Vai formar-se uma tempestade invulgar para o mês de agosto junto de Portugal: possível impacto na segunda-feira 24

Uma depressão atlântica invulgar para o mês de agosto poderá afetar diretamente Portugal continental dentro de poucos dias, trazendo chuva, vento e agitação marítima ao nosso país em plena estação estival. Consulte a previsão.
A estabilidade atmosférica tem as horas contadas em Portugal continental. Após esta quinta-feira (20) com alguns aguaceiros, está à vista o regresso de um tipo de tempestade que já não víamos nos mapas meteorológicos há vários meses tão perto da nossa geografia: uma depressão atlântica, situação que poderá trazer condições de instabilidade mais típicas do outono e inverno, com períodos de chuva frontal mais organizada, persistente e frequente, e por isso invulgares para um mês de agosto.
Prevê-se que a futura intensificação desta baixa pressão atlântica, atualmente localizada a nordeste dos Açores, ocorra ao longo dos próximos dias sobre o Atlântico, com o sistema depressionário a deslocar-se progressivamente para leste e a aproximar-se da Península Ibérica durante o fim de semana.
Os mapas de referência da Meteored revelam uma estrutura frontal bem definida e linhas de instabilidade associadas que poderão traduzir-se em vários efeitos no nosso país, sobretudo entre domingo (23) e segunda-feira (24). Em seguida será analisada a origem desta situação sinóptica e os seus possíveis efeitos no estado do tempo no nosso país.
Mudança abrupta na circulação atmosférica favorável à possível passagem desta depressão atlântica
Ao longo dos próximos dias é possível que assistamos a uma alteração gradual no regime atmosférico que modula o estado do tempo na região euro-atlântica, e em particular, em Portugal continental. A região anticiclónica que domina atualmente o Atlântico e que tem proporcionado estabilidade atmosférica deverá perder gradualmente influência.

O aprofundamento da já referida depressão sobre o Atlântico irá favorecer o enfraquecimento e a fragmentação da região anticiclónica em dois núcleos de altas pressões distintos: um que poderá recuar para sudoeste, em pleno Atlântico, e outro que poderá ficar mais a norte, migrando progressivamente para leste rumo à Escandinávia.
Esta configuração sinóptica permitirá então a progressão e rápida intensificação da já referida baixa atlântica, que poderá aproximar-se da costa ocidental portuguesa durante o fim de semana de 22 e 23 de agosto. Ainda persiste alguma incerteza quanto ao posicionamento exato e à trajetória do núcleo depressionário, pelo que a evolução desta depressão merece uma monitorização constante nas próximas atualizações.

No domingo (23) prevê-se uma aproximação significativa da depressão, que apresentará frentes em redor do núcleo cada vez mais organizadas e bem definidas. A mudança do estado do tempo poderão então tornar-se mais evidente, estando à vista um aumento da nebulosidade, ocorrência de períodos de chuva fraca a pontualmente moderada, reforço da intensidade do vento e alguma agitação marítima.
Já na segunda-feira (24), o centro da depressão poderá já encontrar-se sobre ou próximo do noroeste da Península Ibérica, possivelmente já sobre a Galiza, mas deixando Portugal ainda sob influência de um setor importante da depressão.
Aliás, é para segunda-feira, 24 de agosto, que, de acordo com as previsões atualmente disponíveis do modelo de maior confiança da Meteored (ECMWF) que poderão ocorrer com mais frequência e intensidade no nosso país os efeitos meteorológicos provocados pela passagem desta depressão.
Possíveis efeitos em Portugal continental entre domingo e segunda
Grosso modo, os nossos mapas revelam para domingo (23) a possibilidade da chuva afetar as regiões do litoral, desde Viana do Castelo a Sagres, embora com mais intensidade a norte do Cabo Raso. É possível que consiga alcançar, embora com menos frequência e intensidade, outros setores do interior Norte e Centro.

Para segunda-feira (24) o cenário previsto indica ser bem distinto: em termos de área geográfica abrangida, é possível que praticamente nenhuma zona do país escape à chuva, apesar de ser bem percetível que a mesma possa ser mais frequente e abundante nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso montejunto-Estrela, um acidente geográfico que exerce um papel importante na distribuição pluviométrica devido ao seu efeito orográfico, ao potenciar o reforço da precipitação nas vertentes mais expostas aos fluxos húmidos.
Quanto ao vento, prevê-se que no domingo (23) ocorra um primeiro reforço da sua intensidade, sobretudo nas regiões do litoral e em áreas mais expostas, como serão o caso dos distritos de Lisboa e Leiria (rajadas potencialmente superiores a 50 km/h).

Para segunda-feira (24), algumas saídas do ECMWF sugerem uma intensificação mais significativa do vento Sul, especialmente nas Regiões Norte e Centro e nas zonas montanhosas, onde as rajadas poderão atingir localmente valores compreendidos entre os 60 e 80 km/h no período mais crítico: possivelmente entre o meio da manhã e o meio da tarde de segunda-feira (24).
No que diz respeito à agitação marítima a aproximação da depressão e o reforço da intensidade do vento poderão provocar um agravamento temporário do estado do mar.
De momento, os mapas da Meteored indicam a possibilidade de serem registadas ondas com até 5,5 metros de altura máxima em determinados períodos e setores da costa ocidental, podendo ser inicialmente mais agreste na faixa costeira a sul do Cabo Carvoeiro e posteriormente estender-se também para Norte, abrangendo a totalidade da costa ocidental.

Não se antevê um cenário particularmente excecional no que concerne ao mar, porém, a evolução necessita, ainda assim, de continuar a ser monitorizada.
Tendo em conta que ainda estamos a cerca de 72 horas do início deste episódio de tempo instável, é provável que a previsão ainda venha a sofrer ajustes espaciais e temporais, quer no que toca à trajetória da depressão e intensidade do seu núcleo, quer no que toca à distribuição da chuva, rajadas de vento e estado do mar. Aconselhamos, por tudo isto, que continue a acompanhar as nossas próximas previsões aqui na Meteored Portugal.