Apesar de estar apenas 4° a Sul da referida linha, no Índico central, é o equivalente, em ternos de intensidade, a ter um grande furacão, no início de dezembro, no Oceano Atlântico.

O mais surpreendente é que este ciclone tropical pode vir a ter a força equivalente a um grande furacão, nos próximos dias. Este fenómeno iniciou-se, segundos os dados do nosso portal, no passado dia 12 de maio, sexta-feira, como depressão tropical, com ventos sustentados de apenas 28 km/h, a Oeste de Padang, na Ilha indonésia de Sumatra.

As tempestades que se têm formado no Índico Sul (...) têm a particularidade de afetar regiões muito mais a Sul, em relação ao Equador.

Apenas 24 horas volvidas, já no dia 13, o Fabien, na sua trajetória Este-Oeste, passou de depressão tropical a tempestade tropical, já que a velocidade dos ventos máximos sustentados superou os 56 km/h. No passado domingo, por volta das 13:00 locais, a tempestade tropical transformou-se em ciclone tropical com força equivalente à categoria 1. Entre esta hora e as 19:00, os ventos máximos sustentados passaram de 93 km/h para 111 km/h.

Por incrível que pareça, a fúria do Fabien não acabou por aqui. Na manhã da última segunda-feira subiu à categoria 2, com vento máximo sustentado na casa dos 139 km/h. No espaço de uma manhã ascendeu à categoria 3 onde a velocidade do vento já superava os 157 km/h. Na terça-feira manteve-se o padrão de intensificação já que o vento sustentado estava entre os 167 km/h e os 185 km/h, com rajadas que variavam entre os 204 km/h e os 231 km/h.

O futuro e os impactes do Fabien

Segundo a previsão do nosso portal, este evento estará na sua força máxima durante o dia de hoje, quarta-feira, quando o vento máximo sustentado estiver próximo dos 213 km/h, com rajadas que podem chegar aos 259 km/h. A partir deste dia e até ao fim da semana o Fabien perderá força no decorrer da sua trajetória Este-Oeste.

Sem previsão de vir a afetar áreas densamente povoadas, estima-se que os territórios mais afetados por chuvas e ventos fortes, bem como por marés de tempestade, seja o Território Britânico do Oceano Índico, um território insular ultramarino de pequenas dimensões (cerca de 60 km2) que é habitado por entre 2500 a 4000 pessoas, maioritariamente ligadas aos militares, tanto britânicos como norte americanos.

A capital deste território, Diego Garcia, que é também o nome da maior ilha, foi assim nomeada por ter sido descoberta por portugueses, no séc. XVI. Prevê-se que, no próximo fim de semana, entre sábado e domingo, este evento já se tenha extinguido algures no meio do Oceano Índico, a Norte das Ilhas Maurícias, a Nordeste de Madagáscar e a Este do continente africano.

Imagem de Satélite.
Imagem de satélite onde se pode ver o Ciclone Tropical Fabien, no meio do Oceano Índico.

As tempestades que se têm formado no Índico Sul, como foi o caso da Freddy que afetou Moçambique por duas vezes, têm a particularidade de afetar regiões muito mais a Sul, em relação ao Equador. As razões para esta ocorrência estão a ser estudadas pelos meteorologistas, que continuam espantados por um fenómeno desta intensidade estar a ocorrer numa localização invulgar quando já está iminente o fim da temporada de ciclones no Índico Sul e Sudoeste.