Revolução verde à base de carvão: o lado oculto da supremacia fotovoltaica chinesa
Transição em megaescala: o paradoxo, os desafios e conquistas do boom solar chinês. Saiba mais aqui!

A China apresenta avanços avassaladores no setor de energia solar, destacando tanto conquistas estatísticas históricas quanto paradoxos ambientais decorrentes do seu modelo industrial centralizado.
Com essa expansão, a capacidade fotovoltaica acumulada da China atingiu a marca impressionante de 1,20 TW, representando um aumento de 35,4% em relação ao ano anterior.
O marco histórico chinês
Esse crescimento impulsionou uma estrutura histórica na matriz de produção elétrica do país. Pela primeira vez, a capacidade instalada de fontes não fósseis (incluindo solar, eólica, hidroelétrica e nuclear) superou a produção térmica convencional (carvão e gás), alcançando 60,4% do total nacional, contra 39,6% da térmica.
Por outro lado, coloca-se em perspetiva a magnitude e a velocidade dessa transição, traçando um paralelo histórico impactante: a China conectou à sua rede elétrica mais capacidade solar num único ano do que os Estados Unidos implementaram em toda a história da sua transição fotovoltaica.

Longe de ser o auge, esse marco provou ser apenas o ponto intermédio de uma aceleração contínua que culminou nos números ainda maiores registados posteriormente.
A contradição e o paradoxo da energia
No entanto, enfatiza-se uma contradição fundamental: o "boom" solar chinês é fortemente alimentado por combustíveis fósseis. A esmagadora maioria dos painéis solares que abastecem o mundo é fabricada em indústrias chinesas que dependem de eletricidade gerada por centrais a carvão.
Embora o cálculo do ciclo de vida dos painéis permaneça positivo, isto é, geram muito mais energia limpa e evitam mais emissões ao longo de décadas de operação do que o carbono consumido no seu fabrico, a forte dependência do carvão na produção altera a pegada ecológica inicial desses dispositivos e atrasa o tempo de retorno de carbono positivo.
Em suma, a China consolidou uma dominância global incontestável na cadeia de abastecimento e na instalação de energia solar graças à força da governação estatal. Contudo, o caminho para a descarbonização global via tecnologia chinesa revela uma simbiose complexa e irónica com o próprio carvão que o planeta tenta erradicar.
Referência da notícia:
https://www.pv-magazine.com/2026/01/28/china-adds-315-gw-of-solar-in-2025/
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