O tempo na segunda quinzena de novembro

Novembro tem sido chuvoso e frio, com mar agitado e nevões, mas a seca continua a ser preocupante no interior, destacando-se Alentejo e Algarve. Contudo, prevêem-se mudanças do tempo nestes territórios. O que acontecerá em Portugal continental? Saiba tudo aqui.

Alfredo Graça Alfredo Graça 15 Nov. 2019 - 20:54 UTC


Parece que vamos ter de continuar a usar guarda-chuva pelo menos mais uma semana.

O que poderá acontecer a partir deste fim de semana? Por agora, quer o modelo ECMWF, como o modelo GFS (americano) prevêem que a partir de segunda-feira o anticiclone dos Açores se desloque para oeste, pelo que as descargas e as depressões poderão localizar-se mais a sul do que nos últimos dias, com o vento a soprar proveniente de Oeste ou até de sudoeste, carregando mais humidade.

Estima-se portanto, que na terceira semana de novembro de 2019 atinjam o nosso território várias linhas sucessivas de instabilidade atmosférica, carregadas de humidade, e que consequentemente gerem grandes acumulados de precipitação de norte a sul de Portugal continental. A região do Alentejo e a região do Algarve poderão finalmente respirar de alívio, uma vez que a seca meteorológica correspondente a estas geografias deverá ser consideravelmente atenuada, tratando-se de uma boa notícia.

Aliás, o modelo Europeu estima que haja uma anomalia positiva no capítulo da precipitação no país inteiro, numa quantia calculada entre os 30 a 60 mm. Quanto aos valores de temperatura, espera-se que se apresentem dentro do ‘standard’. Apesar disso, sentiremos mais frio, fruto duma sensação térmica intensificada pelo vento.

Chuvas abundantes e frio, o que virá depois?

Nas próximas duas semanas, as chuvas deverão abranger todo o território nacional à escala continental, com acumulados bem interessantes. Os modelos projetam também um cenário de surgimento de baixas pressões na envolvência da Península Ibérica e inclusive, existem mapas do tempo que começam a antecipar a formação de altas pressões nas redondezas da Escandinávia e da Islândia, em torno dos 1014 a 1020 mb, o que poderia constituir via aberta para as baixas pressões circularem em direção a Portugal e Espanha. Ainda assim, existe um enorme grau de incerteza associado a este último mapa.

Até lá, teremos algumas horas de frio, vento, precipitação e provável queda de neve nos pontos mais elevados, montanhosos e expostos. De momento, os acumulados mais importantes previstos para a pluviosidade têm sido registados na faixa atlântica e alguns pontos do interior das regiões do Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Douro Litoral e parte da Beira Litoral. Felizmente, as mais recentes atualizações dos modelos apontam para um período ‘farto’ em chuva entre 17 e 25 de novembro para as localidades alentejanas e algarvias, atualmente com um severo déficit hídrico. Os solos agrícolas serão finalmente regados com chuva fraca, por vezes moderada, nestes territórios. Esperemos que se cumpram estas previsões, porque a situação é praticamente crítica nalgumas áreas de Portugal devido à falta de água.

Na quarta semana, o cenário geral desenhado para Portugal continental remete para chuva abundante, potencialmente torrencial e com risco associado a inundações repentinas. Toda a precaução é necessária nesta época do ano. Estima-se, no entanto, que tanto os valores térmicos como os níveis de precipitação estejam dentro da média nesses dias.

Sendo o outono uma estação do ano bastante variável, trata-se de algo ousado conceber uma previsão a médio prazo numa altura em que a atmosfera se revela muito dinâmica. As previsões podem alterar-se praticamente de um dia para o outro.

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