Uma grande depressão fria vai formar-se a oeste de Portugal na quarta-feira 18: isto poderá acontecer depois

Os mapas insistem no regresso da chuva a Portugal, mas tudo dependerá da interação entre uma depressão fria isolada e as altas pressões no Reino Unido e nos países escandinavos.

Na próxima semana o estado do tempo em toda a geografia portuguesa estará dependente da trajetória de uma depressão fria.
Na próxima semana o estado do tempo em toda a geografia portuguesa estará dependente da trajetória de uma depressão fria.

Os modelos apostam que uma grande bolsa de ar frio irá libertar-se da circulação geral sobre o Atlântico, alcançando o largo da Península Ibérica, e dando origem à superfície a uma depressão ou tempestade que oscilaria entre os Açores, Madeira e Portugal continental. Na realidade, trata-se de uma depressão fria isolada, que para efeitos práticos é o mesmo que uma gota fria, mas com um reflexo mais marcante à superfície, já que em torno do seu centro podem formar-se frentes e/ou linhas de instabilidade. Caso seja nomeada, será Samuel.

Tudo isto poderá ser consequência da formação de um bloqueio anticiclónico nas latitudes altas entre o Reino Unido, a Suécia e a Finlândia. A presença de altas pressões nesta zona força as tempestades a deslocarem-se mais para sul, afetando de forma direta Portugal e outros países do sul da Europa. Esta situação é conhecida como bloqueio escandinavo e geralmente leva a episódios de tempo instável (chuva e vento) no nosso país.

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Após a formação da depressão fria isolada na quarta-feira (18), os seus efeitos nas unidades territoriais portuguesas variarão bastante conforme a sua trajetória. De momento, tudo indica que Portugal continental será o menos afetado, especialmente na fase inicial, com dias de tempo variável (períodos de tempo estável a alternar com aguaceiros e tendencialmente no Centro e Sul, especialmente nas regiões do litoral).

A depressão fria irá deslocar-se para oeste de Portugal continental

Já no que concerne aos arquipélagos dos Açores e da Madeira, espera-se que estejam bastante expostos a um temporal de precipitação convectiva ocasionalmente intensa (aguaceiros, trovoada e granizo), acompanhado de vento forte, estando inclusive em perspetiva a possibilidade de rajadas com força de furacão para o arquipélago açoriano em alguns momentos de quarta (18) ou quinta (19), para além de uma descida das temperaturas.

Os mapas intuem possibilidade de queda de neve acima dos 800/1000 metros de altitude nos Açores entre terça e quarta, dias 17 e 18 de março. Não obstante, o grau de incerteza é elevadíssimo, não só pelo horizonte temporal da previsão como também pelos possíveis ajustes na distribuição e intensidade dos elementos climáticos.
Os mapas intuem possibilidade de queda de neve acima dos 800/1000 metros de altitude nos Açores entre terça e quarta, dias 17 e 18 de março. Não obstante, o grau de incerteza é elevadíssimo, não só pelo horizonte temporal da previsão como também pelos possíveis ajustes na distribuição e intensidade dos elementos climáticos.

Refira-se ainda que a possibilidade de queda de neve em locais montanhosos dos Açores não está totalmente descartada entre terça (17) e quarta (18) por causa da aproximação e passagem de ar polar, ainda antes da sua evolução para a referida depressão fria. Os mapas mostram essa possibilidade para os pontos de maior altitude das ilhas do Pico, Terceira e São Miguel. Relembramos que dada a distância temporal e a trajetória errática desta depressão, este cenário carece de confirmação e poderá modificar-se substancialmente.

Para os dias 18 e 19 de março não se espera que Portugal continental registe um estado do tempo tão instável como os arquipélagos, embora se prevejam condições meteorológicas variáveis devido à relativa proximidade da depressão fria e das linhas de instabilidade produzidas pelo sistema.

Algo que contribuirá para que Portugal continental não fique tão exposto à depressão fria será a formação de uma ponte anticiclónica entre a altas pressões subtropicais no Norte de África e o já referido anticiclone escandinavo. Em simultâneo, haveria outra libertação de ar frio sobre a Europa Central e Oriental, com uma forte descida das temperaturas e queda de neve.

Na próxima quinta-feira, 19 de março, a depressão fria já estará plenamente organizada, oscilando entre Açores, Madeira e Portugal continental.
Na próxima quinta-feira, 19 de março, a depressão fria já estará plenamente organizada, oscilando entre Açores, Madeira e Portugal continental.

Tal como os Açores, o arquipélago da Madeira viverá um temporal de vento forte nos dias 18 e 19 de março, que poderá tornar-se ainda mais forte na sexta-feira, 20 de março. Caso as previsões se concretizem, estaríamos a falar de rajadas na ordem dos 90 a 120 km/h em quase todo o território madeirense, podendo estes valores ser ultrapassados localmente.

Apesar da formação da depressão fria apenas ocorrer na quarta (18), dia a partir do qual tornará os fenómenos associados mais intensos em ambos os Arquipélagos, os mapas de vento mostram que desde segunda-feira (16) os Açores já estarão a ser afetados pelo vento forte.

Possível temporal de chuva em perspetiva

Entre quarta (18) e sexta (20), a chuva poderá ser localmente forte, especialmente no Grupo Oriental dos Açores e no arquipélago da Madeira.

A incerteza nas previsões aumenta substancialmente para lá de sexta-feira (20), mas alguns cenários sugerem que a chuva ou aguaceiros, possivelmente com atividade convectiva (trovoada e granizo) continuarão a afetar a Madeira, passando a atingir Portugal continental com mais frequência e intensidade a partir de sábado (21) e domingo (22) devido à movimentação da depressão fria para es-sudeste.

A próxima semana será toda ventosa nos Açores, mas os mapas preveem que o dia mais crítico será quinta-feira 19 de março e as últimas horas de quarta 18.
A próxima semana será toda ventosa nos Açores, mas os mapas preveem que o dia mais crítico será quinta-feira 19 de março e as últimas horas de quarta 18.

Esta tendência chuvosa reflete-se no mapa de anomalia de precipitação do modelo europeu para a semana de 16 a 22 de março. A próxima semana será chuvosa em quase todo o território de Portugal continental, no arquipélago da Madeira e nos Grupos Central e Oriental dos Açores devido à influência da depressão fria isolada.

As anomalias mais expressivas estão previstas para o arquipélago da Madeira, Algarve, partes do Baixo Alentejo e do litoral Oeste, onde cairão entre 30 e 60 mm acima da média. Pelo contrário, a semana será normal em quase toda a Região Norte e mais seca do que o normal no Grupo Ocidental dos Açores.