Cereais estão a diminuir em Alqueva. Área de culturas permanentes - olival e amendoal - mais do que duplicou desde 2017

Anuário Agrícola de Alqueva publicado pela EDIA revela que a plantação de culturas permanentes passou de 42 mil hectares para 98 mil, entre 2017 e 2025. As culturas anuais - milho, trigo duro, hortícolas e leguminosas - estão a diminuir.

Segundo o Anuário Agrícola de Alqueva 2025, a área de culturas permanentes passou de 42 mil para 98 mil hectares, entre 2017 e 2025.
Segundo o Anuário Agrícola de Alqueva 2025, a área de culturas permanentes passou de 42 mil para 98 mil hectares, entre 2017 e 2025.

Publicado anualmente pela EDIA, o Anuário Agrícola de Alqueva é um instrumento importante, que sistematiza dados sobre as diferentes culturas e variedades com elevado potencial agrícola na área irrigada pela barragem de Alqueva.

Ao mesmo tempo, o documento analisa os seus dados económicos e as tendências dos mercados nacionais e internacionais, por forma a fornecer aos agricultores da área de influência de Alqueva, assim como aos potenciais investidores interessados, informações que possam ajudar no desenvolvimento dos seus projetos.

A primeira fase do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), que abrange cerca de 120 mil hectares de regadio, foi concluída em 2016.

A EDIA diz que, desde 2008, a adesão a este projeto “tem vindo a aumentar de forma sustentada, culminando numa operação plena e eficiente”, atingindo o que se pode designar como “velocidade de cruzeiro”.

Expansão de 30 mil hectares de regadio

A segunda fase do EFMA, que está atualmente em curso, prevê a expansão da área de regadio em cerca de 30 mil hectares, dos quais cerca de 10 mil já se encontram em exploração.

Nos 130 mil hectares regados pelo Alqueva, o olival e o amendoal continuam a ser as culturas dominantes, ainda que o amendoal tenha diminuído ligeiramente face a 2024.
Nos 130 mil hectares regados pelo Alqueva, o olival e o amendoal continuam a ser as culturas dominantes, ainda que o amendoal tenha diminuído ligeiramente face a 2024.

O EFMA é considerado um projeto estratégico e transformador para a região. Localizado no coração do Alentejo, abrange uma área de influência direta que se estende por 20 concelhos dos distritos de Beja, Évora, Setúbal e Portalegre, exercendo um impacto significativo no desenvolvimento económico e social destes territórios.

Entre os impactos macroeconómicos mais relevantes, esta infraestrutura já deu um contributo acumulado para a produção nacional no valor de 27 mil milhões de euros (0,3% da média anual), gerando um valor acrescentado bruto (VAB) de 12 mil milhões de euros.

A receita fiscal angariada pelo EFMA ascende aos três mil milhões de euros, sendo responsável pela criação de 22.569 empregos (0,5% nacional) e com efeitos catalisadores principalmente na agricultura e agroindústria.

Só nas exportações, Alqueva contribuiu com mais de 200 milhões de euros em 2023 para as exportações líquidas, fortalecendo a balança comercial.

O investimento líquido do Estado em Alqueva no período entre 1995–2023 foi de 2,5 mil milhões de euros, mas a receita fiscal acumulada face ao investimento realizado excedeu 400 milhões de euros.

A EDIA revela que, no perímetro de rega de Alqueva, estão em desenvolvimento projetos de outras culturas como a do pistacho, dióspiro, cânhamo, batata e manjericão, entre outros.
A EDIA revela que, no perímetro de rega de Alqueva, estão em desenvolvimento projetos de outras culturas como a do pistacho, dióspiro, cânhamo, batata e manjericão, entre outros.

De acordo com o Anuário Agrícola de Alqueva de 2025 divulgado pela EDIA, o retorno fiscal desta infraestrutura é de 1,2 euros por cada euro investido, recuperando o investimento realizado em mais de 30 anos.

Cereais a regredir em Alqueva

Em termos de culturas instaladas no perímetro de rega do Alqueva, as culturas permanentes, em especial o olival, estão em pleno crescimento. Já a área das culturas anuais, como a os cereais, tem diminuído, revela o anuário agrícola de 2025 do empreendimento alentejano.

Segundo o Anuário Agrícola de Alqueva 2025, divulgado esta semana pela EDIA, empresa gestora do projeto, a área de culturas permanentes passou de 42 mil para 98 mil hectares, entre 2017 e o ano passado.

Já a área ocupada com as culturas anuais, nomeadamente milho, trigo duro, hortícolas e leguminosas, tem tido um decréscimo, que a EDIA diz ser “mais evidente a partir de 2023”.

Pistacho, dióspiro e cânhamo em prospeção

Os dados agora divulgados revelam que se passou de cerca de 20 mil hectares ocupados com culturas anuais em 2017 para, aproximadamente, 15 mil hectares em 2025.

Uma alteração de paradigma que se justifica pelas vantagens da disponibilização de água para regadio e, também, da “estabilidade económica” gerada pelas culturas permanentes, em especial o olival, que apresentam “maior rentabilidade a longo prazo e menor volatilidade de preços”.

E não há dúvidas: nos 130 mil hectares regados pelo Alqueva, o olival e o amendoal continuam a ser as culturas dominantes, ainda que o amendoal tenha diminuído ligeiramente face a 2024.

No ano passado, face ao período homólogo, a área do olival aumentou de 74.059 para 76.728 hectares, enquanto a de amendoal passou de 23.653 hectares para 22.728 hectares. Uma alteração que advém dos preços verificados no mercado mundial do azeite e das amêndoas, revela o anuário da EDIA.

Em 2024, foram inscritos 350 hectares de culturas intercalares na área do EFMA, o que, para a EDIA, demonstra o compromisso com “a sustentabilidade ambiental, a segurança alimentar e o desenvolvimento rural”.

E há outras cultura em desenvolvimento. A EDIA revela que há projetos em andamento ligados à produção do pistacho, dióspiro, cânhamo, batata e manjericão, entre outros.