Portugal teve 155 dias com trovoada em 2025 e novembro foi o mês mais elétrico em 15 anos
O ano passado trouxe uma atividade elétrica invulgar ao território continental, com mais dias de trovoada, fortes contrastes regionais e um outono marcado por episódios de grande intensidade atmosférica.

Em 2025, Portugal Continental somou 155 dias com trovoada, um valor acima da média recente e que revela uma atmosfera mais ativa do que o habitual. O Boletim de Descargas Elétricas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera mostra que esta atividade não se distribuiu de forma uniforme.
A distinção entre estes dois tipos de descargas é essencial para compreender o risco. As descargas internas permanecem confinadas às nuvens, enquanto as que atingem o solo representam uma ameaça direta para pessoas, edifícios e sistemas elétricos. A comunidade científica acompanha, por isso, com especial atenção as descargas nuvem-solo, que, apesar de menos frequentes, têm maior potencial destrutivo.

A origem destes fenómenos está nas nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cúmulo nimbo. Embora apenas uma pequena parte da eletricidade gerada durante uma tempestade chegue ao solo, essa fração é suficiente para justificar medidas de proteção civil.
Castelo Branco e Lisboa registaram densidades acima de 0,3 unidades por área. No município de Castelo Branco ocorreram 646 descargas nuvem-solo, contribuindo para que quase metade da atividade perigosa do país se concentrasse em apenas cinco distritos: Santarém, Castelo Branco, Portalegre, Beja e Évora.
Novembro concentrou a energia mais intensa do ano
O outono foi a estação mais elétrica de 2025, responsável por 43,1% de toda a atividade anual. E o dia 5 de novembro registou o episódio mais marcante do ano. A passagem de uma frente fria muito ativa originou 6.122 descargas nuvem-solo num único dia, mais de um quarto de todo o registo anual. Foi o novembro mais intenso dos últimos quinze anos, com o pico de atividade a ocorrer entre o nascer do sol e o meio-dia.

Os valores mais elevados de densidade de descarga elétrica atmosférica concentraram-se numa faixa que abrange as regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e alguns locais da Beira Baixa, com destaque para os distritos de Santarém e Castelo Branco.
Apesar de novembro ter concentrado a maior energia libertada, a persistência do fenómeno estendeu-se a outras épocas do ano. Março foi o mês com mais dias de trovoada, seguido de abril e maio. No Sul, Beja registou 61 dias instáveis, enquanto concelhos como Mértola e Odemira viveram um mês completo com trovoada.
Padrões horários e implicações para a segurança
O relatório do IPMA identifica também dois períodos críticos ao longo do dia. O primeiro entre as cinco e as sete da manhã, quando a atmosfera tende a libertar parte da carga acumulada durante a noite. O segundo a meio da tarde, momento em que o aquecimento diurno favorece a formação de nuvens com grande desenvolvimento vertical.
Conhecer estes ciclos é essencial para planear atividades ao ar livre, proteger equipamentos sensíveis e reforçar a gestão de emergência. A descida da densidade global face a 2024 não deve, por isso, ser interpretada como um sinal de menor risco. O episódio excecional de novembro mostra, aliás, que basta um único sistema meteorológico severo para gerar impactos significativos na segurança e na gestão do território.
Referência do artigo
Boletim Descargas Elétricas Atmosféricas 2025 – Instituto Português do Mar e da Atmosfera
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