Algarve num momento histórico com barragens acima dos 80% de capacidade
Há menos de dois anos, as albufeiras algarvias estavam em níveis altamente críticos, mas a situação melhorou significativamente, levando agora as autoridades a realizar descargas controladas.

Após uma década em seca, o Algarve atravessa agora um período de grande alívio. As chuvas, em 2025, encheram as albufeiras da região, com seis delas a atingir um nível de armazenamento a rondar os 81%, de acordo com os dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Depois das descargas preventivas ocorridas em março do ano passado, as Águas do Algarve, em articulação com as respetivas autarquias e associações de regantes, vão voltar a repetir o procedimento nas albufeiras de Beliche, Arade, Odeleite e Odelouca.
A APA apela, por isso, às populações ribeirinhas para que retirem os bens e os animais das margens e evitem nos dias que se seguem as zonas que possam inundar, de forma a acautelar potenciais riscos.
As descargas de fundo controladas têm como objetivo baixar o nível das albufeiras por razões de segurança. Estas intervenções acontecem depois de já ter sido realizada, na terceira semana de dezembro, uma libertação controlada das águas da Barragem do Funcho para o caudal do rio Arade.

Dados da Agência Portuguesa do Ambiente, datados de 22 de dezembro, indicam que a barragem do Funcho, em Silves, lidera nos níveis de armazenamento (84%). No Sotavento algarvio, a barragem de Odeleite terminou o ano acima dos 83% enquanto Odelouca, no Barlavento, ficou nos 80%. Com níveis mais baixos surgem as albufeiras do Beliche, com 75%, e da Bravura, em Lagos, que se encontra com 52% da capacidade.
Dez anos consecutivos de seca
O Algarve tem sido uma das regiões mais afetadas pela seca, que teve início no ano hidrológico 2016/2017, agravando-se no outono e persistindo nos anos seguintes. Em 2022, aliás, a região enfrentou uma das piores situações de seca do último século, com os níveis de armazenamento de água das albufeiras abaixo dos 50% e a maioria do território em seca severa ou extrema, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Em janeiro de 2024, as barragens algarvias encontravam-se já a 24% da capacidade, levando o Governo a decretar, no mês seguinte, a situação de alerta de seca para toda a região. As medidas de restrição incidiram não somente na agricultura e turismo como também no consumo urbano.
O fornecimento para consumo sofreu um corte até 15% face ao ano anterior e o uso de água potável para rega de jardins, lavagem de ruas/viaturas esteve interdito. As medidas acabariam por ser aliviadas em maio desse ano, mas mantiveram-se em vigor para combater a seca.
O alívio com as chuvas de 2025
Foi só a partir de março de 2025 que os algarvios puderam respirar de alívio. Só nas primeiras semanas desse mês, choveu mais do dobro na região e três vezes mais no Alentejo do que a média registada no período de 30 anos.
As recentes chuvas intensas provocadas com a tempestade Francis garantiram reservas para pelo menos dois anos de consumo, obrigando ainda a realizar algumas descargas controladas, o que evidenciou uma melhoria acentuada face aos recentes anos de seca.

Embora a situação hidrológica tenha conhecido uma substancial melhoria nos últimos meses, as autoridades advertem que a poupança de água será uma necessidade contínua com a qual o Algarve terá de aprender a lidar.
Referências do artigo
Cláudia Patrício Silva. Algarve vive "momento histórico" com barragens a ultrapassar os 80%. TSF
Seca Região Algarve – RCM 26-A/2024 – Agência Portuguesa do Ambiente
Boletim semanal de albufeiras - Disponibilidades hídricas a 22 de dezembro de 2025. Agência Portuguesa do Ambiente
Governo alivia restrição ao consumo de água no Algarve – Portal do Governo