Balanço climatológico do IPMA coloca este inverno entre os mais chuvosos desde o ano 2000

A precipitação, entre janeiro e novembro, atingiu mais de 300% do que a média no Alentejo Litoral, Viana do Castelo e Castelo Branco.

Este ano hidrológico, em Portugal continental, já é um dos mais chuvosos dos últimos 25 anos. Foto: Adobe Stock
Este ano hidrológico, em Portugal continental, já é um dos mais chuvosos dos últimos 25 anos. Foto: Adobe Stock

Este inverno em Portugal continental, especialmente janeiro, já é considerado um dos mais chuvosos dos últimos 25 anos. O atual ano hidrológico é o segundo mais elevado desde 2000, com precipitação entre 1,5 e duas vezes acima do normal em grande parte das bacias hidrográficas.

O mais recente Boletim Climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) revela que, em algumas regiões do país, como Alentejo Litoral, Viana do Castelo e Castelo Branco, a chuva, entre novembro e janeiro atingiu mais de 300% do que o normal.

O trimestre novembro-janeiro foi o sétimo mais chuvoso desde 1931 e o segundo mais elevado desde 2000, com precipitação acumulada acima da média em todo o território. Imagem: IPMA
O trimestre novembro-janeiro foi o sétimo mais chuvoso desde 1931 e o segundo mais elevado desde 2000, com precipitação acumulada acima da média em todo o território. Imagem: IPMA

A precipitação ocorrida entre novembro e janeiro colocou este trimestre como o sétimo mais chuvoso desde 1931. Em janeiro, o valor total atingiu 233,4 mm (litros por metro quadrado), ou seja, “cerca de duas vezes a média registada no período 1991-2020 (105 mm)”.

Um milímetro de precipitação significa que, numa área de um metro quadrado, caiu uma lâmina de água da chuva com um milímetro de altura. A quantidade equivale ao volume de um litro de água distribuído por esse metro quadrado.

O mês passado foi, sem sombra de dúvida, um dos mais chuvosos, posicionando-se como o 14.º janeiro com maior precipitação.

Chuva intensa e persistente

O balanço do IPMA inclui ainda a análise da precipitação em janeiro nas estações meteorológicas que, em todos os casos, registaram valores superiores ao normal. Em grande parte do país, os níveis variaram entre 150% e 300% da média.

Em 78% das estações analisadas, o total foi igual ou superior a duas vezes o valor médio. Os resultados mensais, em 40% dos locais observados, oscilaram entre 2,5 e 3,5 vezes o valor médio.

Em janeiro, o valor total da precipitação atingiu 233,4 mm, cerca de duas vezes a média registada no período 1991-2020 (105 mm). imagem: IPMA
Em janeiro, o valor total da precipitação atingiu 233,4 mm, cerca de duas vezes a média registada no período 1991-2020 (105 mm). imagem: IPMA

Significa isto que o mês passado se destacou pela persistência e intensidade da chuva, numa tendência de grande irregularidade, tendo em conta o histórico dos últimos anos.

Após seis anos consecutivos - de 2017 a 2023 – com precipitação inferior ao normal, “os últimos três janeiros registaram valores superiores ao normal”, lê-se no resumo do boletim do IPMA.

Neste mês, bateram-se recordes e registaram quatro novos extremos de precipitação, com destaque para Leiria (dia 28 de janeiro), Cabo Carvoeiro (dia 24) e Moncorvo (dia 28).

Esta instabilidade resulta da “predominância de circulação atmosférica de oeste, associada a transporte intenso de humidade do Atlântico, favorecendo episódios frequentes e persistentes de precipitação”, explica ainda o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Rajadas de 130 km em Coimbra, Leiria e Castelo Branco

A depressão Kristin não podia obviamente ficar de fora deste balanço. A tempestade que atravessou o território continental no final de janeiro destacou-se essencialmente por episódios de vento forte.

O relatório do IPMA sublinha que, nos distritos de Coimbra, Leiria e Castelo Branco, se verificaram valores de intensidade do vento superiores a 130 quilómetros por hora.

Mas não podemos ignorar também que a velocidade do vento alcançou recordes impressionantes, com a estação meteorológica em Soure, no distrito de Coimbra, a registar no dia 29 de janeiro rajadas de 208,8 km/hora.

No que respeita à temperatura, janeiro apresentou uma média de 9,19 graus Celsius, valor 0,15 graus Celsius acima do normal. Apesar da ligeira anomalia positiva, tratou-se do 12.º janeiro mais quente desde 2000.

Solos muitos próximos da saturação total

A forte precipitação acumulada ao longo de semanas consecutivas refletiu-se diretamente nos níveis de humidade armazenados no solo. Todos os concelhos apresentam valores acima da capacidade de campo, com muitas zonas — em particular no interior Norte, na região Centro e em parte do litoral Sul — “muito próximas da saturação total do solo”.

Valores de humidade do solo acima da capacidade de campo (CC) indicam que os solos retêm mais água do que o potencial de drenagem livre permite.

Esta situação, adverte o IPMA, pode aumentar o risco de deslizamentos de terras, cheias rápidas e outros fenómenos associados à falta de capacidade de os terrenos absorverem mais água da chuva.

Durante a tempestade Kristin, foram registados ventos superiores a130 km/hora em Coimbra, Leiria e Castelo Branco. Foto: reprodução do Facebook/Município de Leiria
Durante a tempestade Kristin, foram registados ventos superiores a130 km/hora em Coimbra, Leiria e Castelo Branco. Foto: reprodução do Facebook/Município de Leiria

Embora já seja possível concluir que este inverno está entre os mais chuvosos das últimas décadas, o IPMA ressalva que os resultados incluidos no balanço trimestral são preliminares. A versão final do Boletim Climatológico de Janeiro será publicada após validação completa das observações e atualização das séries históricas.

Referência da notícia

Resumo Boletim Mensal Janeiro 2026 – Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)