Inverno de 2026-27 em Portugal continental: o ECMWF prevê um cenário mais quente e chuvoso que o normal
O ECMWF mantém um sinal consistente para o inverno 2026-27 em Portugal. Temperaturas médias mensais acima do normal e meses potencialmente mais chuvosos, sobretudo no Norte e Centro. Março poderá começar a trazer algumas alterações a este padrão.

Embora o inverno astronómico só comece a 21 de dezembro, a mudança para a hora de inverno acontece já na madrugada de 25 de outubro, quando os relógios atrasam uma hora. É também nesta altura que começa a aumentar a curiosidade sobre aquilo que os próximos meses poderão reservar em termos meteorológicos. A mais recente previsão sazonal do ECMWF, através do modelo SEAS5, mantém um padrão bastante consistente para Portugal, temperaturas médias acima do normal e precipitação acima da média, sobretudo durante dezembro e janeiro.
Importa, contudo, interpretar estes mapas com cautela. Uma previsão sazonal não permite antecipar o estado do tempo num determinado dia, nem prever desde já tempestades, vagas de frio ou episódios específicos de chuva intensa. O objetivo é identificar tendências médias para períodos prolongados.
Dezembro poderá arrancar com temperaturas acima da média e bastante chuva
Para dezembro, primeiro mês do inverno astronómico, o modelo SEAS5 prevê uma anomalia positiva da temperatura em praticamente todo o território continental. No litoral, os valores deverão situar-se aproximadamente 0,5 a 1 ºC acima da média climatológica, enquanto em várias regiões do interior a anomalia poderá aproximar-se de +1 a +1,5 ºC.

Isto não significa que dezembro será permanentemente ameno. Poderão ocorrer períodos frios e até temperaturas temporariamente abaixo da média. O mapa representa apenas o resultado médio de todo o mês.
Mais expressivo é o sinal da precipitação. O ECMWF projeta um dezembro mais chuvoso do que o habitual, especialmente no Norte e Centro. No Noroeste e em algumas áreas do interior Centro, a anomalia mensal poderá atingir ou ultrapassar os +50 mm.

Ou seja, algumas regiões poderão terminar dezembro com pelo menos 50 mm de precipitação a mais relativamente ao que seria climatologicamente esperado.
Janeiro mantém praticamente o mesmo padrão
Em janeiro de 2027, o cenário pouco muda. As temperaturas continuam acima da média, com o sinal quente a intensificar-se em algumas áreas do interior Norte e Centro, onde as anomalias poderão alcançar aproximadamente +1,5 a +2 ºC.
Novamente, isto não exclui entradas de ar frio, geadas ou outros episódios tipicamente invernais. Um mês pode terminar acima da média mesmo depois de atravessar vários períodos bastante frios.

Na precipitação, janeiro volta a destacar-se. Grande parte de Portugal apresenta uma anomalia positiva, mais marcada nas regiões Norte e Centro, onde algumas áreas voltam a aproximar-se do patamar de +50 mm. Assim, dezembro e janeiro apresentam atualmente um sinal coerente, um início de inverno potencialmente mais húmido do que o habitual.
Março começa a mostrar uma mudança no padrão
Em fevereiro, a tendência mantém-se semelhante à prevista para dezembro e janeiro, com temperaturas médias acima do normal e um sinal de precipitação também superior à média climatológica.
À medida que avançamos no horizonte da previsão, a incerteza aumenta. Ainda assim, março, último mês do inverno astronómico, começa a apresentar algumas diferenças. O sinal de temperaturas acima da média permanece, mas torna-se menos acentuado em Portugal, sobretudo no Centro e Sul, onde predominam anomalias mais próximas de +0,5 a +1 ºC. O Norte e algumas zonas do interior continuam a apresentar um sinal ligeiramente mais quente.
Também na precipitação o padrão positivo persiste, mas apresenta-se menos vincado e mais irregular. O Norte continua a concentrar os desvios positivos mais significativos, enquanto noutras regiões os valores se aproximam mais da normalidade climatológica.
O que podemos realmente concluir sobre o inverno?
As previsões do SEAS5 são produzidas através de um conjunto de 51 membros, que representam diferentes evoluções possíveis da atmosfera. É precisamente esta abordagem probabilística que permite identificar tendências, mas não acontecimentos meteorológicos concretos com vários meses de antecedência.
Quanto mais distante estiver o mês analisado, menor é a previsibilidade, pelo que não seria correto atribuir uma percentagem única de “certeza” a dezembro, janeiro ou março apenas a partir destes mapas de anomalias.
Mas há uma distinção fundamental, um inverno mais quente em média não significa ausência de frio, e um inverno mais chuvoso não significa que choverá constantemente. Entre dezembro e março poderão surgir períodos secos, episódios frios e eventos de precipitação intensa. É a frequência e persistência desses episódios que só as atualizações das próximas semanas começarão a esclarecer.