Barragens em Portugal: Níveis de armazenamento de água em agosto dão alguns sinais de alívio

Portugal enfrenta desafios na gestão da água à medida que a crise hidrológica se agrava em algumas regiões, como no Alentejo e no Algarve. Apesar de melhorias recentes no armazenamento de água, o governo está a implementar algumas medidas estruturais.

estado das barragens
A situação das barragens parece apresentar algumas evidências de melhoria, embora a situação no sul do país se mantenha preocupante.


Com o verão a acabar e a promessa de alguns dias de chuva, a situação das barragens em Portugal Continental está a dar sinais de melhoria. Os dados recentes do Sistema Nacional de Informação dos Recursos Hídricos (SNIRH) mostram que, embora tenha havido oscilações, agosto deste ano foi mais generoso em termos de água do que o mesmo período do ano passado.

Uma análise dos níveis de armazenamento de água revela um comportamento positivo comparativamente a outros anos

No mês de agosto de 2023, a quantidade de água armazenada ficou abaixo da média em seis das bacias hidrográficas, mas em nove delas, o volume de água superou a média de agosto. Destacam-se as bacias do Lima (88,7%), Douro (88,7%), Cávado (78,9%) e Ave (77,4%), que registaram os níveis de armazenamento mais elevados no final de agosto.

A 28 de agosto de 2023, em comparação com o boletim anterior de 21 de agosto de 2023, verificou-se uma diminuição do volume armazenado em 15 bacias hidrográficas. Das albufeiras monitorizadas, 34% têm disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 23% têm disponibilidades inferiores a 40% do volume total. 6 das principais bacias registaram valores inferiores relativamente à média para o período entre 1990/1991 a 2021/22.

Surpreendentemente, os níveis de armazenamento no início da quarta semana de agosto de 2023, por bacia hidrográfica, superam as médias de armazenamento do mês de agosto no período de 1990/91 a 2021/22, com exceção das bacias do Vouga, do Sado, de Mira, do Arade, das Ribeiras do Barlavento e das Ribeiras do Sotavento. Em resumo, Portugal enfrenta uma situação de armazenamento de água melhor do que em anos anteriores, mas ainda existem áreas de preocupação.

Barragens no Alentejo e Algarve mantêm-se em situação crítica

É um facto que a crise hidrológica continua a pautar-se pelo agravamento do volume de armazenamento em algumas regiões do sul do país. No caso da bacia hidrográfica do Barlavento algarvio, nesta altura regista apenas 8,7% da sua capacidade total, o que é extremamente preocupante. Para o efeito, a reposição dos níveis das albufeiras e das águas subterrâneas tem sido dificultada pelos ciclos prolongados de seca na região sul de Portugal Continental.

Em inícios de setembro, a Região Sul apresenta baixos valores de volume de água armazenado. Fonte: adaptado do Relatório do SNIRH, de 28 de agosto de 2023.

Nas albufeiras, cuja monitorização é feita pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a capacidade total atualmente situa-se nos 71% nesta semana, constituindo-se um decréscimo de 0,99% face à semana anterior que medeia entre 21 e 28 de agosto.

Governo português adota medidas para enfrentar a crise hidrológica

Para lidar com esta situação crítica, o Governo está a tomar algumas medidas estruturais relevantes, sendo uma delas a de reforço da barragem de Odelouca, no Algarve, onde se prevê o aumento da capacidade em 25 hm³ para enfrentar a discrepância entre a capacidade existente e a água disponível. Esta obra, cujo custo final se estima em 5 milhões de euros, é financiada pelo Fundo Ambiental, e pese embora o seu custo inicial, os efeitos só serão visíveis daqui a 2 anos. Neste quadro de gestão de água, é expectável também o aumento da monitorização das captações de água para reforçar a vigilância perante a utilização indevida dos furos de água.

No que concerne ao consumo de água em contexto urbano, Duarte Cordeiro refere, em declaração ao Capital Verde, que o consumo se mantém em linha com anos anteriores, mantendo-se a necessidade de reforçar as campanhas de sensibilização e a adoção de medidas mais eficazes e eficientes em determinados setores de atividades.

“Seria desejável uma redução no consumo de água no setor de serviços de hotelaria", admitiu o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro.

Embora existam melhorias no panorama hídrico em algumas regiões de Portugal Continental, é evidente que a gestão responsável da água e a implementação de medidas para a conservação deste recurso precioso continuam a ser cruciais para enfrentar os desafios de uma crise hidrológica em curso.

Não obstante, os próximos dias parecem dar algumas tréguas e sinais de que possam advir dias melhores para a gestão dos nossos recursos hídricos, já que se espera a ocorrência de precipitação em todo o país, naquela se constitui a primeira semana do outono climatológico.