Intrusão de poeiras em Portugal continental poderá prolongar-se até domingo, 12 de abril: eis os conselhos da DGS

Poeiras do Saara afastam-se temporariamente nas próximas horas. No entanto, prevê-se o regresso em força deste fenómeno a partir de quinta-feira, 9 de abril. Saiba até quando poderão permanecer em Portugal e os conselhos da DGS.

Desde segunda-feira (6) a presença de uma depressão posicionada a oeste de Portugal Continental tem estado a contribuir para a movimentação de poeiras procedentes do Norte de África e, consequentemente, do seu transporte para o nosso território.

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Neste panorama meteorológico poderão ocorrer fenómenos como a “chuva de lama” por causa da combinação ocasional da precipitação com as poeiras, o que se traduziria em superfícies sujas (infraestruturas, estradas, automóveis), bem como uma deterioração da qualidade do ar gerada pela presença destas partículas em suspensão. Estas partículas inaláveis têm efeitos na saúde humana, o que já levou a DGS (Direção-Geral da Saúde) a emitir conselhos.

Poeiras afastam-se hoje e amanhã, mas regressam na quinta. Até quando poderão permanecer em suspensão?

A referida depressão afastará temporariamente as poeiras da geografia do Continente entre hoje e quarta-feira (8) devido ao efeito de rotação que descreverá na sua deslocação em paralelo à faixa costeira ocidental. Porém, conforme o centro da depressão se for aproximando ao continente africano, as poeiras serão, de novo, impulsionadas para o nosso país a partir das primeiras horas da madrugada de quinta-feira, dia 9, algo para o qual também contribuirá um fluxo de Leste dominante.

A massa de ar tropical continental, seca e quente, associada ao vento de Leste e ao transporte das poeiras do Saara fará não só com que o episódio de concentração de poeiras em suspensão ganhe uma nova expressão sobre a nossa geografia, com as partículas a avançarem do interior para o litoral, como também provocará uma subida acentuada das temperaturas máximas na quinta-feira (9).

Prevê-se que, na quinta-feira (9), a primeira região afetada seja o Norte (do interior para o litoral), embora, de acordo com os mapas, rapidamente todo o país fique “coberto” por esta bruma seca que tornará o horizonte turvo ou mais amarelado-acastanhado, dependendo da concentração da zona onde vive.

Crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios crónicos fazem parte da população mais vulnerável ao fenómeno de poeiras saarianas em suspensão.
Crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios crónicos fazem parte da população mais vulnerável ao fenómeno de poeiras saarianas em suspensão.

Os mapas indicam mesmo que ocorrerá um reforço da intrusão de poeiras no Algarve, Baixo Alentejo, Alentejo Central e Área Metropolitana de Lisboa nas últimas horas de quinta (9), com concentrações ainda mais elevadas, o que poderá produzir tonalidades alaranjadas no céu e aumentar o risco dos efeitos na saúde humana.

Para sexta (10) os mapas ‘denunciam’ a presença de uma região depressionária com múltiplos núcleos posicionados em altitude entre a Península Ibérica e Marrocos, aliados ao fluxo de Leste, contribuirão para o ‘bombear’ contínuo de poeiras do interior para o litoral de Portugal continental, inclusive alcançando o arquipélago da Madeira.

As poeiras em suspensão podem vir a registar um temporário pico de concentração mais elevado nas últimas horas de quinta-feira (9), especialmente a sul do Tejo.
As poeiras em suspensão podem vir a registar um temporário pico de concentração mais elevado nas últimas horas de quinta-feira (9), especialmente a sul do Tejo.

No sábado (11) o vento dominante no nosso país mudará de quadrante, passando a soprar de Noroeste. Neste contexto, as poeiras começarão lentamente a movimentar-se para leste, mas a sua concentração e abrangência em termos geográficos será tão grande que, ainda assim, permanecerão em suspensão durante pelo menos metade do dia. Os primeiros indícios sugerem que as poeiras poderão permanecer sobre o nosso território até domingo (12).

Conheça os conselhos da DGS

As poeiras do Saara são constituídas por partículas inaláveis que provocam efeitos na saúde humana, especialmente na população mais vulnerável: crianças, idosos e doentes com problemas respiratórios crónicos (asma, foro cardiovascular). Neste sentido os “cuidados de saúde devem ser redobrados durante a ocorrência destas situações”, realçou a DGS. Aliás, sempre que for viável, recomenda-se que permaneçam no interior dos edifícios, de preferência com as janelas fechadas.

Com a previsão do regresso em força deste fenómeno a partir de quinta-feira (9), e a possibilidade de manter-se- pelo menos até sábado ou domingo, dias 11 e 12 de abril, a DGS recomenda o seguinte:

  • Evite esforços prolongados
  • Limite a atividade física ao ar livre
  • Limite a exposição a fatores de risco, tais como o fumo do tabaco e o contacto com produtos irritantes.

Em comunicado, a DGS refere ainda que os doentes crónicos devem manter os seus tratamentos médicos e, caso os sintomas se agravem, a população deve contactar a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) ou deslocar-se para um serviço de saúde.

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