Super El Niño: NOAA aumenta para 95% a probabilidade de um fenómeno muito forte
A NOAA aumentou cerca de 14% a probabilidade de um evento muito forte no outono, em relação ao mês de julho, ou seja, a possibilidade de um evento apenas moderado ou forte praticamente desapareceu.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), através do Centro de Previsão Climática (CPC), divulgou na passada quinta-feira (13) uma nova atualização do ENSO Diagnostic Discussion, documento mensal que reúne as previsões oficiais para a evolução do El Niño-Oscilação Sul (ENSO).
O destaque continua a ser o aumento nas probabilidades de um El Niño muito forte (acima de 2 °C). A probabilidade de que a anomalia da temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico equatorial ultrapasse 2 °C entre outubro e dezembro subiu para 95%.
A expectativa é que, até ao fim de agosto, o fenómeno já alcance anomalias semanais dentro da categoria “muito forte”, superiores a 2 °C. Com isto, aumentam os sinais de que estamos diante de um El Niño histórico, que poderá estar entre os mais intensos já observados e, potencialmente, ser o mais intenso do século. A seguir, confira os detalhes da atualização da NOAA e veja porque é que o atual El Niño já entrou para a história.
Probabilidade de um El Niño muito forte aumenta 14%
A última semana registou anomalias de +1,8 °C no Niño 3.4, +2,4 °C no Niño 3 e +3,3 °C no Niño 1+2, enquanto o Niño 4 apresentou uma anomalia de +0,3 °C, evidenciando a forte concentração do aquecimento no Pacífico equatorial central e leste.
As maiores mudanças em relação ao boletim de julho ocorreram justamente durante o trimestre em que o fenómeno atinge a sua máxima intensidade. A NOAA elevou em cerca de 14 pontos percentuais a probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, passando de 81% em julho para cerca de 95% em agosto.

A possibilidade de um evento apenas moderado ou forte praticamente desapareceu, com cerca de 5% de probabilidade, indicando que a agência considera um aquecimento extremo do Pacífico equatorial como o cenário mais provável.
Embora o novo aumento chame atenção, ele não representa necessariamente uma surpresa, considerando a rápida e intensa evolução do aquecimento do Oceano Pacífico que tem vindo a ser observada desde meados de abril e as previsões dos principais modelos climáticos, que têm vindo a reforçar o aquecimento a cada rodada.
Nunca antes uma anomalia de 1,8 °C foi registada tão cedo
A anomalia relativa de TSM na região Niño 3.4 alcançou 1,8 °C na semana centrada em 5 de agosto de 2026, a data mais precoce já registada na série semanal do CPC/NOAA, de acordo com análise exclusiva realizada pela Meteored Brasil.
O recorde anterior pertencia ao Super El Niño de 1997-98, que atingiu esse mesmo patamar a 20 de agosto, enquanto os demais eventos cruzaram este limiar apenas entre setembro e outubro.

O facto de o El Niño ter alcançado 1,8 °C tão cedo ou que a NOAA indique 95% de probabilidade de ser muito forte, por si só, não significa que ele será o mais intenso já registado.
Porém, quando este recorde é analisado juntamente com a rápida evolução das temperaturas do Pacífico e com o aumento das probabilidades previstas pela NOAA, o cenário torna-se cada vez mais excecional.
A grande questão agora é quanto o aquecimento ainda poderá avançar nos próximos meses, uma vez que o pico do fenómeno ocorre entre o outono e o início do inverno, e se o El Niño de 2026 será capaz de superar os eventos que até hoje ocupam o topo da lista dos mais intensos da história. Os modelos climáticos têm vindo a prever um pico superior a 3 °C e, caso isso aconteça, o El Niño de 2026-2027 será o mais forte até hoje.