Nova intrusão de poeiras do Saara chega a Portugal: segunda-feira será o dia-chave

Uma nova massa de poeiras provenientes do Norte de África aproxima-se de Portugal continental. Nos próximos dias, a circulação atmosférica favorecerá esta intrusão, que deverá fazer-se sentir de forma desigual entre as várias regiões do país.

As poeiras provenientes do Norte de África voltarão a alcançar Portugal continental nas próximas horas, num episódio que deverá ganhar maior expressão durante a segunda-feira. A entrada será gradual e não afetará todo o território da mesma forma: o Sul será o primeiro a sentir os efeitos desta nova intrusão, antes de as partículas se espalharem por outras regiões.

Circulação atmosférica abre caminho às poeiras do Norte de África

Na origem deste episódio está uma configuração atmosférica favorável ao transporte de ar proveniente de latitudes mais a sul. A sudoeste da Península Ibérica desenvolve-se uma pequena circulação ciclónica que, em conjunto com uma área de baixa pressão associada ao forte aquecimento do interior peninsular, ajuda a estabelecer ventos de sul e sudeste nos níveis mais baixos da atmosfera.

A circulação do vento a cerca de 1500 metros de altitude evidencia o fluxo que favorecerá o transporte das poeiras em direção à Península Ibérica, associado à circulação depressionária a sudoeste do território.
A circulação do vento a cerca de 1500 metros de altitude evidencia o fluxo que favorecerá o transporte das poeiras em direção à Península Ibérica, associado à circulação depressionária a sudoeste do território.

Este padrão de circulação favorecerá o transporte de poeiras minerais do Norte de África em direção à Península Ibérica. As partículas serão conduzidas através da região do golfo de Cádis antes de alcançarem Portugal. Em altitude, não se prevê a passagem de uma depressão profunda sobre o território, pelo que o transporte estará sobretudo relacionado com a circulação atmosférica nos níveis mais baixos.

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Este domingo, a maior quantidade de poeiras deverá permanecer concentrada a sul e sudeste da Península Ibérica, enquanto em Portugal a sua presença será ainda pouco significativa. A situação começará a mudar durante a madrugada e manhã de segunda-feira, quando a pluma avançará sobre o sul de Espanha e começará a alcançar o Algarve e o Alentejo.

Segunda-feira concentra a maior presença de poeiras no Sul

Será durante a tarde de segunda-feira que a intrusão deverá tornar-se mais evidente. As previsões apontam para uma maior presença de poeiras no interior sul, particularmente no Alentejo. O AOD, indicador da quantidade de partículas presente na coluna atmosférica, poderá aproximar-se de 0,20 a 0,27 entre Beja e Évora, enquanto Lisboa deverá registar valores inferiores.

Ao final da tarde e início da noite de segunda-feira, a intrusão de poeiras ganhará maior expressão em Portugal, sobretudo nas regiões Centro e Sul.
Ao final da tarde e início da noite de segunda-feira, a intrusão de poeiras ganhará maior expressão em Portugal, sobretudo nas regiões Centro e Sul.

Ao longo das horas seguintes, as partículas avançarão para norte, alcançando também o Centro, embora com menor expressão. Na noite de segunda para terça-feira, a pluma estará mais espalhada pelo território.

Pluma espalha-se pelo território antes de perder expressão na terça-feira

Durante terça-feira, as poeiras continuarão presentes em várias regiões, mas de forma mais difusa, com valores de AOD geralmente entre 0,05 e 0,15. A tendência será depois de dispersão gradual.

Na terça-feira, as poeiras estarão mais dispersas sobre a Península Ibérica. Em Portugal, os valores de AOD serão geralmente mais baixos do que na segunda-feira, sinalizando uma redução gradual da carga de partículas na atmosfera
Na terça-feira, as poeiras estarão mais dispersas sobre a Península Ibérica. Em Portugal, os valores de AOD serão geralmente mais baixos do que na segunda-feira, sinalizando uma redução gradual da carga de partículas na atmosfera

Apesar da intrusão, as previsões não apontam para concentrações particularmente elevadas de partículas em suspensão junto à superfície na maior parte de Portugal.

Parte das poeiras poderá permanecer em altitude, pelo que a sua presença na atmosfera não implica necessariamente uma deterioração significativa da qualidade do ar.