O modelo europeu divide junho em duas partes: NAO+ e depois um bloqueio escandinavo com possíveis efeitos em Portugal
O ECMWF prevê um junho dividido em duas fases distintas: um início mais atlântico mais fresco, seguido de um possível bloqueio escandinavo que poderá alterar a circulação atmosférica europeia e trazer novas situações de instabilidade a Portugal.
Junho poderá começar com uma circulação atlântica relativamente ativa e temperaturas mais próximas da média, mas a segunda metade do mês poderá ser marcada por bloqueios atmosféricos persistentes.
ECMWF identifica dois grandes regimes atmosféricos para junho
O mais recente gráfico “Weather Regimes Probabilities – Sub-seasonal range forecast” do ECMWF permite analisar quais os padrões atmosféricos mais prováveis para a Europa e Atlântico Norte nas próximas semanas. Este tipo de gráfico não prevê diretamente chuva ou temperatura, mas sim os regimes atmosféricos dominantes que controlam a circulação do jato polar, das depressões e dos anticiclones.

No caso de junho de 2026, dois regimes destacam-se claramente: o NAO+ no início do mês e o regime “Block” (bloqueio atmosférico escandinavo) durante grande parte da segunda metade de junho.
Ao contrário do que aconteceu durante a primavera, quando a atmosfera alternava frequentemente entre vários padrões atmosféricos diferentes num espaço de poucos dias, junho começa já a apresentar sinais de maior persistência atmosférica, algo típico do desenvolvimento do verão climatológico.
Primeira semana de junho mais atlântica e menos quente
O regime NAO+ deverá dominar os primeiros dias de junho. Este padrão atmosférico está geralmente associado a uma circulação atlântica mais organizada, com o anticiclone dos Açores relativamente ativo e as depressões a circularem mais a norte da Europa.

O mapa previsto para 2 de junho confirma precisamente esse cenário. O anticiclone dos Açores aparece robusto, próximo dos 1029 hPa, favorecendo estabilidade atmosférica sobre Portugal. Ainda assim, o seu posicionamento não impede totalmente a passagem de alguma humidade atlântica, podendo ocorrer precipitação fraca e dispersa no litoral norte e regiões montanhosas.
Nos mapas de temperatura a 925 hPa, Portugal deixa de surgir coberto pelos tons vermelhos intensos observados nos últimos dias e passa a apresentar tons verdes e amarelos, sinal de uma massa de ar significativamente menos quente.
O vento de oeste e noroeste deverá ajudar a regular as temperaturas, sobretudo no litoral e nas regiões Norte e Centro. Apesar disso, a circulação atlântica continuará suficientemente ativa para permitir alguns períodos de instabilidade.
Os dias 6 e 7 de junho poderão trazer chuva moderada a forte e maior nebulosidade ao Norte e Centro, tornando o primeiro fim de semana completo do mês bastante mais instável.
Segunda metade de junho poderá mudar radicalmente
A partir da segunda semana de junho, o ECMWF começa a reforçar a probabilidade de um regime de bloqueio escandinavo (Scandinavian Blocking – BL). Este padrão caracteriza-se pelo desenvolvimento de um anticiclone persistente sobre o norte da Europa e Escandinávia, alterando significativamente a circulação atmosférica habitual no continente europeu.
Quando o anticiclone se instala no norte da Europa, a corrente de jato polar é frequentemente obrigada a descer de latitude e a circular mais para sul. Isso pode favorecer a aproximação de depressões atlânticas, bolsas de ar frio em altitude e períodos mais instáveis sobre a Península Ibérica.
Ainda assim, pequenas oscilações na posição do bloqueio poderão alterar bastante os efeitos sentidos em Portugal, algo muito comum em previsões sub-sazonais.
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