“Nos próximos dias as tempestades do Ártico estarão sobre a Europa”: consulte os piores dias em Portugal

Nos próximos dias um forte bloqueio anticiclónico nas latitudes altas fará com que as tempestades que normalmente circulam no Ártico se desloquem para o sul da Europa. Em Portugal prevê-se chuva abundante, vento forte e neve.

Nos próximos dias haverá que prestar muita atenção ao que chegará do Atlântico. Os mapas do modelo Europeu revelam que o estabelecimento de um bloqueio anticiclónico entre a Gronelândia e a Escandinávia permitirá que o jato polar flua mais para sul do que o habitual, encaminhando-se diretamente para o sul da Europa. Esta configuração sinóptica será também favorável à chegada de massas de ar muito frio às latitudes meridionais nos próximos dias.

Um ‘comboio’ de frentes muito ativas deixará chuva generalizada em Portugal

Com o corredor atlântico escancarado devido à situação acima descrita, Portugal estará na rota de frentes muito ativas e algumas tempestades que se formarão sob o jato que circulará mais a sul do que o normal durante o resto do mês, de acordo com as últimas atualizações do nosso modelo de confiança.

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Nesta terça-feira (20) já estão a ser sentidos os efeitos de uma primeira frente no Minho e Área Metropolitana do Porto. Nos distritos de Viana do Castelo e Braga (Minho) haverá zonas que registarão até 30 mm de precipitação acumulada. Nas restantes horas desta terça-feira (20) espalhar-se-á de modo residual para outros pontos do litoral Norte e Centro.

Prevê-se que quinta-feira, 22 de janeiro, seja o dia mais adverso desta sequência instável de frentes atlânticas muito ativas, especialmente no que diz respeito ao elemento climático da precipitação sob a forma de chuva.
Prevê-se que quinta-feira, 22 de janeiro, seja o dia mais adverso desta sequência instável de frentes atlânticas muito ativas, especialmente no que diz respeito ao elemento climático da precipitação sob a forma de chuva.

Após uma breve pausa, esta primeira frente reativar-se-á e atravessará Portugal continental de noroeste para sudeste entre quarta (21) e quinta-feira (22). Prevê-se chuva praticamente generalizada, sendo localmente forte em zonas dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real e Viseu. Ocasionalmente poderá ser de granizo e acompanhada por trovoada.

Nevará nos pontos mais elevados da Serra da Estrela, mas durante a tarde de quarta (21) e até início da manhã de quinta (22) a cota de neve baixará para 1000/1300 metros, com outras serras, montanhas e localidades do Norte e Centro a poderem receber neve. Além disso, o vento soprará forte, com rajadas superiores a 80 km/h nas terras altas do Norte e do Centro.

Entre o início da tarde de quinta-feira (22) e a sexta-feira (23) chegará um novo sistema frontal muito ativo, repetindo a situação das horas anteriores (uma frente que será seguida de aguaceiros pós-frontais). A chuva será generalizada, sendo mais intensa e abundante no Minho, Douro Litoral, na maior parte do litoral Centro e em algumas zonas do interior Norte e Centro. Será temporariamente forte no Ribatejo e em algumas zonas do Alentejo. Não se exclui a possibilidade de queda de granizo e trovoadas irregulares.

Nos Açores e na Madeira surgirão alguns aguaceiros durante estes próximos dias, o que emprestará alguma variabilidade ao tempo. Não obstante, a estabilidade atmosférica será muito maior do que no Continente, uma vez que os Arquipélagos ficarão praticamente à margem destas frentes.

Esta é a atual previsão de chuva acumulada até às 21:00 de domingo, 25 de janeiro. O mapa revela que em diversas zonas do litoral Norte e Centro os registos serão superiores a 150 mm, sendo que em vários pontos do Minho poderão mesmo aproximar-se dos 200 mm.
Esta é a atual previsão de chuva acumulada até às 21:00 de domingo, 25 de janeiro. O mapa revela que em diversas zonas do litoral Norte e Centro os registos serão superiores a 150 mm, sendo que em vários pontos do Minho poderão mesmo aproximar-se dos 200 mm.

Na sexta-feira (23), com a passagem de aguaceiros pós-frontais e a injeção de ar polar, prevê-se uma diminuição da cota da neve para 600-800 metros em localidades, serras e montanhas das Regiões Norte e Centro, podendo mesmo nevar nos pontos mais elevados da Serra de São Mamede, situada no Alto Alentejo (distrito de Portalegre).

No fim de semana poderá nevar a cotas baixas nalgumas zonas, mas a incerteza persiste

Entre sexta-feira (23) e domingo (25) é expectável que o vento de Oeste e Noroeste se intensifique em Portugal continental. A partir do meio-dia de sexta-feira (23), a injeção de ar polar mais significativa do episódio alcançará a nossa geografia, coincidindo com a passagem de aguaceiros pós-frontais e várias linhas de instabilidade. A distribuição da precipitação será mais irregular do que nos dias anteriores, o que, aliado ao horizonte temporal da previsão, acentua o grau de incerteza em relação ao nevão.

Atenção ao temporal de chuva, neve, vento e agitação marítima dos próximos dias. Caso tenha planos para deslocações rodoviárias ou atividades de outra natureza, aconselha-se cautela.
Atenção ao temporal de chuva, neve, vento e agitação marítima dos próximos dias. Caso tenha planos para deslocações rodoviárias ou atividades de outra natureza, aconselha-se cautela.

De momento, os mapas da Meteored revelam que a queda de neve e respetiva acumulação entre sexta (23) e domingo (25) será mais forte nas serras do Norte e do Centro mais altas e mais expostas aos fluxos de oes-noroeste (Peneda, Amarela, Soajo, Gerês, Alvão, Marão, Montemuro, Estrela, entre outras).

A grande novidade daquele que poderá vir a ser o maior nevão do inverno (até agora) reside mesmo na possibilidade de nevar em locais onde tem sido raro nevar nos últimos anos, sobretudo em cotas médias-baixas (a partir dos 600-800 metros de altitude).

Não obstante, esta tendência e as expectativas em relação ao nevão devem ser encaradas com cautela, sobretudo nas cotas médias-baixas, dado que alguns dos cenários modelados pelos mapas vislumbram um tempo ligeiramente mais ameno, o que faria com que a queda de neve ficasse restringida a cotas mais elevadas e houvesse uma menor extensão geográfica da neve.

Aliás, é também bastante provável que boa parte da neve modelada pelos mapas seja granizo, chuva congelante ou até mesmo água-neve. Aqui na Meteored Portugal continuaremos a monitorizar este episódio e a informá-lo diariamente de todas as novidades meteorológicas.