Nunca houve tanta energia produzida nas barragens portuguesas como em 2025

A eletricidade hídrica atingiu máximos históricos no ano passado. As fotovoltaicas tiveram igualmente desempenhos recordes e há cada vez mais empresas e particulares a produzir a sua própria energia renovável.

A água das barragens é a principal fonte de energia renovável em Portugal. Foto: Barragem de Fronhas, em Arganil/reprodução de Facebook/Nuno Martins/Barragens e Albufeiras de Portugal
A água das barragens é a principal fonte de energia renovável em Portugal. Foto: Barragem de Fronhas, em Arganil/reprodução de Facebook/Nuno Martins/Barragens e Albufeiras de Portugal

As barragens em Portugal, quase todas no seu limite, têm estado no centro das atenções durante todo este inverno. Mas o certo é que, também em 2025, os níveis das albufeiras estiveram sistematicamente acima da média. Não é surpreendente tendo em conta que foi o segundo ano mais chuvoso desde 2000, de acordo com os dados do IPMA.

Em 2025, a A bacia hidrográfica do rio Douro foi responsável por 58% da produção hídrica. Gráfico: DGEC
Em 2025, a A bacia hidrográfica do rio Douro foi responsável por 58% da produção hídrica. Gráfico: DGEC

Essa abundância de água refletiu-se diretamente na energia gerada pelas centrais hidroelétricas. Nunca as albufeiras portuguesas produziram tanta eletricidade como em 2025. A captura de energia hídrica por parte das barragens atingiu um novo máximo, a par da energia solar – ambas com recordes de capacidade instalada.

A capacidade instalada de energia é a potência máxima teórica que uma central elétrica ou um sistema pode gerar, medida em megawatts (MW) ou gigawatts (GW).

Os dados constam do balanço anual da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que apresenta, ainda, outro resultado histórico ao concluir que a energia solar fotovoltaica já ultrapassou a potência da eólica.

Água é a principal fonte de energia limpa

Mas foi a água que, no ano passado, se tornou a principal fonte de energia renovável em Portugal, gerando 18.865 GWh, seguida da eólica com 13.800 GWh e da solar fotovoltaica com 8.730 GWh.

Quatro meses foram decisivos para o desempenho recorde das barragens – em fevereiro, março e abril, as centrais hidroelétricas ultrapassaram os 2,00 GWh, segundo os dados da DGEC.

A bacia hidrográfica do Douro é, de longe, aquela que registou a potência mais elevada (4,1 gigawatts) e a maior produção (10,8 mil GWh). Seguiu-se o Cávado (2,9 mil GWh) e o Tejo, com 1,9 mil GWh.

Produção recorde de energia solar

A água das albufeiras forneceu a maior parte da nossa energia, mas o sol não ficou muito atrás. As centrais fotovoltaicas registaram também uma produção recorde de 8.732 GWh e ainda um novo máximo na capacidade instalada - 6.816 MW.

Desse total, aliás, 3.700 MW correspondem a centrais convencionais, sobretudo unidades de produção para autoconsumo, que escalaram de 43 MW, em 2016, para 2.400 MW, em 2025.

Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC) são sistemas solares fotovoltaicos que permitem aos particulares e às empresas produzirem a sua própria energia renovável, reduzindo o consumo da rede elétrica.

Maio, junho, julho e agosto, cada um com valores acima dos 1000 GWh, foram os meses que mais contribuíram para a eficiência energética das centrais solares fotovoltaicas.

Alentejo foi a região mais produtiva, com mais de 3 mil GWh, seguida da região Centro, com 2,3 mil GWh, e do Norte, com 1,3 mil GWh.

Ventos com recuos ligeiros

Mas nem todos os ventos correram de feição para a energia eólica, que recuou para os 13.800 MW face a 2024. Em contrapartida, a potência instalada aumentou em 5 MW, totalizando 5.965 MW, o que representa um salto significativo, considerando que, em 1998, a potência instalada de eólica não ia além de 45 MW.

O Centro é responsável por 50% da produção eólica nacional. Se a região Norte for acrescentada, este peso sobe para 88%. Imagem: Parque eólico da Serra da Lousã/Correia PM/ domínio público, via Wikimedia Commons
O Centro é responsável por 50% da produção eólica nacional. Se a região Norte for acrescentada, este peso sobe para 88%. Imagem: Parque eólico da Serra da Lousã/Correia PM/ domínio público, via Wikimedia Commons

O Centro foi a região onde mais eletricidade eólica foi produzida, com quase 7 mil GWh. O Norte obteve o segundo melhor desempenho (2,3 mil GWh), enquanto o Algarve e o Alentejo ficaram ligeiramente acima de 2000 GWh.

O peso das fontes renováveis

No final de 2025, a potência renovável em Portugal atingiu quase 22 gigawatts. Os autores do relatório da DGEC concluem que a produção de energias renováveis cresceu 2 pontos face a 2024 para mais de 45 mil GWh, com a hídrica a subir 1,5 ponto.

As renováveis, no seu conjunto, pesaram 66% no mix energético total, com mais de 70% da produção a pertencer às tecnologias eólica e hídrica.

Referência da notícia

Estatísticas Rápidas das Renováveis - DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia