Reviravolta na previsão para a segunda metade de setembro: a cor predominante nos mapas mudou
O modelo Europeu acaba de atualizar os mapas para a segunda quinzena de setembro, verificando-se uma alteração nas tendências do tempo. Saiba o que esperar das temperaturas e da chuva em Portugal!

A mais recente atualização dos mapas do modelo Europeu (ECMWF) revela uma alteração importante na tendência dominante no estado do tempo em Portugal (Continente, Açores e Madeira) e outras áreas do Oeste e Sudoeste Europeu para a segunda quinzena de setembro, nomeadamente no que toca às anomalias térmicas, que apresentam agora valores positivos mais acentuados, evidenciando temperaturas significativamente acima da média climatológica de referência.
Porém, há outras variáveis que parecem substanciar a tendência de tempo geralmente quente e com temperaturas acima da média nas semanas entre 14 e 28 de setembro, com possibilidade de estender-se até aos primeiros dias de outubro.

Os mapas de anomalias de precipitação (inferior à média neste mesmo período), de geopotencial e de pressão média ao nível do mar convergem com esse cenário, caminhando-se em direção a um estado do tempo não só tendencialmente quente, como também tendencialmente seco.
Tempo mais quente que o habitual, a evolução das anomalias térmicas semana a semana
Do período em análise para Portugal, destaca-se principalmente a semana de 14 a 21 de setembro, onde se observam as anomalias térmicas positivas mais acentuadas, com temperaturas médias semanais entre 3 e 6 ºC acima dos valores climatológicos numa vasta extensão do país, correspondente essencialmente a quase todo o interior. Porém, também o litoral registará valores acima do normal, embora mais moderados (entre 1 e 3 ºC superiores ao normal).
No resto da segunda quinzena mantêm-se temperaturas superiores ao normal, apesar de não se verificarem anomalias tão acentuadas. Nos Arquipélagos a tendência de tempo mais quente do que o normal na segunda quinzena de setembro também é observável, especialmente nos Açores onde a persistência de valores até 3 ºC acima da média será mais duradoura do que na Madeira.

Para além do pontual transporte de massas de ar quente e seco, é a persistência e consolidação de regiões de altas pressões, com destaque para o anticiclone dos Açores disposto em crista ou outras configurações anticiclónicas que seria favorável à estabilidade atmosférica, à reduzida nebulosidade e a um aquecimento diurno mais eficaz da superfície.
Outros elementos na origem da mudança nas tendências para a segunda quinzena de setembro
Olhando para os mapas de anomalias de precipitação (anomalias negativas correspondendo a um sinal médio de tempo geralmente mais seco que o normal e a dias com precipitação escassa e pontual e por isso com acumulados inferiores à média), observa-se uma convergência com o padrão meteorológico constatado a nível espacial e que se verifica para a Europa no que toca às anomalias presentes nas variáveis da pressão média ao nível do mar e do geopotencial a 500 hPa.

Em ambas as variáveis referidas observam-se regiões de altas pressões a abranger a Europa Ocidental e Central e um corredor de baixas pressões nas latitudes setentrionais, o que acaba por favorecer uma trajetória mais setentrional das depressões, das frentes e da chuva, tendencialmente pelos países escandinavos, Islândia, Finlândia e Ilhas Britânicas.
Todos estas variáveis plasmadas nos mapas de médio e longo prazo do modelo Europeu convergem com mais dois fatores, sendo o primeiro deles observável abaixo no gráfico subsazonal de probabilidade de regimes meteorológicos diários da zona Euro-Atlântica.

Já a possível ligação de um segundo fator é o facto do atual El Niño muito forte estar associado a condições menos favoráveis à formação e intensificação de ciclones tropicais na bacia do Atlântico numa época do ano - setembro e outubro - em que estes atingem o seu pico de atividade.
Para além disto, em determinadas situações, os ciclones tropicais ou os seus remanescentes podem interagir com o jato polar e com a circulação extratropical, contribuindo para alterações na circulação atlântica e ao tempo na nossa latitude.
Então, se de acordo com o NHC, nos próximos 7 dias não se observa qualquer indício de atividade ciclónica significativa no Atlântico e tendo em conta a influência do El Niño, é plausível que a atividade ciclónica se mantenha relativamente reduzida, podendo este ser mais um fator de contexto favorável à manutenção de um padrão tendencialmente quente e seco do que o normal na segunda quinzena de setembro em Portugal.
Importa, contudo, esclarecer que isto não constitui, por si só, uma causa determinante desse cenário.