Até 15 ºC acima da média: Portugal enfrenta uma onda de calor que faz soar o alarme

Portugal atravessa um episódio de calor extremo, intensificado por uma cúpula de calor, com temperaturas até 15 ºC acima da média para esta época do ano e máximas que vão ultrapassando os 40 ºC.
O anticiclone e a estabilidade atmosférica daí decorrente estão a dominar o nosso país. A formação e gradual consolidação de uma cúpula de calor ao longo dos primeiros 5 dias do mês de julho é um dos mecanismos responsáveis pela subida das temperaturas para valores tão elevados, dando origem a um episódio de calor muito intenso que se traduz na primeira onda de calor do verão 2026 em Portugal.
Uma massa de ar muito quente para esta época do ano está instalada sobre Portugal continental, com as temperaturas muito elevadas para a época do ano a serem amplificadas por uma cúpula de calor.
As temperaturas máximas já atingiram e ultrapassaram os 40 ºC em várias zonas do país, sendo expectável que nos próximos dias esses valores se mantenham nalgumas regiões. Apesar de estarmos em pleno verão, este não é o calor habitual para esta época do ano, uma vez que os valores previstos poderão situar-se até 15 ºC acima da média climatológica, uma anomalia térmica extraordinária para estas datas.
Cúpula de calor gerará anomalias térmicas excecionais em Portugal
Como referido anteriormente, a atual configuração sinóptica está a permitir a consolidação de uma poderosa cúpula de calor sobre Portugal continental e Espanha peninsular. Em altitude, a crista subtropical tornar-se-á mais robusta, enquanto à superfície as altas pressões manterão um estado do tempo muito estável, com céu pouco nublado ou limpo e um forte aquecimento diurno.

Em consequência disto, as anomalias térmicas manter-se-ão acentuadas nas próximas horas e dias, tanto em altitude como à superfície. A fase mais quente ocorrerá sobretudo entre hoje (3) e domingo (5), tendo em conta a possibilidade de os termómetros registarem valores entre 9 e 15 ºC acima da média do início de julho em quase todo o território de Portugal continental. Apenas o Algarve registará anomalias térmicas positivas algo mais moderadas face ao resto da geografia (entre 1 e 8 ºC acima do normal).
As anomalias mais significativas concentrar-se-ão numa grande parte do território nacional, estendendo-se desde a faixa costeira ocidental até a algumas zonas do interior, o que inclui os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém e Setúbal.

Nestes distritos, vastas zonas poderão registar anomalias entre 12 e 15 ºC. Os valores previstos são excessivos para esta época do ano, razão pela qual o IPMA já ativou inúmeros avisos de nível laranja e vermelho tendo em conta a persistência de temperaturas extremamente elevadas em todos estes distritos.
Também a Beira Baixa e o Alentejo (distritos de Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja) contarão com um período prolongado de temperaturas muito elevadas, embora as anomalias térmicas mais acentuadas rondem os 10 ºC.
As temperaturas elevadas persistem forçando à continuidade de adoção de medidas face ao calor intenso
Entre hoje (3) e amanhã (4) prevê-se a manutenção ou uma pequena subida das temperaturas, que se manterão muito elevadas em praticamente todo o território continental português, sendo que apenas a faixa costeira ocidental a sul do Cabo Mondego poderá registar um ligeiro alívio térmico.
Entre hoje e domingo (5) é expectável que ocorra a fase mais crítica da onda de calor em termos de intensidade e área geográfica abrangida. A mais recente atualização dos modelos antecipa temperaturas iguais ou superiores a 40 ºC nos vales do Douro, Tejo, Sado e Guadiana, bem como em vastas zonas da Beira Baixa, Ribatejo e Alentejo.

O calor abrangerá praticamente todo o território de Portugal continental. Entre hoje e domingo (5), capitais distritais como Coimbra, Castelo Branco, Santarém, Évora e Beja atingirão os 40 ºC, enquanto cidades como Braga, Viseu e Braga oscilarão entre 36 e 39 ºC no mesmo período.
As noites tampouco trarão um alívio térmico significativo. É expectável a continuidade de temperaturas mínimas muito elevadas, acima dos 20 ºC em quase toda a geografia (noites tropicais), com os termómetros mesmo a poder registar valores entre 25 e 28 ºC durante todo o período noturno em regiões como as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, Beira Baixa e Alentejo, dando origem às chamadas noites tórridas.
A persistência de temperaturas muito elevadas, aliada à ausência de arrefecimento noturno significativo em muitas zonas do país aumentará consideravelmente o risco para a saúde, especialmente entre os grupos mais vulneráveis (crianças, idosos e doentes crónicos). Perante este cenário, é crucial redobrar as precauções, evitando a exposição ao sol nas horas mais quentes do dia, mantendo-se bem hidratado e usando vestuário leve e confortável.