Ondas até 14 metros deixam Lisboa em alerta nas próximas horas e dias
Lisboa manter-se-á sob aviso vermelho, laranja e amarelo nas próximas horas e dias devido à previsão de forte agitação marítima, apesar da melhoria gradual do tempo em terra.

Lisboa encontra-se sob aviso vermelho devido à forte agitação marítima, um sinal claro de que, apesar de a fase mais severa da depressão Kristen já ter passado em terra, o risco meteorológico ainda não desapareceu por completo. Nos próximos dias, a capital continuará condicionada por um padrão atmosférico instável, com impacto no estado do mar, no vento, na precipitação e nas temperaturas.
Instabilidade residual afeta Lisboa nos próximos dias
Com o afastamento do centro da depressão, a circulação atmosférica mantém-se dominada por ventos de oeste e noroeste. Este fluxo transporta ar mais fresco e húmido para a região de Lisboa, favorecendo céu frequentemente nublado e a ocorrência de aguaceiros, em geral fracos a moderados e de carácter irregular.
O vento continuará a ser um fator relevante. Apesar de menos intenso do que durante o pico do evento, poderá soprar por vezes moderado a forte, com rajadas que ainda provocam algum desconforto térmico e situações pontuais de instabilidade, como a queda de ramos ou objetos mal fixos. Este vento contribui também para uma sensação térmica mais baixa, mesmo quando os valores de temperatura não são particularmente baixos.
Em termos térmicos, Lisboa deverá registar temperaturas mínimas entre os 11 e os 12 °C, enquanto as máximas deverão oscilar entre os 15 e os 17 °C ao longo dos próximos dias. A combinação com vento persistente e elevada humidade fará com que a sensação térmica seja inferior à registada pelos termómetros, sobretudo nas zonas mais expostas.
Estado do mar mantém-se adverso nos próximos dias
Ainda assim, é no mar que se concentra o principal fator de perigo. A energia transferida para o oceano durante a passagem da depressão continua a propagar-se sob a forma de ondulação extensa e organizada.
Os mapas de agitação marítima indicam ondas longas, com grande energia associada, correspondendo a alturas significativas entre 7 e 8 metros, com possibilidade de ondas máximas próximas dos 12 a 14 metros. Estas condições favorecem rebentação intensa e aumentam o risco de galgamentos marítimos localizados ao longo da orla costeira de Lisboa.

Este contraste entre a melhoria progressiva em terra e a persistência do perigo no mar é típico após grandes depressões atlânticas. O oceano responde mais lentamente às mudanças atmosféricas, libertando gradualmente a energia acumulada. Por isso, apesar de o pior já ter passado em Lisboa, a prudência continua a ser essencial nos próximos dias, sobretudo junto à frente ribeirinha e às zonas costeiras expostas.