O que virá depois da Depressão Regina: uma nova gota fria provocará mais chuva nestas regiões

Após a passagem da depressão Regina, prevê-se que uma nova perturbação produza outro episódio de chuva, neve e trovoada a partir de quinta-feira, 5 de março, em Portugal continental.
Desde ontem, a depressão Regina marcou o regresso da chuva a vastas zonas de Portugal continental e arquipélago da Madeira, num padrão atmosférico muito dinâmico que está a impulsionar ar húmido e suave até à nossa geografia. Neste arranque de março, a precipitação também tem sido acompanhada de lama devido à intrusão de poeiras do Saara.
Um vale depressionário (ou cavado) vindo do Atlântico chegará a partir de quinta-feira (5) a Portugal continental, transformando-se posteriormente numa bolsa de ar frio em altitude (nova gota fria em perspetiva). Esta nova configuração sinóptica trará mais chuva, trovoada, granizo e neve, especialmente na quinta e sexta-feira, dias 5 e 6 de março.
Contudo, Regina não será o último sistema de baixas pressões a afetar o nosso território. O modelo Europeu insiste na chegada de um vale depressionário e na formação de uma nova bolsa de ar frio dentro de poucos dias, com o tempo variável a prolongar-se, marcado pela alternância de períodos de instabilidade e estabilidade.
Regina está a perder força e os mapas já modelam a aproximação de um novo vale depressionário
Nas restantes horas desta terça-feira (3) as condições meteorológicas irão estabilizar em grande parte da geografia do Continente, exceto no Algarve e Baixo Alentejo, regiões onde o sistema frontal de Regina continuará relativamente ativo e onde a precipitação convectiva poderá ser pontualmente forte e bastante localizada.
Amanhã - quarta-feira, 4 de março - os vestígios de Regina traduzir-se-ão em aguaceiros, mais prováveis no no Baixo Alentejo e Algarve, havendo risco de trovoada. Não se descarta a ocorrência de granizo. No Norte e no Centro haverá aguaceiros dispersos durante a tarde, sendo mais prováveis no interior destas regiões e possivelmente acompanhados de trovoada nalguns locais. No arquipélago da Madeira a depressão Regina manterá o estado do tempo adverso até quarta-feira (4).

À medida que Regina for perdendo o seu grau de organização e intensidade à superfície, a chave das condições meteorológicas dos dias seguintes começam a estar na altitude. A última saída do modelo no mapa de 500 hPa revela como um vale depressionário atlântico se estende em direção a Portugal continental, injetando ar mais frio nas camadas médias e altas da troposfera a partir de quinta-feira (5). Esta configuração será favorável a outro episódio de instabilidade no nosso país, estando em perspetiva a formação de uma nova gota fria (é possível que algum dos serviços meteorológicos do Grupo Sudoeste a nomeie como Samuel).
De acordo com os mapas de referência da Meteored, o vale depressionário atlântico, que surgirá na quinta (5) no nosso país, tenderá a isolar-se em altitude sobre o Centro e Sul de Portugal continental e, mais tarde, já na sexta-feira (6), sobre o Sul de Espanha, observa-se um encerramento das isohipsas e a formação de uma nova bolsa de ar frio isolada da circulação principal. É, na verdade, o nascimento e desenvolvimento de uma nova gota fria que poderá prolongar a precipitação em vários distritos.
Efeitos do vale depressionário atlântico e posterior gota fria na quinta e sexta-feira
Para quinta-feira (5) prevê-se que o vento passe a soprar de norte, anunciando uma mudança de padrão meteorológico, conectada com mais uma das ondulações do jato polar que estará na origem da chegada de um vale depressionário vindo do Atlântico a Portugal continental.
O ar mais frio e húmido provocará uma descida das temperaturas, trará novos períodos de chuva ou aguaceiros (tendencialmente no Norte e Centro, sendo menos prováveis e frequentes a sul de Montejunto-Estrela), por vezes sob a forma de granizo e neve (pontos mais elevados da Serra da Estrela ao final do dia) e possivelmente acompanhados de trovoada (maioritariamente no interior).

Na sexta-feira (6) preveem-se novos períodos de chuva ou aguaceiros, numa fase inicial mais prováveis e frequentes no Norte e Centro, mas rapidamente a espalharem-se para as restantes regiões do país. Inicialmente poderão ser de neve nos pontos mais elevados da Serra da Estrela, mas, ainda pela manhã, a cota de neve poderá baixar para 1500 metros de altitude no Norte e Centro. Fruto de alguma incerteza na trajetória e posição final do sistema que virá a evoluir para uma gota fria, ainda persistem dúvidas na distribuição geográfica e intensidade da precipitação.
Segundo os mapas de previsão até ao final do dia de sexta-feira, 6 de março, as acumulações de chuva de quinta (5) e sexta-feira (6) irão variar entre menos de 5 mm nas zonas menos afetadas (Lisboa e Vale do Tejo) até cerca de 30/40 mm nas zonas mais afetadas (Minho, interior Norte e Centro, Baixo Alentejo e Sotavento Algarvio). Os mapas revelam ainda que, para a maioria das regiões, a precipitação acumulada nestes dias poderá variar entre 5 e 20 mm.
Como já foi anteriormente referido pela Meteored Portugal, é muito provável que os valores de chuva acumulada se alterem várias vezes nas próximas atualizações do modelo Europeu, pelo que recomendamos uma consulta diária das nossas previsões.