Previsão do tempo em Portugal entre 23 e 29 de março: saiba o que esperar da chuva com o padrão previsto pelo ECMWF
Após a passagem da depressão Therese por Portugal continental e Arquipélagos, o bloqueio escandinavo deverá quebrar, iniciando-se um novo padrão meteorológico. Saiba o que esperar da chuva para a próxima semana.

Grande parte da presente semana tem sido largamente influenciada por um bloqueio de altas pressões em ómega, constituído pelo bloqueio escandinavo situado a nor-nordeste do nosso país e pelo anticiclone dos Açores, situado mais a oeste do que o habitual.
Esta baixa pressão (Therese) tem vindo a provocar instabilidade, pontualmente forte, mas de carácter intermitente no Continente (mais provável e frequente no litoral Centro e na Região Sul sob a forma de aguaceiros, granizo e trovoadas; rajadas até 70 km/h no litoral e terras altas destas regiões e ainda agitação marítima, num cenário que se prevê durar até sábado 21).

Nos Arquipélagos o tempo instável tem vindo e continuará a ser mais intenso e relativamente persistente comparativamente ao Continente, manifestando-se através de precipitação convectiva, queda de neve, descida das temperaturas, fortes rajadas de vento (90 a 120 km/h) e agitação marítima.
Também nos Açores é esperado que os seus efeitos se mantenham até sábado (21). Somente no arquipélago da Madeira é que os seus efeitos poderão prolongar-se para além da referida data, ainda que de forma residual e geralmente devido à ocorrência de precipitação (até terça-feira, 24 de março, inclusive).
Mudança radical de padrão meteorológico à vista. Eis os efeitos que provocará na chuva em Portugal
De acordo com o diagrama de probabilidades diárias dos quatro tipos de teleconexões climáticas que regem o estado do tempo na zona Euro-Atlântica, prevê-se uma mudança radical no padrão meteorológico dominante a partir da próxima segunda-feira, 23 de março. O bloqueio escandinavo terminará e impor-se-á a teleconexão NAO+ que, segundo as atuais previsões, durará grande parte da próxima semana, entre os dias 23 e 26.
Ora, quando a NAO entra na sua fase positiva, tanto o anticiclone dos Açores como a depressão na Islândia se mostram bastante intensos e o gradiente de pressão entre ambos os sistemas é forte. Este panorama divide a Europa em duas partes. Por um lado, a Europa Setentrional (norte) regista, normalmente, um aumento da circulação de depressões, com chuva e temperaturas acima da média.

Contudo, o sul da Europa, e especificamente a Península Ibérica, costuma registar uma diminuição da circulação de depressões e frentes associadas, com chuva inferior à média e temperaturas, de um modo geral, superiores aos valores da normal climatológica de referência.
Deste modo, entre segunda e quinta, dias 23 e 26 de março, é de esperar que, com a movimentação para es-nordeste do anticiclone dos Açores e consequente subida em latitude, este centro de altas pressões influencie decisivamente as condições meteorológicas na nossa geografia, abrangendo praticamente por inteiro Portugal continental, Açores e Madeira.

Assim, o anticiclone dos Açores bloqueará a progressão do fluxo zonal na nossa latitude, agindo como um ‘escudo’ à chegada de depressões e frentes atlânticas e desviando-as para norte. Consequentemente, haverá um estado do tempo tendencialmente estável, seco e soalheiro no nosso país.
De momento, o mapa de anomalia de precipitação confirma estas projeções para a próxima semana, estimando anomalias de precipitação negativas nos Açores e em Portugal continental (até 30 mm abaixo da média). No arquipélago da Madeira preveem-se valores dentro do normal para a principal ilha (Madeira), mas valores de precipitação ligeiramente superiores à média na ilha de Porto Santo.
Incerteza aumenta a partir de 27 de março, mas primeiros sinais sugerem regresso do bloqueio escandinavo
Por fim, a incerteza no estado do tempo aumenta significativamente a partir de sexta-feira (27). Entre sexta (27) e domingo (29) as previsões do modelo determinista do ECMWF sugerem tempo tendencialmente estável e seco em Portugal continental. Porém, como se sabe, a fiabilidade dos mapas deterministas num horizonte temporal tão distante é muito baixa. Além disso, nas referidas datas (27 a 29 de março), as primeiras tendências do ECMWF insistem num regresso ao padrão do bloqueio escandinavo.
Embora a resposta atmosférica deste padrão à superfície não seja imediata, pois existe um certo desfasamento temporal, sabe-se que quando esta teleconexão climática se torna dominante, aumenta a probabilidade de depressões ou gotas frias conseguirem descer em latitude e atingir-nos, ainda que de forma episódica e não generalizada.
Disso são exemplos a depressão Therese e algumas das gotas frias deste mês de março. Deste modo, o regresso da instabilidade não está totalmente excluído para o período entre sexta (27) e domingo (29), apesar da mesma ser mais provável nos primeiros dias de abril.