Portugal teve 155 dias com trovoada em 2025 e novembro foi o mês mais elétrico em 15 anos

O ano passado trouxe uma atividade elétrica invulgar ao território continental, com mais dias de trovoada, fortes contrastes regionais e um outono marcado por episódios de grande intensidade atmosférica.

O ano de 2025 revelou uma atividade elétrica intensa em várias regiões do país, com episódios concentrados e descargas de grande impacto. Foto: Pixabay
O ano de 2025 revelou uma atividade elétrica intensa em várias regiões do país, com episódios concentrados e descargas de grande impacto. Foto: Pixabay

Em 2025, Portugal Continental somou 155 dias com trovoada, um valor acima da média recente e que revela uma atmosfera mais ativa do que o habitual. O Boletim de Descargas Elétricas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera mostra que esta atividade não se distribuiu de forma uniforme.

Santarém liderou o número de descargas nuvem-solo, com 3.027 ocorrências que atingiram o solo. Portalegre destacou-se no registo de fenómenos intranuvem, acumulando 10.478 eventos.

A distinção entre estes dois tipos de descargas é essencial para compreender o risco. As descargas internas permanecem confinadas às nuvens, enquanto as que atingem o solo representam uma ameaça direta para pessoas, edifícios e sistemas elétricos. A comunidade científica acompanha, por isso, com especial atenção as descargas nuvem-solo, que, apesar de menos frequentes, têm maior potencial destrutivo.

Em 2025 registaram-se dias de trovoada em quase todo o território continental, tendo o número de dias de trovoada sido superior a sete dias na maioria dos distritos. Imagem: IPMA
Em 2025 registaram-se dias de trovoada em quase todo o território continental, tendo o número de dias de trovoada sido superior a sete dias na maioria dos distritos. Imagem: IPMA

A origem destes fenómenos está nas nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cúmulo nimbo. Embora apenas uma pequena parte da eletricidade gerada durante uma tempestade chegue ao solo, essa fração é suficiente para justificar medidas de proteção civil.

Em 2025, a densidade média nacional fixou-se em 0,25 descargas por quilómetro quadrado, o oitavo valor mais baixo desde 2010, mas com zonas onde a atividade foi significativamente superior.

Castelo Branco e Lisboa registaram densidades acima de 0,3 unidades por área. No município de Castelo Branco ocorreram 646 descargas nuvem-solo, contribuindo para que quase metade da atividade perigosa do país se concentrasse em apenas cinco distritos: Santarém, Castelo Branco, Portalegre, Beja e Évora.

Novembro concentrou a energia mais intensa do ano

O outono foi a estação mais elétrica de 2025, responsável por 43,1% de toda a atividade anual. E o dia 5 de novembro registou o episódio mais marcante do ano. A passagem de uma frente fria muito ativa originou 6.122 descargas nuvem-solo num único dia, mais de um quarto de todo o registo anual. Foi o novembro mais intenso dos últimos quinze anos, com o pico de atividade a ocorrer entre o nascer do sol e o meio-dia.

As regiões de Lisboa e Alentejo e os distritos de Santarém e Castelo Branco registaram os valores mais altos de densidade de descarga elétrica. Imagem: IPMA
As regiões de Lisboa e Alentejo e os distritos de Santarém e Castelo Branco registaram os valores mais altos de densidade de descarga elétrica. Imagem: IPMA

Os valores mais elevados de densidade de descarga elétrica atmosférica concentraram-se numa faixa que abrange as regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e alguns locais da Beira Baixa, com destaque para os distritos de Santarém e Castelo Branco.

Apesar de novembro ter concentrado a maior energia libertada, a persistência do fenómeno estendeu-se a outras épocas do ano. Março foi o mês com mais dias de trovoada, seguido de abril e maio. No Sul, Beja registou 61 dias instáveis, enquanto concelhos como Mértola e Odemira viveram um mês completo com trovoada.

Padrões horários e implicações para a segurança

O relatório do IPMA identifica também dois períodos críticos ao longo do dia. O primeiro entre as cinco e as sete da manhã, quando a atmosfera tende a libertar parte da carga acumulada durante a noite. O segundo a meio da tarde, momento em que o aquecimento diurno favorece a formação de nuvens com grande desenvolvimento vertical.

Conhecer estes ciclos é essencial para planear atividades ao ar livre, proteger equipamentos sensíveis e reforçar a gestão de emergência. A descida da densidade global face a 2024 não deve, por isso, ser interpretada como um sinal de menor risco. O episódio excecional de novembro mostra, aliás, que basta um único sistema meteorológico severo para gerar impactos significativos na segurança e na gestão do território.

Referência do artigo

Boletim Descargas Elétricas Atmosféricas 2025 – Instituto Português do Mar e da Atmosfera

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