O tempo das próximas 4 semanas em Portugal: os bloqueios das latitudes altas alteram a previsão para o verão

Após a onda de calor que está a marcar o arranque de julho, o resto do mês será marcado por um padrão de bloqueio, de acordo com o modelo europeu. Eis os seus possíveis impactos no estado do tempo em Portugal.

Ainda nem o verão astronómico (21 de junho) tinha arrancado e já se registava um episódio de temperaturas muito elevadas que afetou Portugal e outros países europeus na reta final do mês de maio. Mais tarde, em finais de junho, o nosso país escapou a uma onda de calor extremo que assolou vários países da Europa, com destaque para Espanha, França e Reino Unido.

Contudo, a coincidir precisamente com o início de julho, está agora em curso a primeira onda de calor autêntica deste verão em Portugal continental (poderá durar até dia 8 ou 9, possivelmente mais nalgumas zonas).

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As bolsas de ar frio e as depressões irão circular em latitudes mais setentrionais à medida que a situação de bloqueio se consolida, especialmente durante a próxima semana, quando as altas pressões poderão instalar-se entre o centro e o norte da Europa.

Neste momento, devido à previsão da persistência de temperaturas máximas e mínimas extremamente elevadas, o IPMA já colocou 12 distritos sob aviso vermelho de tempo quente entre sexta-feira e domingo, dias 3 a 5 de julho.

Durante estes primeiros dias de julho prevê-se que algumas áreas do Vale do Tejo e Alentejo atinjam os 44 ºC de temperatura máxima.
Durante estes primeiros dias de julho prevê-se que algumas áreas do Vale do Tejo e Alentejo atinjam os 44 ºC de temperatura máxima.

Na nossa geografia continental os valores de máxima oscilarão geralmente entre 35 e 41 ºC, podendo atingir 44 ºC em regiões como o vale do Tejo e o Alentejo. Quanto aos valores das mínimas, permanecerão muito elevadas, normalmente acima de 20 ºC (noites tropicais), podendo nalgumas zonas ser ainda mais quentes (entre 25 e 28 ºC).

Perspetiva-se a possibilidade de um bloqueio escandinavo bastante persistente

A previsão subsazonal do modelo ECMWF fornece alguns sinais sobre o padrão de tempo dominante neste mês de julho na zona Euro-Atlântica e, a partir daí, é possível estabelecer qual a tendência do panorama meteorológico que haverá em Portugal.

Até meados da próxima semana a Crista Atlântica será o padrão dominante (dia 9), com a presença de uma massa de ar muito quente sobre Portugal continental, que por aqui se manterá este fim de semana. A partir de segunda-feira, 6 de julho, estender-se-á por Espanha e outros países da costa atlântica europeia, dando origem, também nesses países, à segunda onda de calor do verão 2026 (em Portugal é a primeira desta época estival).

Esta é, de acordo com o modelo ECMWF, a probabilidade de ocorrência dos diferentes padrões meteorológicos na zona Euro-Atlântica durante o mês de julho e a primeira quinzena do mês de agosto.
Esta é, de acordo com o modelo ECMWF, a probabilidade de ocorrência dos diferentes padrões meteorológicos na zona Euro-Atlântica durante o mês de julho e a primeira quinzena do mês de agosto.

Tal como referido no início deste artigo, a onda de calor em curso irá prolongar-se, previsivelmente, até aos dias 8 ou 9 de julho, datas a partir das quais se começará a alterar o padrão meteorológico, que passará a ser o de bloqueio escandinavo. Tudo indica que será persistente, mantendo-se durante todo o resto do mês de julho (entre os dias 10 e 31).

A presença de uma vasta região de altas pressões no norte e no centro da Europa será favorável à continuidade de temperaturas muito elevadas em grande parte do continente. Isto poderá abrir caminho à ocorrência de episódios de precipitação convectiva em algumas zonas de Portugal.

Calor intenso e novos episódios de trovoada nesta primeira quinzena de julho

É provável que o mês de julho seja muito quente em Portugal. Desde logo, porque o mês arrancou com uma onda de calor que se perspetiva intensa e prolongada, com cerca de 8 a 10 dias de duração.

O calor intenso voltará a espalhar-se por todo o território de Portugal continental, incluindo as regiões do litoral Norte, Centro e Oeste onde, desta vez, o impacto das temperaturas máximas e mínimas extremamente elevadas será imensamente notório, inserindo-se numa configuração de anomalias térmicas muito anómalas e significativas do ponto de vista climatológico.

Nem mesmo a brisa marítima terá intensidade suficiente para conter o avanço do ar quente envolvido no fluxo de Leste nas áreas costeiras. A segunda parte deste episódio de tempo muito quente, previsivelmente desde os dias 5 ou 6 até ao dia 9, poderá ficar marcada pela ocorrência de aguaceiros, acompanhados de trovoada e por vezes sob a forma de granizo.

O modelo Europeu começa a contemplar a possibilidade do desenvolvimento de trovoadas em várias zonas de Portugal continental na próxima semana.
O modelo Europeu começa a contemplar a possibilidade do desenvolvimento de trovoadas em várias zonas de Portugal continental na próxima semana.

A formação do bloqueio escandinavo será favorável à chegada de bolsas de ar frio até Portugal continental e Espanha peninsular. No mês de julho é pouco provável que uma depressão no sentido clássico do termo consiga circular na latitude da Península Ibérica, embora essa possibilidade não deva ser totalmente excluída.

Aquilo que se perspetiva como o mais provável de ocorrer é a passagem temporária de algumas bolsas de ar frio. Isto aumentaria a instabilidade atmosférica, intensificando a convecção e as trovoadas potenciadas pelo calor intenso que em princípio estará muito presente no nosso país neste mês de julho.