Após as tempestades, Portugal prepara um plano de energia e comunicações para este inverno
Governo lança respostas para assegurar eletricidade e internet em territórios vulneráveis, enquanto Exército desenvolve solução móvel autónoma de apoio ao socorro.

No fim de janeiro, bastaram poucas horas para deixar uma parte do país sem uma das condições mais básicas da vida quotidiana. No pico da depressão Kristin, cerca de um milhão de clientes ficaram sem eletricidade e mais de seis mil quilómetros de rede foram afetados. Leiria concentrou uma parte particularmente severa dos cortes.
É a pensar nesse intervalo entre a ocorrência e a recuperação definitiva que o Governo prepara um plano de contingência para infraestruturas críticas na região Centro.
O objetivo é proteger populações que continuam a viver com redes em consolidação e garantir respostas mesmo perante episódios meteorológicos menos extremos. Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, explicou recentemente no Parlamento que a prioridade é reduzir situações que possam ocorrer durante um inverno considerado normal.
Rede de reserva enquanto a reconstrução continua
A solução visa criar alternativas em que as redes convencionais ainda podem falhar. Estão previstos geradores e equipamentos Starlink, capazes de assegurar ligação à internet por satélite em locais sem conectividade terrestre.

A resposta passa também por aproximar os serviços das populações. As viaturas móveis avançadas do Balcão do Cidadão terão percursos e posições redefinidos, com deslocações frequentes para acompanhar os locais mais vulneráveis. A estes meios junta-se o roaming nacional, permitindo que um telemóvel aceda à rede de outra operadora caso a sua ligação habitual fique indisponível.
O modelo está a ser articulado com a E-REDES, com a ANACOM, com as Comunidades Intermunicipais e com os municípios. A estrutura pretende ter o programa plenamente preparado para o inverno de 2026/2027, enquanto a recuperação das infraestruturas continua. Segundo Paulo Fernandes, há trabalhos de consolidação com calendários diferentes e alguns poderão prolongar-se para lá dos próximos meses.
Exército prepara mais uma resposta
É neste mesmo problema, a necessidade de comunicar quando as redes civis deixam de estar disponíveis, que surge mais uma iniciativa. O Exército desenvolveu, com a MEO, uma Rede Móvel Tática 4G/5G, num investimento de cerca de 587 mil euros, destinada ao Apoio Militar de Emergência.
Há duas configurações previstas no modelo a implementar. Uma versão ManPack permite transportar rapidamente o equipamento. Outra é montada num atrelado com gerador próprio e maior autonomia energética. O Exército admite replicar o sistema e interligar diferentes unidades, criando futuras “bolhas em rede”.
A lição deixada pelo inverno
As duas iniciativas partem de necessidades distintas, mas respondem ao mesmo problema. Numa tempestade de grande escala, recuperar infraestruturas pode demorar dias ou semanas. Até lá, a energia, a conectividade e a capacidade de coordenação não podem depender de uma única rede.

A resposta que agora está a ser preparada pretende criar alternativas antes de a falha acontecer, para que o próximo temporal não obrigue o país a começar a reconstruir também as comunicações no preciso momento em que mais precisa delas.
Referências da notícia
Jornal Público. Estrutura de Missão quer planos de contingência no Inverno para infra-estruturas críticas.
Jornal Expresso. “Nas zonas afetadas por tempestades, vamos ter no inverno um plano de contingência para energia e comunicações", avança Paulo Fernandes.
Jornal de Notícias. Exército cria rede móvel 4G/5G de 587 mil euros para garantir comunicações em catástrofes.