Janeiro de 2026 em Portugal: eis como poderá estar o tempo nas próximas 3 semanas; mais chuva, frio e neve?
Janeiro arrancou com um tempo muito frio e instável em algumas regiões de Portugal. Com a nova atualização da previsão do modelo europeu para o resto do mês, será necessário ter o guarda-chuva à disposição?

Janeiro de 2026 arrancou com uma situação meteorológica instável em Portugal, sobretudo nas Regiões Centro e Sul do Continente, devido à combinação da chegada da depressão Francis (que já se dissipou há alguns dias) com uma massa de ar polar marítima, cujos efeitos nas temperaturas ainda se fazem sentir em toda a geografia continental.
Quanto à Região Norte, o panorama tem contrastado completamente com as restantes, com o tempo seco e soalheiro a dominar nestes primeiros dias de janeiro, apenas interrompido por alguns aguaceiros fracos ou flocos de neve nalguns locais.
Após alguns invernos bastante amenos, o nosso país está agora envolvido pelo tempo frio, e nalgumas regiões, também pela instabilidade. Irá este estado do tempo manter-se ou registar uma mudança após a entrada de ar polar? O modelo europeu acaba de atualizar a sua previsão para o resto do mês, sugerindo alterações na dinâmica atmosférica.
Antecipa-se uma mudança drástica nas temperaturas
Os mapas intuem que, após a entrada de ar polar marítimo, o estado do tempo irá tornar-se consideravelmente mais ameno em Portugal graças ao regresso dos ventos de Oeste. O modelo Europeu acabou de atualizar e revela que, a partir deste fim de semana e até meados do mês, as temperaturas possam estar entre 1 e 3 ºC acima da média para a época do ano em quase todo o território do Continente, com exceção do Algarve e de algumas zonas do litoral Centro e Oeste, onde poderão estar até 1 ºC acima do normal.

Para os arquipélagos prevê-se um cenário bem mais equilibrado do ponto de vista térmico. No da Madeira não se detetam desvios da temperatura em relação ao normal. No dos Açores antecipam-se anomalias térmicas positivas muito suaves (entre 0,5 e 1 ºC acima do normal, mas somente no Grupo Ocidental e algumas ilhas do Grupo Central).
Para a segunda metade de janeiro, é possível que as temperaturas se inclinem gradualmente para valores enquadrados com a normal climatológica de referência em Portugal continental. Não obstante, os mapas ainda detetam anomalias térmicas ligeiramente positivas, especialmente no interior das Regiões Norte e Centro, onde se preveem até 1,5 ºC acima da média.
Tendo tudo isto em conta, para além do atual episódio de tempo frio, não se vislumbra a ocorrência de uma vaga de frio a médio e longo prazo (de momento, a situação atual não parece satisfazer todos os requisitos estabelecidos pelo IPMA). Contudo, tudo indica que, apesar do estado do tempo mais ameno que se estabelecerá nas próximas semanas, haverá altos e baixos nas temperaturas, com períodos de frio temporários.
O que podemos esperar da chuva para as próximas semanas em Portugal? E da neve?
Como sempre explicamos na Meteored, a precipitação é a variável mais complexa de analisar a longo prazo. Aquilo que se evidencia nos mapas é que prevalecerá uma circulação atlântica, com ventos de Oeste e a passagem de frentes. Não se exclui a possibilidade de serem registados períodos de arrefecimento ou de frio, mas serão temporários.
Para a próxima semana (12-19 janeiro), o modelo Europeu mostra que a chuva será provavelmente superior à média de norte a sul de Portugal continental, com anomalias húmidas mais acentuadas nas Regiões Norte, Centro e algumas zonas de Oeste e Vale do Tejo e Alto Alentejo (pelo menos 50 mm acima da média).
Por outro lado, perspetiva-se um cenário completamente oposto, marcado por tempo substancialmente mais seco do que o normal e com anomalias de precipitação negativas para os arquipélagos da Madeira e dos Açores, regiões onde, por vezes, a precipitação pode escassear nesta época do ano.

Passando à semana seguinte, de 19 a 26, os mapas mostram um padrão semelhante, embora com grande contraste à escala regional no que toca à distribuição das anomalias de precipitação. As anomalias húmidas (ou anomalias de precipitação positivas) concentram-se nas regiões a norte da Serra da Estrela, com particular ênfase no Minho, e no arquipélago dos Açores. Em boa parte do Centro e do Alentejo não se vislumbram desvios da precipitação em relação ao normal.
Porém, na Grande Lisboa, Península de Setúbal, noutras partes do Alentejo e sobretudo no Algarve e no arquipélago da Madeira, deteta-se, mais uma vez, a possibilidade de registos escassos de precipitação (ou seja, anomalias secas ou anomalias de precipitação negativas). Já quanto aos últimos dias de janeiro não há, por enquanto, uma tendência particularmente definida em Portugal.
Deste modo, tudo indica que a chuva será a protagonista, com a neve a ficar restrita a cotas relativamente altas devido aos ventos de Oeste e Sudoeste. Não obstante, com a eventual ocorrência de alguns períodos de frio temporários, não se exclui a possibilidade de queda de neve em cotas médias, embora como muito bem se sabe, a neve seja um dos fenómenos mais difíceis de prever no nosso país. A partir da Meteored Portugal, estaremos a monitorizar e a informá-lo acerca de tudo isto.