A evolução da desflorestação da Amazónia desde a década de 1990

Cientistas usam satélites para monitorizar a desflorestação que acontece há várias décadas nesta floresta. Este tempo é suficiente para observar algumas mudanças notáveis no ritmo e no local da limpeza. Contamos-lhe os detalhes aqui!

Joana Campos Joana Campos 16 Jan. 2020 - 18:38 UTC
Marcas da desflorestação
O número de grandes clareiras (acima de 50 hectares) na Amazónia diminuiu 46% entre 2001-2007 e 2008-2014.

Nas décadas de 1990 e 2000, a floresta tropical brasileira perdeu mais de 20 mil km2 por ano. "Era época de temporada aberta na floresta tropical", disse Michael Coe cientista do centro de investigação Woods Hole.

Sistemas de monitorização e ação governamental

Os sistemas de monitorização de florestas por satélite tiveram um papel fundamental na redução da desflorestação, explicou Raoni Rajão, especialista em política ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 1998, o governo estabeleceu um sistema de recolha de dados chamado PRODES com base nas observações Landsat 5 e 7. Os cientistas da Agência Espacial Nacional do Brasil (INPE) usaram esses dados para calcular a quantidade de floresta que estava a ser derrubada, por ano, na Amazónia.

Em 2004, o governo brasileiro adotou uma política chamada Plano de Ação para Prevenção e Controlo do Desmatamento na Amazónia Legal (PPCDAm), criou uma grande rede de parques nacionais e estaduais, estabeleceu territórios protegidos para grupos indígenas, fortaleceu agências de fiscalização ambiental, dificultou a exportação de bens produzidos em terras desflorestadas ilegalmente e fortaleceu os sistemas de supervisão por satélite.

Desflorestação Amazónia
As medidas implementadas pelo governo fizeram com que até 2012, a desflorestação caísse quase 80% por ano.

Os alertas de desflorestação enviados pelo DETER

Um segundo sistema de satélite, o DETER, ficou operacional em 2004 e trouxe mais vantagens a esta causa. Enquanto o PRODES recolhia imagens do Landsat com intervalos de semanas e os totais da desflorestação eram atualizados uma vez por ano, o DETER fazia observações diárias sobre o desmatamento, incêndios e saúde da vegetação, com sensores de baixa resolução (MODIS) nos satélites Terra e Aqua da NASA. Embora a qualidade da imagem fosse menor, a cobertura diária permitiu que os monitores florestais identificassem algumas áreas recém-destruídas, em tempo quase real.

Quando o DETER foi criado, enviava alertas de desflorestação à polícia em duas semanas. Em 2011, o sistema enviava alertas no prazo de um dia.

Embora o MODIS pudesse detetar mudanças subtis na vegetação, assim que algumas árvores começavam a ser removidas, o sistema não sinalizava essa ação como desflorestação, até que a área tivesse sido totalmente limpa e queimada. Devido à baixa resolução do MODIS, o sistema só detetava clareiras com pelo menos, 25 hectares.

Antes do DETER, as clareiras com centenas ou mesmo milhares de hectares eram comuns ao longo das fronteiras da desflorestação no Pará, Mato Grosso e outros estados. Após o lançamento do DETER, o tamanho médio das mesmas começou a diminuir. Em cinco anos, as maiores clareiras desapareceram.

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