Preveem-se trovoadas a partir de sábado, dia 5: “regressam os aguaceiros a meio da tarde, o granizo e o vento forte”
Depois de um arranque de setembro relativamente tranquilo, o calor vai intensificar-se em Portugal, com máximas acima dos 40 ºC no interior. A partir de sexta-feira, a atmosfera muda e no sábado irá regressar a instabilidade.
O início de setembro será marcado por uma mudança acentuada do estado do tempo em Portugal continental. Depois de uma terça-feira relativamente próxima da normalidade, uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África fará disparar as temperaturas, com o calor a atingir o pico na quinta-feira.
A partir de sexta-feira, porém, começam a surgir os primeiros sinais de instabilidade, que poderão culminar em aguaceiros e trovoadas no sábado.
Terça-feira ainda dentro da normalidade, mas o calor aproxima-se
Esta terça-feira, 1 de setembro, apresenta temperaturas relativamente próximas dos valores habituais para esta altura do ano. Apesar de grande parte do território apresentar uma anomalia térmica positiva, os desvios são, na generalidade, pouco expressivos, rondando apenas 1 a 2 ºC.
No Algarve, as anomalias poderão ser ligeiramente superiores, enquanto alguns pontos do interior permanecerão praticamente dentro da média climatológica.
Contudo, esta situação será temporária. A partir de quarta-feira começa a estabelecer-se sobre a Península Ibérica uma massa de ar muito quente, transportada desde o Norte de África.

Esta advecção quente é particularmente evidente nos mapas de temperatura a 850 hPa, aproximadamente entre 1300 e 1500 metros de altitude, onde valores muito elevados começam a avançar sobre Espanha e, posteriormente, Portugal.
Quinta-feira poderá trazer mais de 40 ºC ao Alentejo
Será na quinta-feira, dia 3, que esta subida das temperaturas atingirá a sua expressão máxima. O calor africano estender-se-á a praticamente todo o território continental, incluindo regiões que nos últimos dias permaneceram relativamente "normais".
Segundo a previsão da Meteored, vários locais do interior alentejano poderão alcançar ou ultrapassar os 40 ºC, com algumas projeções a apontarem pontualmente para valores próximos dos 42 a 43 ºC. Évora e Beja estarão entre as regiões onde o calor será mais intenso.
Também o vale do Tejo e o interior Centro poderão registar temperaturas muito elevadas. Santarém poderá aproximar-se dos 39 ºC, enquanto Castelo Branco poderá atingir valores semelhantes. Mesmo o Norte não irá escapar ao calor. No interior poderão ser registados entre 33 e 35 ºC, enquanto a proximidade do Atlântico deverá manter alguns setores do litoral Norte e Centro significativamente mais amenos.
Sexta-feira o calor desloca-se para norte e chegam os primeiros sinais de mudança
Na sexta-feira, dia 4, a distribuição do calor muda. O Alentejo deverá registar uma descida generalizada das temperaturas, que poderá rondar 4 a 5 ºC em relação ao dia anterior, embora o ambiente continue quente.
Em contrapartida, será o interior Norte que poderá concentrar os valores mais elevados. No nordeste transmontano e, sobretudo, nas regiões mais quentes associadas ao vale do Douro, as máximas poderão aproximar-se novamente dos 40 ºC. Ao mesmo tempo, a atmosfera começa a dar sinais de mudança.

O aumento da nebulosidade será percetível de norte a sul e poderão ocorrer alguns períodos de precipitação fraca e dispersa. Será a primeira manifestação de uma atmosfera progressivamente mais instável, depois do forte aquecimento dos dias anteriores.
Dia 5 de setembro regressam as trovoadas e há possibilidade de granizo
A alteração mais significativa poderá ocorrer no sábado, dia 5. As projeções atuais do ECMWF mostram o aparecimento de precipitação sobretudo nas regiões interiores do Norte e Centro, embora a distribuição exata dos aguaceiros ainda possa sofrer alterações.
Será uma situação típica de instabilidade convectiva. Depois de vários dias de forte aquecimento, haverá ar bastante quente junto à superfície, enquanto em altitude chegará ar relativamente mais frio.
Os mapas de densidade de descargas elétricas reforçam o potencial para trovoada. O sinal é particularmente evidente no interior Norte e Centro, com destaque para áreas entre Vila Real, Viseu e Guarda, onde o modelo chega a projetar densidades próximas de 8 raios/km² em alguns núcleos.

Tratando-se de precipitação convectiva, a sua distribuição pode ser irregular, uma localidade poderá receber aguaceiros intensos enquanto poucos quilómetros ao lado, praticamente não chove. As células mais desenvolvidas poderão ainda ser acompanhadas por granizo, rajadas fortes de vento e precipitação localmente intensa durante curtos períodos.