Nunca houve tanta energia produzida nas barragens portuguesas como em 2025
A eletricidade hídrica atingiu máximos históricos no ano passado. As fotovoltaicas tiveram igualmente desempenhos recordes e há cada vez mais empresas e particulares a produzir a sua própria energia renovável.

As barragens em Portugal, quase todas no seu limite, têm estado no centro das atenções durante todo este inverno. Mas o certo é que, também em 2025, os níveis das albufeiras estiveram sistematicamente acima da média. Não é surpreendente tendo em conta que foi o segundo ano mais chuvoso desde 2000, de acordo com os dados do IPMA.

Essa abundância de água refletiu-se diretamente na energia gerada pelas centrais hidroelétricas. Nunca as albufeiras portuguesas produziram tanta eletricidade como em 2025. A captura de energia hídrica por parte das barragens atingiu um novo máximo, a par da energia solar – ambas com recordes de capacidade instalada.
Os dados constam do balanço anual da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), que apresenta, ainda, outro resultado histórico ao concluir que a energia solar fotovoltaica já ultrapassou a potência da eólica.
Água é a principal fonte de energia limpa
Mas foi a água que, no ano passado, se tornou a principal fonte de energia renovável em Portugal, gerando 18.865 GWh, seguida da eólica com 13.800 GWh e da solar fotovoltaica com 8.730 GWh.
A bacia hidrográfica do Douro é, de longe, aquela que registou a potência mais elevada (4,1 gigawatts) e a maior produção (10,8 mil GWh). Seguiu-se o Cávado (2,9 mil GWh) e o Tejo, com 1,9 mil GWh.
Produção recorde de energia solar
A água das albufeiras forneceu a maior parte da nossa energia, mas o sol não ficou muito atrás. As centrais fotovoltaicas registaram também uma produção recorde de 8.732 GWh e ainda um novo máximo na capacidade instalada - 6.816 MW.
Desse total, aliás, 3.700 MW correspondem a centrais convencionais, sobretudo unidades de produção para autoconsumo, que escalaram de 43 MW, em 2016, para 2.400 MW, em 2025.
Maio, junho, julho e agosto, cada um com valores acima dos 1000 GWh, foram os meses que mais contribuíram para a eficiência energética das centrais solares fotovoltaicas.
Alentejo foi a região mais produtiva, com mais de 3 mil GWh, seguida da região Centro, com 2,3 mil GWh, e do Norte, com 1,3 mil GWh.
Ventos com recuos ligeiros
Mas nem todos os ventos correram de feição para a energia eólica, que recuou para os 13.800 MW face a 2024. Em contrapartida, a potência instalada aumentou em 5 MW, totalizando 5.965 MW, o que representa um salto significativo, considerando que, em 1998, a potência instalada de eólica não ia além de 45 MW.

O Centro foi a região onde mais eletricidade eólica foi produzida, com quase 7 mil GWh. O Norte obteve o segundo melhor desempenho (2,3 mil GWh), enquanto o Algarve e o Alentejo ficaram ligeiramente acima de 2000 GWh.
O peso das fontes renováveis
No final de 2025, a potência renovável em Portugal atingiu quase 22 gigawatts. Os autores do relatório da DGEC concluem que a produção de energias renováveis cresceu 2 pontos face a 2024 para mais de 45 mil GWh, com a hídrica a subir 1,5 ponto.
As renováveis, no seu conjunto, pesaram 66% no mix energético total, com mais de 70% da produção a pertencer às tecnologias eólica e hídrica.
Referência da notícia
Estatísticas Rápidas das Renováveis - DGEG – Direção Geral de Energia e Geologia