Previsão mensal: o tempo em março em Portugal, de acordo com o modelo europeu

À medida que nos aproximamos de março 2026, muita gente questiona como será o tempo em Portugal no primeiro mês da primavera, após um inverno fortemente marcado por um comboio de tempestades atlânticas.

Do ponto de vista astronómico, março é o mês de transição entre inverno e primavera, mas do ponto de vista climatológico o primeiro dia do mês corresponde ao início da primavera.
Do ponto de vista astronómico, março é o mês de transição entre inverno e primavera, mas do ponto de vista climatológico o primeiro dia do mês corresponde ao início da primavera.

Antes da análise aos mapas de previsão do tempo para março de 2026 em Portugal segundo o modelo Europeu (ECMWF), vale a pena lembrar as principais características deste mês no que toca à temperatura e precipitação segundo a Climatologia.

As cidades mais quentes e mais frias em março, segundo a normal climatológica de referência

Segundo a normal climatológica 1991-2020 (IPMA), a temperatura máxima média na capital do Arquipélago da Madeira - Funchal - em março “roça” os 21 ºC. Nos Açores, a cidade de Ponta Delgada (São Miguel) e também capital desta Região Autónoma, costuma apresentar uma temperatura máxima média de 17,9 ºC. Em Portugal continental as protagonistas são as cidades de Santarém, Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Faro, que costumam registar temperaturas máximas médias em torno dos 19/20 ºC.

Março é o mês que corresponde ao período de transição entre estados de tempo invernais e primaveris.
Março é o mês que corresponde ao período de transição entre estados de tempo invernais e primaveris.

No extremo oposto, as capitais de distrito de Vila Real, Bragança, Viseu e Guarda, costumam apresentar temperaturas máximas médias entre 12 ºC e 16 ºC. As temperaturas mínimas mais baixas, com uma média de 3 a 6 ºC, são habitualmente registadas nas cidades referidas. A amplitude térmica diária em março, nas regiões do interior - em particular no Norte e Centro - costuma permanecer muito acentuada.

Em março a distribuição da chuva no nosso país costuma ser assim

Em março, a precipitação média total ronda os 150 mm nos distritos de Viana do Castelo e Braga, registando valores iguais ou ligeiramente superiores a 100 mm nos distritos de Porto e Viseu. No extremo oposto, Sines e Faro registam os valores médios de precipitação total entre 40 e 50 mm.

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À semelhança dos distritos de Porto e Viseu, o arquipélago dos Açores (Ponta Delgada) também costuma acumular, em média, quase uma centena de milímetros de precipitação nos meses de março. Na ilha da Madeira esse valor é substancialmente inferior, fixando-se, normalmente, em torno dos 60 mm.

Anomalias térmicas positivas e negativas à vista no início de março 2026, mas só nalgumas regiões

De acordo com o mapa de anomalia de temperatura média semanal, a primeira semana de março registará temperaturas dentro do expectável para esta época do ano em grande parte da geografia de Portugal continental. Contudo, estão previstos contrastes térmicos regionais significativos.

O modelo Europeu revela, para a semana de 2 a 8 de março, temperaturas inferiores à média de referência nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, bem como Algarve, Alentejo Litoral e distritos de Setúbal e Lisboa (anomalia térmica negativa -1 ºC). Por outro lado, uma parte do interior Norte e Centro (distritos de Vila Real, Bragança e Guarda), poderá registar temperaturas acima do que é habitual para esta altura do ano (anomalia térmica positiva +1 ºC).

Para a primeira semana de março 2026 observam-se algumas anomalias térmicas positivas e negativas à escala regional, embora exista um predomínio de temperaturas dentro do normal em território português.
Para a primeira semana de março 2026 observam-se algumas anomalias térmicas positivas e negativas à escala regional, embora exista um predomínio de temperaturas dentro do normal em território português.

Para a segunda semana de março (dias 9 a 15) o modelo Europeu mantém a previsão de temperaturas inferiores aos valores médios de referência nos arquipélagos dos Açores e da Madeira (anomalia térmica negativa -1 ºC). Por outro lado, as anomalias de calor manter-se-ão suaves (+ 1 ºC), podendo expandir-se pela nossa geografia. Abrangeriam o interior Norte e Centro (distritos de Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda e Castelo Branco), o interior dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e ainda o Alto Alentejo (distrito de Portalegre).

Poderá chover dentro do que é normal na primeira quinzena de março

Analisando o mapa de anomalia de precipitação média semanal do modelo Europeu, não se detetam anomalias significativas em grande parte do território português na primeira quinzena de março. Não obstante, é possível que existam exceções.

Na primeira semana do mês o arquipélago dos Açores irá registar tempo mais seco do que o normal (anomalia de precipitação negativa -10 mm) e na segunda semana observa-se este mesmo valor de anomalia de precipitação negativa na zona de Leiria e Santarém. Isto não significa que não irá chover nestes territórios em nenhum dos dias destas semanas, mas sim que, em caso de chuva, ocorrerá em quantidades inferiores à média para esta época do ano nestes locais.

Para a primeira semana de março 2026 vislumbra-se precipitação dentro dos valores médios de referência no Continente e na Madeira, mas mais seco do que o normal nos Açores.
Para a primeira semana de março 2026 vislumbra-se precipitação dentro dos valores médios de referência no Continente e na Madeira, mas mais seco do que o normal nos Açores.

Contudo, é importante salientar o seguinte: a média não constitui um bom parâmetro de análise ao elemento climático da precipitação, por causa da grande irregularidade (geográfica e quantitativa) que a mesma costuma apresentar ao longo do mês de março e devido à variabilidade interanual (marços muito chuvosos alternam com marços muito secos).

As tendências observadas nos mapas de anomalias de temperatura e precipitação para um tempo geralmente estável, com pouca precipitação e com anomalias de calor em algumas zonas do Continente na primeira quinzena de março 2026 são reforçadas pelo que se deteta no gráfico de regimes meteorológicos a longo prazo, que aposta em padrões de NAO+ e bloqueio. Além disto, as variáveis de geopotencial a 500 hPa e de pressão média ao nível do mar dos mapas do modelo Europeu também sustentam estas observações.

No entanto, também é importante referir que deve-se encarar com cautela estas previsões de longo prazo, pois têm uma fiabilidade muito reduzida. Além disto, fruto da transição do inverno para a primavera, um dos aspetos mais chamativos da dinâmica meteorológica em março é a grande incerteza e variabilidade de estados de tempo gerados pela atmosfera na latitude em que o nosso país se enquadra.

O que podemos esperar do tempo para a segunda quinzena de março em Portugal?

A incerteza meteorológica aumenta substancialmente à medida que o horizonte temporal de previsão se alarga. Então, de momento, é praticamente impossível obter tendências de longo prazo fiáveis na precipitação e na temperatura, sobretudo porque nos referimos a um prazo temporal superior a 3 semanas. Deste modo, aconselhamos que se mantenha atento às nossas próximas previsões, uma vez que dentro de alguns dias voltaremos a fazer uma previsão atualizada do tempo em março 2026 em Portugal.