Balanço anual do IPMA: 2025 foi o mais chuvoso da última década

O ano que agora terminou foi o quinto mais quente desde 1931 e o terceiro mais chuvoso deste século em Portugal continental, conclui o boletim do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

Chuva em Lisboa
As intensas chuvas de março contribuíram para os valores de precipitação recorde que Portugal continental registou na última década. Foto: Javier via Adobe Stock

O ano de 2025 terminou com um recorde de precipitação sem paralelo, em Portugal, desde 2011. A conclusão, retirada do Boletim Anual do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), não é algo que nos surpreenda.

Ainda temos na memória as tempestades que afetaram o território continental e as regiões autónomas ao longo do ano que passou.

Basta recordar a depressão Martinho e as chuvas intensas de março, que causaram milhares de inundações e quedas de árvores por todo o país. Ou, então, lembrar a tempestade Gabrielle que trouxe, em finais de setembro, chuva e ventos fortes com maior intensidade na Área Metropolitana do Porto. Mais recentemente, lembrar a tempestade Cláudia que, em novembro, provocou três mortes.

Chuvas abundantes

O balanço anual do IPMA mostra que 2025 foi o terceiro com mais precipitação neste século. “Há onze anos que não havia um ano tão chuvoso em Portugal continental”, lê-se no relatório.

onda gigante quebra no farol
Mais de metade dos 44 episódios extremos de chuva registados em Portugal ocorreram nos meses de janeiro e novembro. Foto: Miguel via Adobe Stock

O total de precipitação anual foi 1064,8 milímetros por metro quadrado com um desvio em relação ao valor normal 1991-2020 de mais 245,5 mm. A chuva foi responsável por 44 novos extremos, mais de metade dos quais ocorridos nos meses de janeiro e novembro.

O que significa extremo em meteorologia?Extremo na terminologia meteorológica designa fenómenos climáticos que fogem aos padrões normais de intensidade, duração ou frequência para uma determinada região, ocorrendo nos limites (extremos) da distribuição histórica do clima local e causando impactos relevantes nas paisagens urbanizadas e naturais.

No final do ano, aliás, já se sentia os efeitos da abundância da chuva, sobretudo no Algarve, que deixou para trás 10 anos consecutivos de seca. As barragens do barlavento e sotavento algarvios atingiram, em dezembro, uma média de 72% da sua capacidade, com água suficiente para assegurar o consumo humano para pelo menos três anos.

Seis ondas de calor

Nem só a chuva marcou o ano meteorológico que passou, também as temperaturas elevadas colocaram 2025 como o quinto ano mais quente desde 1931.

Onda de calor em Portugal
O território nacional enfrentou seis ondas de calor em 2025, três das quais no verão e as restantes no outono e primavera. Foto: Mike Workman via Adobe Stock

Com o registo de seis ondas de calor — uma na primavera, três no verão e duas no outono —, o valor médio anual da temperatura média do ar (16,47 graus Celsius) foi superior em 0,81 graus Celsius ao valor normal do período entre 1991 e 2020.

O período mais crítico ocorreu durante o verão, marcado por três episódios de calor prolongado: entre 15 e 20 de junho, de 26 de junho a 9 de julho, e de 29 de julho a 17 de agosto, com temperaturas máximas a alcançar um novo recorde de 46,6 graus Celsius em Mora no dia 29 de junho.

barragem do funcho, Algarve
As barragens algarvias atingiram, em dezembro, uma média histórica de 72% da sua capacidade, assegurando o consumo de água para pelo menos três anos. Foto: APA

A análise do IPMA mostra que o ano passado esteve entre os mais quentes do último século. Ainda assim, as temperaturas altas registadas em Portugal ficaram abaixo da tabela mundial.

De acordo com a World Weather Attribution, 2025 está entre os três anos mais quentes já registados. Pela primeira vez, a média global de temperatura em três anos superou no ano passado o limite de 1,5 °C do Acordo de Paris.

Embora não seja o mais quente de sempre, os especialistas do IPMA destacam que 2025 esteve entre os cinco anos mais quentes alguma vez registados em Portugal, juntamente com 2022, 2023, 1997 e 2024.

Extremos de temperaturas máximas e mínimas

Ao longo de 2025, Portugal esteve muitas vezes protegido dos danos de algumas das maiores tempestades e eventos extremos de calor que o continente europeu enfrentou. É o caso das depressões Hermínia ou Garoé, em janeiro, ou das ondas de calor históricas, com destaque para Espanha, que teve a mais intensa de sempre em agosto (16 dias).

Mora, distrito de Évora
As ondas de calor no verão de 2025 trouxeram novos recordes de temperatura, com o município de Mora a atingir, em junho, 46,6°C. Foto: CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Ainda assim, o Boletim do IPMA ressalva que foram registados em território nacional alguns efeitos óbvios das alterações climáticas que afetam o planeta. No ano passado, ocorreram “60 novos extremos da temperatura máxima”, com os meses de maio e junho a concentrar 90% desses episódios.

Do lado oposto, sobre a seca meteorológica, o IPMA revela que, entre julho e outubro, “60% a 99% do território esteve em seca”, tendo sido de moderada a severa no mês de outubro na região Sul.

Quanto às temperaturas mínimas, foram identificados 42 novos extremos, sendo que 47% aconteceram apenas em setembro.

Segundo o resumo do boletim anual do IPMA, "o valor médio da temperatura máxima do ar foi o quarto mais elevado desde 1931 e o da temperatura mínima o sétimo mais alto". As anomalias face ao valor normal atingiram mais 0,97 °C para as máximas e mais 0,65 °C para as mínimas.

Referência da notícia

Boletim Clima Anual 2025 - Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)