Previsão a longo prazo: os modelos GFS e europeu divergem quanto ao tempo no início de março em Portugal
O início de março pode trazer mudanças no tempo em Portugal. Enquanto o modelo norte-americano aponta para chuva e vento com a aproximação de uma depressão atlântica, o modelo europeu prevê maior influência do anticiclone e condições mais estáveis. A posição destes sistemas será decisiva.

O início de março poderá trazer cenários diferentes para Portugal, consoante o modelo meteorológico considerado. O modelo norte-americano GFS prevê a formação de uma depressão ativa no Atlântico, com possível influência no sul da Europa. Já o modelo europeu ECMWF aponta para maior presença do anticiclone sobre a Península Ibérica.
Esta diferença é determinante, pois define se o arranque do mês será marcado por chuva ou por maior estabilidade atmosférica.
GFS desenha depressão atlântica e possível reforço da instabilidade
Segundo o GFS, poderá aprofundar-se uma depressão a oeste das Ilhas Britânicas, associada a ar mais frio em altitude, condição que favorece a instabilidade. Quando isso acontece, a corrente de jato — uma faixa de ventos fortes em altitude — ondula e desce de latitude, permitindo que frentes atlânticas avancem em direção à Península Ibérica e reforcem a atividade frontal no Atlântico oriental.

Nesse cenário, Portugal poderia registar aumento de nebulosidade, períodos de chuva sobretudo no Norte e Centro e vento mais intenso nas zonas costeiras e montanhosas.
A extensão da precipitação dependeria da posição exata da depressão: pequenas variações na sua localização podem significar chuva mais abrangente ou apenas concentrada no noroeste. As temperaturas máximas tenderiam a ser ligeiramente mais baixas nas regiões mais expostas à circulação marítima.
Modelo europeu mantém anticiclone mais influente sobre a Península
Por outro lado, o modelo europeu sugere que o anticiclone — uma área de altas pressões associada a tempo mais estável — se mantenha ou se expanda em direção à Península Ibérica. O ar descendente ligado a estas situações reduz a formação de nuvens e dificulta a progressão das frentes atlânticas. Assim, a precipitação ficaria mais confinada ao norte da Europa, enquanto Portugal teria maior probabilidade de tempo seco ou apenas chuva fraca e irregular, sobretudo no Centro e Sul.

Além da chuva, os cenários implicam diferenças no estado do mar e na sensação térmica. Uma circulação de sudoeste mais persistente poderá aumentar a agitação marítima na costa ocidental e tornar as noites menos frias. Com maior domínio anticiclónico, é mais provável haver maior amplitude térmica diária, céu mais limpo durante a tarde e possibilidade de nevoeiros matinais em zonas abrigadas.
Posição da depressão será decisiva para Portugal
A divergência entre modelos resulta da posição da depressão atlântica e da extensão do anticiclone. Pequenas alterações na circulação em altitude podem produzir impactos distintos à superfície. Sendo uma previsão de médio prazo, o grau de incerteza ainda é relevante, sobretudo em períodos de transição sazonal. As próximas atualizações serão decisivas para confirmar qual dos cenários prevalecerá no início de março em Portugal.