Primeira aproximação ao tempo da Semana Santa 2026: chuva em Portugal com o padrão previsto pelo ECMWF
Faltam duas semanas para o arranque da Semana Santa 2026: eis a análise às tendências meteorológicas atualizadas de temperatura e chuva do ECMWF para Portugal.

Já estamos em meados de março e a situação meteorológica em Portugal não mudou muito em relação ao inverno. O tempo continua a ser muito dinâmico na nossa geografia, graças a uma um jato polar muito ondulante que permite uma alternância de altas e baixas pressões, dando origem a uma atmosfera muito variável. Por outro lado, isto é normal na primavera, que climatologicamente começou no dia 1 de março.
Tendo em conta o mencionado panorama meteorológico vivido ultimamente, muita gente já se interroga sobre o que poderá acontecer na Semana Santa 2026. Este ano o Domingo de Ramos será a 29 de março, dando início ao período de sete dias que antecede a Páscoa, crucial no calendário cristão para celebrar a paixão, morte e ressurreição de Jesus. O período festivo propriamente dito terá a duração de 8 dias, terminando na segunda-feira de Páscoa, dia 6 de abril.
O jato polar poderá condicionar o tempo na Semana Santa 2026
Em primeiro lugar, é nosso dever insistir que é impossível, neste momento, saber como será o tempo em Portugal na Semana Santa 2026, e muito menos numa estação como a primavera, em que as previsões mudam muito. No entanto, é possível comentar algumas tendências ou aproximações muito gerais e de fiabilidade reduzida graças aos produtos subsazonais oferecidos pelo Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo, o organismo de referência para a Meteored Portugal.
Analisando os diagramas com as probabilidades diárias para os quatro tipos de regimes meteorológicos mais comuns na nossa latitude, de momento o modelo europeu continua a insistir numa maior probabilidade de bloqueio anticiclónico e/ou crista atlântica no decurso da Semana Santa. Mas a incerteza é tão elevada que ainda se vislumbra a possibilidade de aparecimento de um terceiro cenário (NAO- ou NAO negativa), o que significa que o fluxo zonal poderia voltar à nossa latitude, apesar de este ser o cenário menos provável atualmente.

O jato polar ondulante é favorável à formação de bloqueios anticiclónicos. Se estes se formarem na Europa Central ou do Norte, podem fazer com que as bolsas de ar frio e depressões ou frentes se aproximem de Portugal, enquanto uma crista atlântica tem uma maior propensão a encaminhar massas de ar frio para a nossa geografia, embora isso dependa bastante da posição da referida teleconexão.
No entanto, realce-se que este cenário pode mudar a qualquer momento, até porque a última atualização do modelo europeu em relação aos quatro tipos de regimes meteorológicos mais comuns na nossa latitude revela, como já foi acima referido, a possibilidade de aparecimento de um terceiro cenário: a NAO- ou NAO negativa, algo que corresponderia à circulação de depressões atlânticas e respetivas frentes em latitudes mais a sul do que o habitual, como é o caso de Portugal.
Irá a Semana Santa ser chuvosa?
De momento, os mapas sugerem que a precipitação poderá ser ligeiramente superior à média para estas datas no arquipélago da Madeira e em algumas zonas do Sul de Portugal continental, enquanto que no resto do país, incluindo o arquipélago dos Açores, não se regista, para já, nenhuma tendência significativa. É importante relembrar que a chuva é a variável mais complicada de analisar a longo prazo.

No que diz respeito às temperaturas, ao invés de outros anos, não se detetam atualmente valores muito elevados para a época do ano. Pelo contrário, as tendências indicam que poderão mesmo situar-se 1 ºC abaixo da média em Portugal continental e Arquipélagos, sendo que em alguns locais do Sul a anomalia térmica poderá inclusive ser mais expressiva. Por enquanto, tudo indica que este estado do tempo dinâmico irá manter-se.