Oceano Atlântico mais quente reforça a onda de calor em Portugal: "deixa um ambiente difícil de suportar"

O calor intenso deverá persistir em Portugal nos próximos dias, enquanto um bloqueio anticiclónico favorece o aquecimento da atmosfera e da superfície do Atlântico, reduzindo parcialmente o habitual efeito moderador do oceano sobre o território.

A onda de calor que afeta Portugal não resulta apenas da presença de uma massa de ar muito quente. O robusto bloqueio anticiclónico instalado sobre o Atlântico Nordeste está também a favorecer o aquecimento da superfície do oceano, reduzindo parte do efeito moderador do Atlântico e reforçando a persistência de temperaturas excecionalmente elevadas, em grande parte do território.

Atlântico perde capacidade de aliviar o calor

As mais recentes previsões do modelo europeu ECMWF mostram que esta área de altas pressões deverá permanecer praticamente estacionária até quarta-feira. Ao bloquear a progressão das habituais depressões atlânticas, favorece céu pouco nublado, vento geralmente fraco e forte exposição à radiação solar. Simultaneamente, o ar desce lentamente e aquece por compressão, reforçando a estabilidade da atmosfera e permitindo que o calor se acumule sobre a Península Ibérica durante vários dias consecutivos.

As anomalias positivas da temperatura estendem-se ao Atlântico Nordeste, onde a persistência do bloqueio anticiclónico favorece o aquecimento da superfície do oceano e limita o habitual arrefecimento do ar marítimo.
As anomalias positivas da temperatura estendem-se ao Atlântico Nordeste, onde a persistência do bloqueio anticiclónico favorece o aquecimento da superfície do oceano e limita o habitual arrefecimento do ar marítimo.

Este padrão atmosférico não influencia apenas a atmosfera. A persistência do chamado domo de calor favorece também um aquecimento adicional da superfície do Atlântico. Com menos nebulosidade, vento mais fraco e maior incidência de radiação solar, a camada superficial do oceano aquece progressivamente, reforçando as anomalias positivas da temperatura da água já observadas no Atlântico Nordeste.

Embora o oceano continue a moderar as temperaturas junto ao litoral, águas mais quentes do que o habitual reduzem parcialmente esse efeito, permitindo que o ar marítimo chegue à costa menos fresco e limitando o habitual alívio térmico proporcionado pelo Atlântico.

Calor intenso deverá persistir pelo menos até quarta-feira

Durante os próximos dias, as temperaturas máximas deverão situar-se frequentemente entre 38 e 42 ºC, podendo atingir localmente os 43 ºC nas regiões mais quentes do vale do Tejo, Alentejo e interior Centro.

Grande parte de Portugal deverá registar anomalias de temperatura entre 10 e 15 ºC acima da média climatológica, refletindo a persistência da massa de ar muito quente e do bloqueio anticiclónico previsto pelo ECMWF.
Grande parte de Portugal deverá registar anomalias de temperatura entre 10 e 15 ºC acima da média climatológica, refletindo a persistência da massa de ar muito quente e do bloqueio anticiclónico previsto pelo ECMWF.

As anomalias térmicas deverão chegar aos 15 ºC, refletindo um episódio de calor excecional para o início de julho. Mesmo no litoral, onde a influência marítima costuma atenuar o calor, os valores deverão manter-se acima da normal climatológica e as noites tenderão a tornar-se progressivamente mais quentes.

O calor deverá intensificar-se em praticamente todo o território continental durante o fim de semana, com temperaturas muito elevadas e valores superiores a 40 ºC em alguns locais do interior. Mesmo no litoral, as máximas deverão permanecer acima do normal.
O calor deverá intensificar-se em praticamente todo o território continental durante o fim de semana, com temperaturas muito elevadas e valores superiores a 40 ºC em alguns locais do interior. Mesmo no litoral, as máximas deverão permanecer acima do normal.

Além do desconforto térmico, este episódio continuará a favorecer um agravamento do perigo de incêndio rural em grande parte do território, devido à conjugação de temperaturas muito elevadas, baixa humidade relativa do ar e secura da vegetação. Estas condições exigem especial atenção nas atividades realizadas ao ar livre e um reforço das medidas de prevenção e vigilância durante os próximos dias.

A partir de quinta-feira, o ECMWF sugere um enfraquecimento gradual deste bloqueio atmosférico, embora a evolução ainda apresente alguma incerteza. As próximas atualizações da previsão permitirão confirmar esta tendência.