Grande mudança nos mapas do tempo, Alfredo Graça avisa: “A circulação atmosférica vai mudar a partir de 1 de junho”

Após a onda de calor mais severa desde 1953 para um mês de maio, Portugal continental iniciará junho com temperaturas mais amenas. A provável chegada de ar polar marítimo traduzir-se-á num alívio térmico generalizado e no regresso da chuva.

Em contraste absoluto com a atual onda de calor, que teve início a 20 de maio em Portugal continental e já confirmada pelo IPMA como “a mais severa e quente no país desde, pelo menos, 1953, superando a barreira histórica dos 40 °C no mês de maio”, o mês de junho irá arrancar com uma circulação atlântica relativamente ativa e temperaturas mais próximas da média.

Após o episódio de calor extremo que tem estado a marcar a reta final de maio, embora com um alívio térmico já verificado nas regiões do litoral Norte e Centro desde ontem (quinta-feira, 28), os mapas de referência da Meteored revelam uma substituição gradual da massa de ar tropical continental (muito quente e seca) por outra mais fresca e húmida, vinda do Atlântico e com origem polar marítima.

Na próxima terça-feira, 2 de junho, o ambiente fresco já estará praticamente generalizado em Portugal continental. Apenas alguns locais do Baixo Alentejo e Sotavento Algarvio se apresentarão como o último reduto do calor intenso.
Na próxima terça-feira, 2 de junho, o ambiente fresco já estará praticamente generalizado em Portugal continental. Apenas alguns locais do Baixo Alentejo e Sotavento Algarvio se apresentarão como o último reduto do calor intenso.

Nos próximos dias a lenta deslocação da massa de ar quente para leste, associada à passagem progressiva a um padrão atmosférico em que predominará o fluxo de noroeste (transporte de ar marítimo mais fresco) continuará a gerar uma descida gradual das temperaturas nas regiões do litoral, uma vez que nas do interior o calor permanecerá relativamente intenso pelo menos até segunda-feira, 1 de junho.

A partir da próxima terça-feira, dia 2, espera-se que o alívio térmico se espalhe também para o interior, pelo que o ambiente mais fresco abrangerá quase toda a geografia de Portugal continental, exceto em alguns locais do Sotavento Algarvio, tal como se pode verificar abaixo no mapa de anomalia de temperatura.

Prevê-se um domínio da NAO+ no início de junho, possivelmente até ao dia 10

A última atualização do gráfico de “Probabilidades dos regimes meteorológicos - Previsão de variação sub-sazonal do ECMWF” continua a insistir, para a primeira semana de junho, no domínio do regime atmosférico NAO+ (ou NAO positiva - também conhecida como Oscilação do Atlântico Norte em fase positiva), tendo início na segunda (1) e podendo, inclusive, ir mais além, até à quarta-feira, dia 10.

O gráfico sub-sazonal do ECMWF aposta, com cada vez mais consistência, num regime atmosférico de NAO+ nos primeiros 7 a 10 dias de junho.
O gráfico sub-sazonal do ECMWF aposta, com cada vez mais consistência, num regime atmosférico de NAO+ nos primeiros 7 a 10 dias de junho.

Este tipo de gráfico permite a análise dos padrões atmosféricos mais prováveis para a Europa e Atlântico Norte a curto, médio e longo prazo (aproximadamente 6 semanas). Não prevê chuva ou temperatura de forma direta, mas sim os regimes atmosféricos dominantes que modulam a circulação do jato polar e a distribuição dos anticiclones e depressões.

Como referido anteriormente pela Meteored Portugal, prevê-se que o regime NAO+ domine os primeiros dias de junho. Quando este padrão atmosférico se impõe, está geralmente associado a uma fase em que tanto o anticiclone dos Açores como a depressão da Islândia estão bastante robustos (forte gradiente de pressão entre os dois centros de ação, daí o sinal positivo da NAO), o que se traduz na circulação de depressões atlânticas mais pelo norte da Europa.

A descida térmica dos próximos dias será gradual e dever-se-á à lenta e progressiva deslocação da massa de ar quente para leste, fomentada pela chegada e predomínio de um fluxo de noroeste, que transporta ar marítimo mais frio, contribuindo para o alívio do calor de forma generalizada.
A descida térmica dos próximos dias será gradual e dever-se-á à lenta e progressiva deslocação da massa de ar quente para leste, fomentada pela chegada e predomínio de um fluxo de noroeste, que transporta ar marítimo mais frio, contribuindo para o alívio do calor de forma generalizada.

As tendências térmicas do modelo ECMWF para a primeira semana de junho são bem evidentes e coincidem com outro dos principais modelos de previsão meteorológica à escala mundial (GFS). Ambos sugerem que as temperaturas em Portugal continental (e em grande parte da Europa) serão bem mais frescas face à semana atual, situando-se em valores dentro, ou até mesmo inferiores à média na maioria das regiões.

Primeira semana de junho mais fresca e com provável regresso da chuva

Analisando os mapas a curto prazo, observa-se a continuidade de um anticiclone dos Açores robusto, a rondar os 1030 hPa de pressão atmosférica no seu centro, favorecendo estabilidade atmosférica sobre Portugal continental. Não obstante, a sua posição não impedirá totalmente a passagem de algumas frentes atlânticas em fase de dissipação, podendo surgir precipitação fraca e dispersa sobre o litoral Norte e Centro e algumas áreas montanhosas nos dias 2 e 4 de junho.

Os ventos de Oeste e Noroeste, procedentes do Atlântico e associados à chegada do ar polar marítimo, ganharão intensidade, passando a ter um papel ativo nas condições meteorológicas dominantes em Portugal continental na primeira semana de junho, ajudando a regular as temperaturas, especialmente na faixa costeira ocidental, nas Regiões Norte e Centro e também no Algarve.

No que diz respeito à precipitação, as cartas de previsão a curto e médio prazo do modelo Europeu detetam um tempo mais variável, com dias secos e estáveis a alternar com outros algo mais húmidos e instáveis. Além dos dias 2 e 4, começa-se a desenhar a possibilidade de chover nos dias 5 e 6, novamente com maior probabilidade e frequência na Região Norte e nalguns locais do Centro.
No que diz respeito à precipitação, as cartas de previsão a curto e médio prazo do modelo Europeu detetam um tempo mais variável, com dias secos e estáveis a alternar com outros algo mais húmidos e instáveis. Além dos dias 2 e 4, começa-se a desenhar a possibilidade de chover nos dias 5 e 6, novamente com maior probabilidade e frequência na Região Norte e nalguns locais do Centro.

Apesar da robustez do anticiclone dos Açores e da proximidade deste centro de altas pressões à nossa geografia continental, as ligeiras variações na sua posição ao longo da primeira semana de junho serão suficientemente ativas para permitir alguma variabilidade dos estados do tempo à escala diária no nosso país, algo ao qual também estará indubitavelmente associado um jato polar mais ondulante.

De acordo com as cartas sinópticas, além de terça e quinta-feira, dias 2 e 4 de junho, prevê-se a possibilidade da precipitação se repetir posteriormente no nosso território, possivelmente nos dias 5 e 6 de junho, devido à chegada de outro sistema frontal relativamente ativo, associado a uma profunda depressão atlântica, possivelmente situada a oes-noroeste das Ilhas Britânicas.

O potencial desenrolar desta situação atmosférica resultará, à superfície, num aumento da nebulosidade, com previsão de chuva fraca a pontualmente moderada na Região Norte e em algumas zonas do Centro, especialmente nas áreas montanhosas desta região.

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