Arrancou a COP30 no Brasil: os 6 temas que a cimeira de Belém irá revelar
Iniciou-se no passado dia 10 do novembro, no Brasil, na cidade de Belém, cidade fronteira com a Amazónia, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30).

Num momento em que a transição verde pode parecer sob pressão e os impactos climáticos se intensificam, com a COP30 marca-se o início do que os especialistas dizem ser uma década decisiva na batalha contra as alterações climáticas.
COP30 - 10 anos do Acordo de Paris
Esta COP30 assume um forte valor simbólico e político, pois, além de marcar os 10 anos do Acordo de Paris da COP21, ao realizar-se na região amazónica, dá destaque ao papel essencial das florestas tropicais no clima e sublinha a urgência da justiça climática, dando voz aos países e comunidades mais vulneráveis, nomeadamente da Amazónia.
A COP30 reúne mais de 50 mil participantes e líderes do todo o mundo, mais de 190 países, para debater soluções contra o aquecimento global e fortalecer políticas de adaptação à crise climática.
Além de outros áreas de discussão, eis 6 principais temas que os delegados deverão abordar em Belém.
Como evitar o aquecimento global descontrolado
O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025 do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), publicado na véspera da COP30, mostra que os compromissos atuais colocam o mundo num caminho de aquecimento de 2,3 a 2,5 °C até ao final do século.
Assim, os países da COP30 estarão sob pressão para mostrar como irão limitar essa ultrapassagem e realizar cortes mais profundos nas emissões, especialmente em setores de alta emissão, como energia, indústria e transportes.

Para já a Europa leva um compromisso para a COP30. Os ministros do Ambiente da UE concordaram com uma redução das emissões de 66,25% a 72,5% até 2035, em comparação com os níveis de 1990. Este é um sinal claro de que a Europa continua comprometida com o Acordo de Paris.
Como proteger as comunidades dos impactos climáticos
A mitigação e a adaptação à crise climática são duas das principais frentes para combater as mudanças do clima.
Além de ações de mitigação, tais como reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, algumas medidas de adaptação também serão discutidas, como, por exemplo, preparar as cidades, as comunidades e os setores da economia para enfrentar eventos extremos e a subida de temperatura.
Na COP30 serão discutidas metas globais de adaptação para que todos os países caminhem juntos na direção certa.
Atualmente, têm acesso a apenas uma pequena fração desse total, segundo o Relatório sobre o Fosso de Adaptação 2025 do PNUA.
Cada dólar investido em sistemas de alerta precoce pode economizar até quinze dólares em perdas evitadas. O chamado compromisso de Glasgow de duplicar o financiamento para a adaptação expira este ano, sendo assim essencial que a COP30 defina novas metas de financiamento para adaptação.
Como cumprir uma promessa de um trilião de dólares
O financiamento climático é fundamental para garantir que o apoio chegue àqueles que mais precisam e mantendo a equidade no centro da cooperação climática global. Na COP29, países como a UE concordaram em triplicar o apoio aos países em desenvolvimento, de 100 para 300 mil milhões de dólares por ano.
A UE, os seus Estados Membros e o Banco Europeu de Investimento são, em conjunto, os maiores contribuintes para o financiamento público da ação climática nas economias em desenvolvimento. Em 2024, contribuíram com 31,7 mil milhões de euros em financiamento público da ação climática e ajudaram a mobilizar 11 mil milhões de euros em financiamento privado.
Como incentivar soluções criativas para a crise climática
Para incentivar soluções criativas para a crise climática, além de ser necessário promover a cooperação internacional e o papel da sociedade civil e da cultura, é necessário combinar políticas públicas que apoiem a inovação, investimento em tecnologias limpas e suporte a start-ups.
A educação ambiental, o financiamento sustentável e a participação da comunidade na implementação de soluções locais também são fundamentais para estimular a criatividade e garantir o sucesso a longo prazo.

A COP30 destacará os compromissos de várias iniciativas inovadoras para combater as alterações climáticas e procederá ao lançamento de algumas dessas iniciativas, que fazem parte de um esforço maior da COP30 para traçar um caminho rumo a um futuro sustentável e mais resiliente.
Como garantir transições justas e inclusivas
Os benefícios económicos das ações climáticas nunca foram tão fortes: as energias renováveis oferecem a eletricidade de menor custo do planeta e permitem que os países protejam as suas economias dos mercados voláteis de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que proporcionam empregos, crescimento e melhor saúde.
No entanto, é preciso garantir que os trabalhadores, as comunidades vulneráveis afetadas pelas alterações climáticas e as regiões dependentes de indústrias de alto carbono não sejam deixados para trás.
Espera-se que a COP30 tome uma decisão sobre a proposta do Mecanismo de Ação de Belém para uma Transição Justa. Este trabalho irá articular como os governos e o setor privado podem colocar as pessoas no centro das transições nacionais e setoriais. Isto inclui a criação de empregos e a formação de trabalhadores, bem como estratégias de diversificação no planeamento e investimento climáticos.