Reviravolta no padrão previsto para as próximas duas semanas: efeitos sobre o tempo em Portugal

A previsão para o final de março mudou em Portugal: o cenário de bloqueio perde força e dá lugar a um padrão mais atlântico, com chuva irregular, menos persistente e temperaturas dentro da normalidade.

A mudança no padrão atmosférico deverá traduzir-se em tempo mais variável em Portugal, com alternância entre períodos de instabilidade e abertas, precipitação irregular e menos persistente, e temperaturas próximas dos valores normais para a época.
A mudança no padrão atmosférico deverá traduzir-se em tempo mais variável em Portugal, com alternância entre períodos de instabilidade e abertas, precipitação irregular e menos persistente, e temperaturas próximas dos valores normais para a época.

A mais recente atualização dos modelos meteorológicos confirma uma mudança significativa no padrão atmosférico previsto para o final de março em Portugal.

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Depois de vários dias em que se equacionava a possibilidade de um regime de bloqueio — associado a maior persistência da precipitação — os modelos apontam agora para um cenário distinto, com impacto direto nas condições meteorológicas esperadas no território nacional.

Fim do cenário de bloqueio traz tempo mais variável e menos persistente

Entre os dias 23 e 25 de março, a precipitação deverá ocorrer de forma irregular, com acumulados geralmente entre 5 e 20 mm na maioria das regiões. Ainda assim, poderão registar-se valores localmente mais elevados, até 25 – 40 mm, sobretudo em áreas do interior Centro e Sul. No litoral Norte e Centro, a chuva tende a surgir de forma mais intermitente e com menores acumulados, alternando com períodos de céu pouco nublado.

Precipitação acumulada prevista até à madrugada de 25 de março mostra uma distribuição irregular da chuva em Portugal, com maiores valores no interior Centro e Sul e menor expressão no litoral Norte e Centro, em linha com um padrão de instabilidade pouco persistente.
Precipitação acumulada prevista até à madrugada de 25 de março mostra uma distribuição irregular da chuva em Portugal, com maiores valores no interior Centro e Sul e menor expressão no litoral Norte e Centro, em linha com um padrão de instabilidade pouco persistente.

A partir de 26 de março e até ao final do mês, a precipitação deverá tornar-se menos frequente, embora não desapareça completamente. Esperam-se aguaceiros dispersos, em especial durante a tarde e em zonas do interior, com acumulados adicionais geralmente inferiores a 10– 15 mm, num contexto de maior estabilidade atmosférica.

O vento deverá soprar predominantemente de oeste, por vezes de noroeste, em geral fraco a moderado, com rajadas entre 40 e 50 km/h no litoral e nas terras altas, sobretudo durante a passagem de frentes mais enfraquecidas nos primeiros dias deste período.

Mapa de rajadas de vento para 24 de março às 12h evidencia o predomínio de um fluxo de oeste sobre a Península Ibérica, associado a uma circulação atlântica mais zonal. Este padrão favorece a passagem rápida de sistemas frontais e contribui para uma distribuição irregular da precipitação, sem episódios persistentes.
Mapa de rajadas de vento para 24 de março às 12h evidencia o predomínio de um fluxo de oeste sobre a Península Ibérica, associado a uma circulação atlântica mais zonal. Este padrão favorece a passagem rápida de sistemas frontais e contribui para uma distribuição irregular da precipitação, sem episódios persistentes.

No que diz respeito às temperaturas, os valores deverão manter-se dentro da normalidade para a época. As máximas deverão variar entre 16 e 22 °C na generalidade do território, podendo atingir localmente 23–24 °C no Sul. As mínimas deverão situar-se entre 7 e 12 °C, sendo mais baixas no interior Norte e Centro durante as noites mais estáveis, com alguma inversão térmica.

Chuva irregular e temperaturas amenas marcam o final de março

Esta evolução resulta do estabelecimento de uma crista anticiclónica sobre a Península Ibérica, que atua como um bloqueio relativo à progressão de sistemas depressionários mais organizados. Em simultâneo, o jet stream — corrente de ventos fortes em altitude que orienta a circulação das depressões — mantém-se deslocado para latitudes mais elevadas, afastando a principal faixa de instabilidade.

A corrente de jato (jet stream), uma faixa de ventos muito fortes em altitude, encontra-se posicionada nas proximidades da Península Ibérica, com o seu núcleo mais intenso localizado a sul/sudoeste. Esta configuração favorece a passagem rápida das perturbações e contribui para uma precipitação irregular e pouco persistente em Portugal.
A corrente de jato (jet stream), uma faixa de ventos muito fortes em altitude, encontra-se posicionada nas proximidades da Península Ibérica, com o seu núcleo mais intenso localizado a sul/sudoeste. Esta configuração favorece a passagem rápida das perturbações e contribui para uma precipitação irregular e pouco persistente em Portugal.

Como consequência, diminui a probabilidade de episódios de precipitação intensa e persistente, predominando antes situações de instabilidade fraca, irregular e de curta duração.

Tratando-se de uma previsão de médio prazo, este cenário poderá ainda sofrer ajustes nos próximos dias, em função da evolução da circulação atmosférica no Atlântico Norte, sendo recomendável o acompanhamento das próximas previsões.