O tempo na segunda quinzena de janeiro

Apesar da brutal calma anticiclónica que tivemos durante quase toda a primeira metade de janeiro, a instabilidade atmosférica tem reinado nos últimos dias. Continuará assim ou teremos novamente sol e frio na segunda metade de janeiro? Confira aqui!

Alfredo Graça Alfredo Graça 16 Jan. 2020 - 09:28 UTC


Mulher sopra vapor de água
No que resta do mês de janeiro, teremos muito frio a acompanhar-nos?

De momento, o tempo instável reina na atmosfera, refletindo-se em períodos de chuva moderada a chuva forte, por vezes só chuviscos, sendo a precipitação o protagonista meteorológico dos últimos dias. Vai surgindo juntamente com longos períodos de céu nublado, que se dispersam por Portugal continental e Arquipélagos. Após várias semanas com ambiente tranquilo, o anticiclone está finalmente a perder pujança, permitindo que a instabilidade atmosférica penetre na Península Ibérica, resultado de depressões e frentes frias sucessivas.

A tempestade Brendan que tem atingido intensamente as Ilhas Britânicas conseguiu intrometer-se por entre as altas pressões e, neste período de impasse, o ar frio polar deverá colar-se a Portugal e Espanha. O potente período da típica calma invernal ver-se-á, por fim, interrompido. Continuará assim ou teremos sol e frio de novo, até ao fim do mês?

O que mostra o ECMWF a longo prazo?

Segundo as mais recentes atualizações do nosso modelo de referência, o ECMWF, as previsões a longo prazo revelam um novo mosaico para o tempo. De acordo com os mapas, esta semana ainda vai acumular alguma precipitação, concentrada geograficamente no litoral Oeste. Os territórios mais regados pelas chuvas serão os contidos nas regiões do Minho, Douro Litoral, Beira Litoral bem como algumas localidades da Estremadura. Nos restantes também vai chover, mas em quantidades menores.

Em linha com aquilo que prevê o modelo ECMWF, a próxima semana será mais fria que o normal em todo o país, apresentando valores de temperatura inferiores à média. Os termómetros deverão registar anomalia negativa (-3 ºC a 0 ºC) em todo o território, com impacto geográfico mais acentuado no litoral entre Viana do Castelo e Sines.

Quanto aos níveis de precipitação, espera-se que a semana de 20 a 27 de janeiro registe menos precipitação que o normal (anomalia negativa -30 a -10 mm) na metade norte de Portugal continental. Isto significa que o padrão meteorológico da próxima semana será sobretudo seco e muito frio.

Últimos dias de janeiro serão mais calmos

Depois deste período invernal, espera-se que os últimos dias do mês sejam mais amenos, com temperaturas acima da média em toda a nossa geografia. Todavia, é possível que ainda possa surgir chuva, com maior probabilidade no noroeste peninsular, Beira Baixa e possivelmente algumas localidades do Alto Alentejo. Em todo o caso, este tipo de previsões são experimentais e caracterizam-se por um enorme grau de incerteza.

Os mapas do modelo GFS apostam em mais frio que chuvas

Tal como o ECMWF, o modelo norte-americano GFS antecipa uma mudança nas condições meteorológicas, mas de cariz distinto. Em vez da chuva, aposta numa poderosa massa de ar frio que poderá vir a registar temperatura abaixo dos 0 ºC na camada dos 850 hPa -representa 1500 metros de altitude- durante vários dias em grande parte da metade Nordeste de Portugal continental.

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