Semana de 2 a 9 de novembro: tardes anormalmente amenas e possível chegada da chuva em Portugal

Portugal deverá começar a primeira semana completa de novembro com tempo maioritariamente seco e tardes anormalmente amenas. A partir de dia 5, porém, os modelos começam a mostrar sinais de mudança.

A primeira semana de novembro poderá começar com tardes anormalmente amenas e tempo maioritariamente seco em Portugal. Apesar de os modelos começarem a mostrar sinais de chuva a partir de dia 5, o balanço semanal ainda aponta para precipitação abaixo da média em grande parte do Norte e Centro.
A primeira semana de novembro poderá começar com tardes anormalmente amenas e tempo maioritariamente seco em Portugal. Apesar de os modelos começarem a mostrar sinais de chuva a partir de dia 5, o balanço semanal ainda aponta para precipitação abaixo da média em grande parte do Norte e Centro.

Portugal continental deverá começar a primeira semana completa de novembro sob um padrão maioritariamente estável e com temperaturas máximas bastante acima do habitual para esta altura do ano. Contudo, à medida que a semana avançar, os modelos começam a sugerir algumas alterações. A chuva poderá regressar a partir de quinta-feira, dia 5, inicialmente sobretudo ao Sul, enquanto no final do período as temperaturas poderão descer.

Semana arranca com tardes muito amenas, mas madrugadas frescas

A segunda-feira, dia 2, deverá manter o padrão de temperaturas máximas elevadas que tem marcado a transição de outubro para novembro. Durante as horas de maior insolação, praticamente todo o território continental apresentará valores acima da média climatológica.

Novembro começa com tardes anormalmente amenas. Na segunda-feira (2), as temperaturas máximas poderão ficar entre 5 e 7 ºC acima do habitual em vários pontos do território.
Novembro começa com tardes anormalmente amenas. Na segunda-feira (2), as temperaturas máximas poderão ficar entre 5 e 7 ºC acima do habitual em vários pontos do território.

As anomalias das máximas poderão atingir +5 a +7 ºC em vários locais, embora isto não signifique necessariamente calor comparável ao verão. Trata-se, sobretudo, de valores pouco habituais para o calendário. Lisboa poderá atingir cerca de 27 ºC, enquanto Santarém, Évora e Beja deverão aproximar-se dos 25 ºC. Mesmo mais a norte, várias capitais de distrito poderão ultrapassar os 20 ºC.

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Contudo, haverá um contraste importante entre o dia e a noite. Apesar das tardes anormalmente amenas, as madrugadas serão mais frescas, sobretudo no interior Norte. A amplitude térmica diária poderá, por isso, ser significativa.

O que dizem as anomalias para a semana?

O mapa de anomalia média semanal da temperatura do ECMWF, válido entre 2 e 9 de novembro, reforça a possibilidade de uma semana globalmente mais quente do que o normal em boa parte de Portugal.

O Centro e Sul de Portugal poderão terminar o cálculo semanal com temperaturas médias acima do normal, com anomalias positivas que localmente se aproximam dos +3 ºC.
O Centro e Sul de Portugal poderão terminar o cálculo semanal com temperaturas médias acima do normal, com anomalias positivas que localmente se aproximam dos +3 ºC.

No Norte, existem várias áreas onde o ensemble não apresenta uma diferença estatisticamente significativa relativamente à climatologia sub-sazonal. Já no Centro e Sul, o sinal é mais evidente, com anomalias médias semanais positivas que poderão aproximar-se dos +3 ºC.

É importante salientar que este valor representa a média da semana, não significa que as temperaturas estarão constantemente 3 ºC acima do normal, nem elimina a possibilidade de madrugadas frias.

O ECMWF antecipa precipitação abaixo da média semanal em grande parte do Norte e Centro. As áreas a branco não indicam ausência de chuva, mas sim a inexistência de uma anomalia estatisticamente significativa.
O ECMWF antecipa precipitação abaixo da média semanal em grande parte do Norte e Centro. As áreas a branco não indicam ausência de chuva, mas sim a inexistência de uma anomalia estatisticamente significativa.

Na precipitação, o cenário é praticamente inverso. Grande parte do Sul aparece sem anomalia estatisticamente significativa, enquanto Norte e Centro apresentam um sinal de precipitação abaixo do normal, localmente com desvios próximos de -30 mm relativamente à climatologia semanal.

A partir de dia 5, a chuva poderá começar a dar sinais

Apesar deste sinal semanal mais seco, os mapas determinísticos mais recentes do ECMWF começam a introduzir uma alteração a partir de quinta-feira, dia 5.

Os primeiros sinais de mudança poderão surgir na quinta-feira, com o ECMWF a projetar precipitação sobretudo no Sul. A localização e intensidade da chuva ainda poderão sofrer alterações nas próximas atualizações.
Os primeiros sinais de mudança poderão surgir na quinta-feira, com o ECMWF a projetar precipitação sobretudo no Sul. A localização e intensidade da chuva ainda poderão sofrer alterações nas próximas atualizações.

Surge precipitação sobretudo sobre o Sul de Portugal continental, associada a uma configuração atmosférica mais instável nas latitudes meridionais. A localização e intensidade desta chuva ainda apresentam incerteza, pelo que será necessário acompanhar as próximas atualizações.

Um mapa de anomalia semanal com precipitação abaixo da média não significa ausência total de chuva. Um ou vários episódios podem ocorrer e, ainda assim, o acumulado da semana terminar abaixo da climatologia.

Um poderoso bloqueio nas Ilhas Britânicas pode mudar a circulação

Para os dias seguintes, a situação sinóptica torna-se particularmente interessante. Um anticiclone robusto deverá permanecer centrado nas proximidades das Ilhas Britânicas, dificultando a progressão das depressões atlânticas diretamente para a Europa Ocidental. Consequentemente, algumas depressões poderão ser obrigadas a contornar este bloqueio, deslocando-se para latitudes mais baixas.

Um robusto anticiclone nas proximidades das Ilhas Britânicas poderá obrigar as depressões atlânticas a circular por latitudes mais baixas. Uma delas surge a oeste/sudoeste da Península Ibérica, mas a sua trajetória permanece incerta.
Um robusto anticiclone nas proximidades das Ilhas Britânicas poderá obrigar as depressões atlânticas a circular por latitudes mais baixas. Uma delas surge a oeste/sudoeste da Península Ibérica, mas a sua trajetória permanece incerta.

No mapa previsto para sábado, dia 7, observa-se precisamente uma depressão atlântica a oeste da Península Ibérica. Ainda não é possível afirmar que este sistema irá afetar diretamente Portugal, uma vez que pequenas alterações na posição do anticiclone podem provocar diferenças importantes na trajetória da depressão.

Final da semana poderá trazer uma descida das temperaturas

À medida que a configuração atmosférica se torna mais dinâmica, também poderá terminar o período de temperaturas excecionalmente elevadas durante as tardes. No final desta previsão, tanto as temperaturas máximas como as mínimas poderão descer, aproximando o ambiente de valores mais típicos de novembro.

Assim, a semana de 2 a 8 de novembro poderá apresentar duas fases distintas. Primeiro, tempo predominantemente seco, grande amplitude térmica e tardes anormalmente amenas. Depois, a partir de dia 5, um cenário progressivamente mais incerto, com os primeiros sinais de precipitação e a possibilidade de maior instabilidade no final da semana.