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Próxima semana em Portugal: chuva, geada e neve, devido à famosa "Besta"?

A configuração atmosférica atual representa uma grande incerteza adicional às previsões meteorológicas. As depressões irão formar-se nas imediações da Península Ibérica, afetando Portugal diretamente, mas, com que consequências? Consulte a previsão!

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A próxima semana em Portugal poderá ser frutífera em precipitação, até mesmo naquela sob a forma de neve.

Contrariando o mediatismo exagerado que se gerou em torno do fenómeno meteorológico conhecido como “Besta do Leste”, os mapas meteorológicos da nossa confiança (ECMWF) são claríssimos nas tendências que projetam: a próxima semana será marcada por um ambiente temperado no sul da Europa, onde se inclui Portugal.

Isto significa que, na semana do segundo feriado deste mês (8 de dezembro – Dia da Imaculada Conceição), as altas pressões estarão robustas em latitudes altas, obrigando inevitavelmente à circulação de depressões mais a sul. Prevê-se, além de valores térmicos superiores à média climatológica de referência, chuva abundante de norte a sul de Portugal continental. Também há possibilidade de queda de neve nas áreas montanhosas.

Importa agora perceber o porquê da dificuldade, em particular, desta previsão meteorológica e o que realmente “está em jogo” no estado do tempo para o nosso país.

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As "peças do puzzle atmosférico" na Europa. Embora Portugal e Espanha escapem ao frio intenso, alguns dos efeitos deste episódio serão notórios na próxima semana.

Anticiclone a Norte e depressões a Sul: o que está em jogo para a Europa e para Portugal

Tal como tínhamos previsto, a circulação do hemisfério norte abrandou, o jato polar tornou-se extremamente ondulado e um robusto anticiclone de bloqueio nasceu no norte da Europa. O anticiclone desdobra-se da Rússia até ao Ártico e Gronelândia, formando uma faixa de altas pressões que favorecerá a libertação de ar frio para regiões mais a sul do que o normal. Como se não bastasse, no Atlântico, prevalece um padrão de NAO negativa, o que estimula a circulação de depressões em latitudes mais baixas.

De acordo com a última atualização do modelo Europeu, a Península Ibérica ficará à margem deste frio intenso, mas, mesmo assim, haverá efeitos visíveis, tanto em Portugal, como em Espanha.

Estas entradas de ar de origem ártica serão produzidas irregularmente por todo o Hemisfério Norte e uma das mais significativas irá deslocar-se para o interior da Europa durante a semana vindoura. Prevê-se assim um episódio de frio intenso, que poderá ser muito prolongado. Como Portugal se localiza na fronteira entre o ar frio e as massas de ar subtropical oriundas do Atlântico, o nosso país estará envolvido por uma área com forte instabilidade baroclínica e, portanto, especialmente favorável à formação de depressões.

À medida que a próxima semana for decorrendo, o ar frio progredirá pela Europa e a área na qual as massas de ar se irão encontrar será ainda mais acentuada, com gradientes mais fortes. Assim, é provável que nos próximos tempos depressões mais robustas continuem a desenvolver-se.

A incerteza na previsão é enorme

Apesar da sólida confiança revelada pelos modelos quanto ao bloqueio anticiclónico no Ártico e ao ar frio e às depressões na Europa, saber onde, quando e com que intensidade isto irá acontecer torna-se difícil. Responder a estas perguntas a longo prazo, a mais de 5 dias, hoje em dia não é possível com o conhecimento científico existente na previsão meteorológica, sobretudo porque numa escala mais reduzida, a incerteza aumenta consideravelmente.

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Saída após saída, os modelos demonstram uma sólida confiança quanto à presença de ar frio e depressões na Europa.

Este é um padrão de circulação relativamente anómalo por cá e, além disso, tudo fica mais complexo devido às imensas “peças” que compõem o “puzzle atmosférico” e que influenciarão no posicionamento de cada depressão e de cada frente. Uma pequena alteração em cada uma destas peças pode ter consequências consideráveis a médio prazo.

Saber quais as áreas ou regiões portuguesas que serão mais ou menos atingidas pelas frentes será muito difícil de prever, pelo que apenas nos poderemos restringir, e confiar, no curto prazo (até 72 horas).

Chuva abundante, vento forte e neve a caminho de Portugal?

A primeira das referidas depressões atravessará Portugal e Espanha – já no final do seu ciclo de vida – entre o próximo domingo (4) e terça (6). Mas, logo após a sua passagem, novos centros de baixas pressões irão formar-se durante a próxima semana.

Estas novas depressões possuem o potencial de ser mais cavadas e amplas, com a chuva a poder cair de norte a sul da nossa geografia, e com notória abundância. Além disso, destaque-se a possibilidade de vento forte e até mesmo de queda de neve em áreas montanhosas, sobretudo nas horas seguintes à passagem das frentes e descargas de ar frio posteriores.

Falta perceber a trajetória e o grau de intensidade destas depressões, tendo em conta que, de momento, o risco de cheias, inundações e outro tipo de ocorrências mantém-se. Apesar da incerteza, saliente-se a elevada probabilidade do padrão de circulação do Hemisfério Horte manter-se neste estado durante praticamente toda a primeira quinzena de dezembro.

Com este panorama, prevê-se que a passagem de frentes e depressões seja constante durante vários dias, pelo que haverá que prestar mais atenção às previsões de curto prazo, no caso de alguma destas depressões poder afetar Portugal continental com consequências mais adversas.