Eis a quantidade de chuva prevista em Portugal com a próxima gota fria: previsão atualizada

Após a precipitação de amanhã, dia 27, no Norte e no Centro, o tempo estável e seco tenderá a dominar até domingo, 1 de março. Contudo, para a próxima semana prevê-se que uma nova baixa pressão produza aguaceiros em Portugal continental, com possibilidade de trovoada e granizo.

Nos próximos dias a corrente de jato polar vai continuar a serpentear de forma significativa, algo que é sintomático de uma dinâmica mais primaveril. Durante o fim de semana de 28 de fevereiro e 1 de março, o anticiclone continuará a condicionar o estado do tempo em Portugal continental, produzindo tempo geralmente estável e seco, com céu pouco nublado ou limpo.

Não obstante, os mapas de referência da Meteored já mostram indícios de uma reorganização da circulação atmosférica no Atlântico. No norte da Europa instalar-se-á uma depressão cavada, responsável por encaminhar uma frente fria em direção à fachada ocidental da Península Ibérica.

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A interação entre a frente fria associada à depressão atlântica, a massa de ar mais frio de origem polar em altitude e a presença prévia de ar mais quente e húmido a sul, favorecerá o aprofundamento de um centro de baixas pressões que poderá evoluir para uma gota fria com reflexos à superfície sob a forma de aguaceiros e trovoadas entre segunda e terça-feira, dias 2 e 3 de março.

No entanto, a incerteza na previsão é muito elevada quanto à distribuição e intensidade da precipitação convectiva, fruto da típica trajetória errática e natureza caótica deste tipo de depressões.

Nas últimas horas de domingo (1), a frente fria já estará muito próxima de entrar pela metade ocidental do nosso país, associada à já referida depressão atlântica, situada sobre o noroeste da Europa. Nesta fase, ainda não serão sentidos efeitos significativos em território nacional, mas o gradiente de pressão ganhará força e a massa de ar começará a registar alterações.

Ao mesmo tempo, um centro de baixas pressões posicionado sobre o norte de África desempenhará um papel essencial na evolução das condições meteorológicas potencialmente instáveis que se vislumbram para os dias seguintes.

A instabilidade poderá ganhar terreno em Portugal continental na segunda e na terça-feira

A partir do final da madrugada/início da manhã de segunda-feira (2), prevê-se a chegada de uma frente fria atlântica que entrará pelo litoral Norte e Centro, com a precipitação a estender-se gradualmente para as restantes regiões do país.

De acordo com os mapas, será entre o final da tarde de segunda-feira (2) e a meia-noite de terça-feira (3) que ocorrerá a fase de formação da gota fria, quando esta se desligar da circulação principal e se isolar em altitude.
De acordo com os mapas, será entre o final da tarde de segunda-feira (2) e a meia-noite de terça-feira (3) que ocorrerá a fase de formação da gota fria, quando esta se desligar da circulação principal e se isolar em altitude.

Entre o início da manhã e o meio da tarde de segunda (2) espera-se um aumento claro da instabilidade meteorológica, com o centro depressionário a sul a subir de latitude. Preveem-se aguaceiros, potencialmente acompanhados de trovoada, podendo ocasionalmente assumir a forma de granizo.

Entre o fim da tarde de segunda (2) e a meia-noite de terça-feira (3) os mapas continuam a insistir na formação de uma gota fria, que se desenvolverá devido ao seu desligamento da circulação principal e posterior isolamento em altitude. O seu centro poderá situar-se, quando já estiver plenamente formada, entre o Cabo de São Vicente e o norte de Marrocos.

Entre o meio da tarde de segunda-feira (2) e a meia-noite de terça-feira (3) poderá chover em quase qualquer região da nossa geografia continental, embora realçando-se o carácter irregular e geralmente fraco ou pontualmente moderado. No interior alentejano poderão vir a registar-se acumulados horários de até 4 mm/h.

Na terça-feira (3) a incerteza na distribuição da precipitação aumenta substancialmente devido à trajetória da depressão isolada em altitude (gota fria). Ainda assim, os mapas mostram que os aguaceiros serão mais prováveis durante a madrugada e manhã, especialmente nas regiões a norte da Serra da Estrela, mas também na Grande Lisboa, Península de Setúbal, litoral Alentejano e Barlavento Algarvio.

Uma gota fria corresponde a uma depressão isolada em altitude, desligada da circulação principal, que potencia instabilidade e precipitação de carácter irregular, geralmente do tipo convectivo, isto é, aguaceiros, com possibilidade de trovoada e queda de granizo.
Uma gota fria corresponde a uma depressão isolada em altitude, desligada da circulação principal, que potencia instabilidade e precipitação de carácter irregular, geralmente do tipo convectivo, isto é, aguaceiros, com possibilidade de trovoada e queda de granizo.

Existe possibilidade de queda de neve nos pontos mais elevados da Serra da Estrela. Quanto à segunda metade de terça-feira, 3 de março, há sinais de que a precipitação tenderá a ser menos frequente e mais fraca e dispersa.

Previstos entre 5 e 20 mm em qualquer ponto da geografia de Portugal continental

Como já foi anteriormente referido, é muito difícil determinar a chuva acumulada devido à elevada incerteza na trajetória do centro depressionário que dará origem à gota fria, mas, de momento, os mapas sugerem que poderá precipitar em qualquer zona do território de Portugal continental, com acumulações que variam desde 5 mm a 20 mm.

Distribuição da chuva acumulada em Portugal continental até às 21:00 de terça-feira, 3 de março, incluindo a precipitação prevista para sexta-feira (27), segunda (2) e terça (3).
Distribuição da chuva acumulada em Portugal continental até às 21:00 de terça-feira, 3 de março, incluindo a precipitação prevista para sexta-feira (27), segunda (2) e terça (3).

É muito provável que, devido à trajetória deste centro de baixas pressões, os valores de chuva acumulada se alterem várias vezes nas próximas atualizações do modelo Europeu. Ainda assim, os mapas revelam atualmente que as áreas potencialmente mais afetadas seriam, com valores a rondar os 20 mm de precipitação acumulada: Grande Lisboa, Península de Setúbal, Região Norte (exceto distrito de Bragança), Beira Alta, Beira Baixa e toda a zona fronteiriça do Alentejo com Espanha.