Sem chuva à vista, o anticiclone "comanda" em Portugal: até quando?

A última semana de janeiro arrancou com algumas pequenas mudanças, mas o tempo anticiclónico vai continuar a dominar com geadas e céu limpo na maior parte do país, situação que poderá prolongar-se durante os primeiros dias de fevereiro. Confira a previsão!

Janeiro de 2022 será provavelmente considerado como um dos mais secos da história climatológica de Portugal continental graças aos níveis imensamente reduzidos de precipitação que têm vindo a ser registados, 26 dias volvidos.
Janeiro de 2022 será provavelmente considerado como um dos mais secos da história climatológica de Portugal continental graças aos níveis imensamente reduzidos de precipitação que têm vindo a ser registados, 26 dias volvidos.

Nas últimas horas estão a surgir algumas exceções ao ambiente anticiclónico que predomina numa grande parte do país. Na Madeira, o céu escureceu e têm caído alguns aguaceiros fracos em vários pontos da Ilha. Inclusive, no sul de Portugal continental, mas de forma extremamente residual e incrivelmente dispersa, caíram alguns chuviscos na região do Algarve. Esta instabilidade meteorológica surgiu graças a uma bolsa de ar frio em altitude que irá acentuar-se nos próximos dias na Região Autónoma da Madeira, e também nas Canárias (Espanha).

A mencionada bolsa de ar frio reflete-se à superfície sob a forma de aguaceiros na Madeira, que se irão dissipar durante o fim de semana. Aliás, em cerca de 72 horas, este Arquipélago poderá somar pelo menos 16 litros por metro quadrado. Não sendo nada de significativo, pelo menos contrasta com a gravíssima seca meteorológica em que Portugal continental está mergulhado.

Nesse sentido, a precipitação escassa que surgiu de forma muito residual no sul do Continente (Baixo Alentejo e Algarve) tanto na segunda-feira (24) como hoje (26), dificilmente voltará a descarregar nos próximos dias. Até domingo, as temperaturas registarão poucas oscilações no Continente. Além do ambiente soalheiro, seco e frio, do Tejo para Sul as poeiras em suspensão do Deserto do Saara poderão tornar a tonalidade do céu ligeiramente esbranquiçada.

No fim de semana os aguaceiros irão dissipar-se da Madeira, e as altas pressões vão acompanhar-nos pelo menos até aos primeiros dias de fevereiro.

Quanto aos Açores, um arquipélago que regista tempo sempre muito variável, irão surgir alguns aguaceiros e vento forte até domingo, mas nada de extraordinário.

Um bloqueio anticiclónico que parece inquebrável, até quando?

Por outro lado, o tempo absolutamente anticiclónico e a estabilidade continuarão a ser os protagonistas em Portugal continental. O mais provável é que esta situação se arraste até aos primeiros dias de fevereiro, pelo menos, de acordo com o nosso modelo de confiança (ECMWF).

Definitivamente, o bloqueio anticiclónico irá persistir mais uns tempos, deixando o sol a brilhar numa grande parte do país. Os nevoeiros aparecerão, por vezes de forma persistente, nos vales do interior – Nordeste Transmontano e Beira Alta – bem como as geadas matinais que nalgumas cidades, fruto das mínimas negativas, serão intensas em cidades como Vila Real, Bragança, Guarda e Covilhã.

Este é o “cocktail perfeito” para o desencadeamento de situações complicadas como a já supracitada seca meteorológica, terrível para a atividade agrícola ou para a prevenção de incêndios florestais, ou até mesmo a poluição atmosférica acentuada por fenómenos naturais como a inversão térmica.