Cheias no Mondego: Ministro da Agricultura visita obras em curso nas bacias do rio Mondego e do rio Lis
O ministro da Agricultura e Mar visita amanhã, 24 de fevereiro, as obras de reparação nas bacias do rio Mondego e do rio Lis. O encontro será acompanhado pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pelos presidentes dos municípios das zonas envolvidas.

O Conselho de Ministros da Agricultura e Pescas dos 27 (Agrifish) reuniu nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, em Bruxelas e, no topo da agenda, estiveram as recomendações nacionais relativas à Política Agrícola Comum (PAC), que visam orientar os Estados-membros na execução da Política Agrícola Comum (PAC) pós-2027.
José Manuel Fernandes, o ministro português da Agricultura, aproveitou a deslocação para introduzir a discussão sobre os resseguros agrícolas e sobre a necessidade de, no âmbito do Banco Europeu de Investimento, se criar um mecanismo europeu de resseguro agrícola para situações de calamidade como a que se viveram em Portugal nas últimas semanas.
Com prejuízos estimados em cerca de 500 milhões de euros na agricultura e de 275 milhões de euros na floresta e com os agricultores do Baixo Mondego já a começar os trabalhos de recuperação dos campos agrícolas, o ministro da Agricultura vem de Bruxelas e desloca-se amanhã, terça-feira, para Coimbra.
De acordo com o Ministério, ao início da tarde José Manuel Fernandes vai visitar a intervenção de reparação, que está em curso, da rutura no dique da margem direita do rio Mondego, em Casais, próximo do viaduto da A1.

A meio da tarde, o governante vai visitar a intervenção de reparação, que também já está em curso, da rutura no dique da margem esquerda do rio Lis, junto à saída da A17. E fará ainda uma visita à rutura do coletor de Monte Redondo, assim como à Estação Elevatória do Boco, pela estrada que vai da EN109 à Vieira de Leiria.
Desempenho das barragens em debate
As visitas do ministro da Agricultura serão acompanhadas pelo presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, José Pimenta Machado, e pelos presidentes dos municípios das zonas envolvidas.
O evento é organizado por este especialista em Hidráulica, do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências de Coimbra, durante o qual serão abordadas questões como o desempenho das barragens da Aguieira, da Raiva e de Fronhas na atenuação dos caudais de cheia.

Também será discutida a possibilidade de otimizar os regimes de exploração destas barragens para reforçar a proteção das populações e das áreas urbanas, bem como a resistência dos diques do Mondego face aos caudais previstos em projeto.
Barragem de Girabolhos vai arrancar
No debate em que vai participar Fernando Seabra Santos serão igualmente discutidas as inundações no Parque Verde do Mondego e no Choupalinho, refletindo-se sobre a compatibilização de espaços de lazer implantados em leito de cheia com a dinâmica natural do rio e sobre eventuais soluções para minimizar impactos futuros.
A palestra abordará ainda a pertinência de novas soluções estruturais, como a barragem de Girabolhos, e a eventual necessidade de reavaliar a estratégia global de intervenção na bacia do Mondego.
Recorde-se que o projeto da barragem de Girabolhos, que era um de 10 novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, aprovado em dezembro de 2007, abrange territórios de vários concelhos: Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.
A construção desta obra foi adjudicada à Endesa, mas foi cancelada em 2016.
Já a associação ambientalista Zero considera que a intenção anunciada pelo Ministério do Ambiente e Energia de lançar o concurso para a construção da Barragem de Girabolhos até ao final de março é “precipitada, inadequada ao contexto atual e desprovida de uma avaliação técnica integrada que sustente a sua urgência ou eficácia”.
De acordo com a Zero, a utilização dos recentes episódios de cheias na bacia do Mondego como justificação para uma decisão estrutural com o impacto que terá a construção desta barragem revela “uma abordagem reativa e não estratégica para a gestão dos riscos”.
Mais, para a associação ambientalista esta decisão mostra até “algum aproveitamento político da situação”, para convencer a opinião pública da necessidade de fazer avançar a agenda “barragista”.